quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Anzol

Os pescadores partem na embarcação
à conquista de um porto seguro
Certos de que não é ilusão
pescar pão para o futuro

A dor da pobreza sulca o rosto
da gente que vive navegando
Quando regressam já é sol posto
todos o mar leva não se sabe quando.

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domingo, 24 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008

Relação de Verão

Ele aquece-me os braços
abrasa-me os cabelos
beija-me a face
a nuca
os seios
De mãos atadas
divagamos os dois.
Transportamos a luminosidade nos corpos
As ondas do mar
prenhas de inveja
tentam impedir o nosso percurso
Sulcam a areia dulcíssima
provocam-me ainda mais a vertigem do Amor
E são risos e gestos meigos
frases tão nossas
Somos dois loucos
sorvendo em goles fundos
a paixão das nossas vidas
A alegria escoa pelos galhos da minha e da tua juventude
A tua boca procura a minha
com avidez e sofreguidão...
Embrulhados na areia,
os nossos corpos rolam
e fundem-se numa só combustão
O nosso Amor é o rosto
de uma promessa.

Talvez o rastilho

para tornar o Outono menos solitário
As nossas emoções explodem
A paixão arrasta o desejo
Os nossos corpos resvalam
numa tranquilidade
de brilhos cristalinos e puros.
A ideia de pecado mora a leste
Confessamos o prazer que experimentamos
Sorrimos Felizes
e avançamos
a corrida na praia da vida
O Sol é a minha companhia
Não se rende ao coito

Renasce

a cada momento
equilibrando-se mesmo durante
as geadas.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Passado

Eu fiquei como louca,
quando a verdade se adivinhava.
Com ambas as mãos apertei a boca,
mas a ferida sangrava.

Quem compreendeu este sofrer que fale
e diga a toda a gente o quanto sonhei.
A vida só por si vale
tanto mais quanto a disfrutarei

Tudo faz parte da criação:
rectas e curvas onduladas...com perfeição.
Se eu pudesse esquecer as manhãs caladas,

As rosas de um caminho desfloradas!...
Tempo que eu perdi divagando debruçada!
Como o "espanta pardais" não fazia nada!

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Um Vulcão

Hoje tive uma premonição
análoga ao zunir tresloucado do vento.
Foi logo pela madrugada!
A folhagem dos meus ramos se agitava
e, um ruído medonho se avizinhava.

Bem do fundo o magma viscoso abriu um canal
O coração estremecia desconhecendo o fenómeno natural.
Quando a lava escapou pela cratera
furou minha cabeça como metal.

Estrangulada pelos gases dissolvidos, escancarei a boca
Pelo cone adventício expeli vapor de água,
dióxido de carbono, compostos de azoto e enxofre,
cloro, hidrogénio e árgon...
Aliviada, rumorejei atarefada.

Enchi o peito de ar e soprei com expiração
os fragmentos piroclásticos modelados pela criação.
Exaurida caí num repouso
desprendendo apenas um ou outro arroto vaporoso

Meu corpo letárgico habitou a monotonia
para não mais revelar indícios de loucura
tal qual um gigante arriscado e manhoso

A erupção desencadeou o desmantelamento
das paredes de minha cabeça
advindo uma coluna de fumo cinzento
que traduzia o meu pensamento

Fragmentos sólidos de lava amalgamados a gases e vapores
projectaram-se pela raiva a alturas enormes
abatendo mesmo pontes.

Tornei-me viscosa ,explodindo em acessos de cólera
isolados por longos intervalos...
Decidi ,posteriormente alcançar grandes horizontes


Durante algum tempo o meu corpo suado
exalava alguns gases...a calma tinha lugar.
Processava-se a minha lenta extinção.
Contudo, ninguém imaginava que logo,logo
eu entrava de novo em erupção

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Teia

Cerro as pálpebras cansadas
Os cavalos puxam aranhas de trenó
Sobem para a caverna do escuro
para uma noite sem estrelas
...vida de passos lentos.

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sábado, 2 de agosto de 2008

Tirano

Sou um déspota maldito
que defende a corrupção
Fica o dito pelo não dito
Intrujo a justiça e sou ladrão

De bolsos recheados inchamos nós
É só para a Corte a presunção
Na falta de votos o sofrimento é atroz
- Ignorantes é o que todos vocês são!

E com este panorama conturbado
O povo é o único prejudicado.

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A um amigo

Tem uns olhos muito azuis
assemelhando-se a duas safiras
navegam neles muita simplicidade
e nos lábios um sorriso de bondade

Os sonetos obra de "Veterano"
denotam rara beleza
Como ele ninguém "canta" o povo Lusitano
pois farte da sua natureza.

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