quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A utopia de um paraíso

A batuta do pardal
acende a manhã
O sol abre-se em gotas
cristalinas
A seara cresce ondulante
O mar aquece
as ondas serenas,calmas...firmes
As fadas voluteiam
numa orgia de cores
As serras descem azuladas
e vão morar nos sonhos
das gaivotas .
Ninguém sabe o que são prisões
E acredita-se que neste paraíso
a natureza é verdadeiramente Livre.

Publi.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Aos idealistas


São homens e mulheres
Milionários
Desafiam
o convencional
Envolvem-se em ideais.
Projectos
Semeiam a esperança
Edificam a História
Comprometem-se
Derramam sangue
Perdem a vida
Persistem ...
Insuflam o peito
Vão mais longe
Partem ...
Obra inacabada
Outros chegam
Eternizam o feito e a memória
Agora é modelo perfeito
Criação...
Novos caminhos
Floresta por desbravar
Avião
Fax
Televisão
Transmutação dos tempos
O futuro já se fez
A pressa de chegar?
Nada é igual
Breve passagem
O tempo acabou
A existência
um sopro de vento
Bethoven
Schubert
Vivaldi
sôfregos de Paixão
Momentos essenciais
Ou folhear azedo um jornal
ler as páginas desportivas
Dormir para esquecer
Ver tv para não pensar
Crise existencial
Era do vazio
O inexplicável abafa, submerge
Perda de objectivos
Morte anunciada
Flor murcha
O valor de um Ideal?
Subtracção
Deus carece de boca ,olhos ,mãos
apela à Justiça
Espera que entregues
O poderoso
O tirano
O traidor

Como "Guerreiro vanguardista"
defende
A Lei do Amor e do Perdão

Jesus foi um grande Idealista
O maior sonhador de todos os tempos

publicado

sábado, 18 de outubro de 2008

Pensamento

A morte é a semente da metamorfose.

É imprescindível que o corpo pereça

para fazer surgir uma nova forma de vida.

Public

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eu

Sou a fusão de rectas e planos
sombras distantes
Amores desperdiçados
manhãs nunca nascidas
Ausente das horas invisíveis
Sonho de papel vagueando no espaço
Um ponto que intercepta
a recta num poente rubro
Esmoreço nas curvas do meu corpo
Fui menina acabrunhada
sem eco sem nada.

Publicado

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O casacão de infância

Estou aqui a vida inteira...
Durante anos fui o teu sonho
Agora não tenho eira nem beira
Mas gosto do teu olhar risonho

Menino, os meus botões foram teus brinquedos
Porque me deixas aqui tão esquecido?
Em criança contaste-me tantos segredos...
Hoje assemelho-me a um soldado em sinal de sentido!

Ó Menino quero apenas um desejo pedir
Coloca na minha lapela uma flor
O belo aroma irá fluir...
O que para mim será um gesto de Amor!

Fui uma prenda especial da vida
Alguém quis ver sua missão cumprida
E a minha ilusão não ficou perdida

Quantos anos faltam para a minha morte?!
Só te recordas de mim quando rumas p`ra norte
Se consigo um carinho teu é uma sorte!

Recuso-me permanecer assim a todo o momento
Só por efémeros segundos moro em teu pensamento
Menino, aos meus fios de lã,um pouco de ternura dá !

Publicado

sábado, 4 de outubro de 2008

Psico...

Fui feto embrulhado em líquido amniótico
Revelei indistinta sexualidade
Num pestanejar aflito
desabrochei para a vida
Encontrei o mundo às cegas
Lutei no gelo
esbarrando contra muros intransponíveis
Passei à margem das noites e dos dias
Não vi as noites ensopadas de sol
Nem os dias pontilhados de estrelas
Anos de infinita inglória
de irremediável apatia
espiralada ,espremida
em caminhos de ferro
Um combóio infernal
por mim fora...
A anos de distância
dei de caras com uma luz
Uma luz inteligente e salvadora
Primeiro desconfiei
Hesitei
Mais tarde deu-se o "enlace" terapêutico
A luz trouxe-me o verdadeiro sentido da vida
Conduziu-me para fora do túnel
A viagem foi inversa
ao sentido dos ponteiros do relógio
Às vezes é tudo tão intenso
outras tão calmo...
É preciso que assim seja
Cada palavra
Cada gesto
Cada sorriso
É gota de água que sacia a sede
a um deserto frio e vazio
A luz explode em novos conceitos
Novas visões
Eu viajo até ao fim de mim
num cavalo alado
O panorama atormenta-me
Luto contra areias movediças
Murmúrios dolorosos
Gritos longínquos
Zumbidos espevitados de abelhas
Rugidos de leões
Aves de rapina...
As cobras apertam-me os intestinos
esburacam-me o cérebro
Os caranguejos rompem-me os olhos
Os polvos estrangulam-me
a garganta
com os tentáculos gigantes e poderosos
Há batalhas que eu venço
É grande o meu desafio
Quero
Preciso
Encontrar a criança
Ela está lá
num choro recolhido
Enclausurada na infância
Prisioneira de monstros e fantasmas

O papel da luz é crucial
Afaga a criança
Trá-la lentamente para o agora
Fala-lhe brandamente
da pluralidade de significados que
todas as coisas podem agora possuir
Mostra-lhe as cores
da verdadeira liberdade.

E eu renovada prossigo
viagem na busca do essencial

Este poema é para todos aqueles que procuram uma luz

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