quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Delírio

No negrume da noite escura... a sereia
surgiu misteriosamente no povoado
Cheia de vigor sacudiu a areia
e um pescador caiu prostrado

Num linguajar desconexo saiu o vocábulo "fome"
O pobre homem ignorava que questionar
Muito atabalhoado pronunciou seu nome
E a cauda da sereia quis beijar

Seus olhos incendiram-se de inocentes
e dominado por uma forte atracção
em verso traduziu promessas afogadas no coraçao.


Finda a ilusão estrangulou a mágoa...
Do rosto consumido tombou uma gota d'água

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8 comentários:

Fernanda disse...

Há amores com os quais só podemos sonhar...
Amores platónicos...
Amores que com o tempo acabam por findar...tal qual a ilusão do pescador.
Há sempre uma gota d'água que tomba e que afunda em mágoas o coração.

Um abraço

Verónica disse...

Belo comentário! Gostei
Um abraço

Chinha disse...

O pescador, talvez há muito procurasse uma sereia para nela
depositar o choro do seu coração.

A visão que teve incendiou-lhe o sentir e pode finalmente verter a lágrima que a alma pedia.


bjinho

Verónica disse...

Muito bem observado chinha!
Gostei
Jinho

♀ Venus disse...

Há amores que vêem disfarçados de Sereia, com encantos e mistérios.
Outros vêem como simples baleias, são aquilo que vemos, sem mistério.

O pescador resgatador, não pensou, agiu movido pelo impulso.
Paixão é isso mesmo, deixar-se levar... e se der, comer loucura uma aras da outra.

Gostei do poema.

Beiju

Verónica disse...

venus é isso mesmo,a paixão pode ser semelhante a um vendaval ou furacão!
Gostei que tivesses vindo
Bjo

O2 disse...

Interessante... afinal conheces mais Moçambicanas por aqui!

:)

Já estou como o outro, serei eu uma sereia ou uma grande baleia, não sei, acho que o importante é saber nadar!

Pedrasnuas disse...

Se há mais Moçambicanas nem reparei...só sei que são pessoas com as quais gosto de falar...