terça-feira, 29 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Cem palavras

QUANDO AS PALAVRAS MURCHAM NA BOCA ...NINGUÉM SABE LER...NEM
DECIFRAR O QUE OS LÁBIOS NÃO CONSEGUEM DIZER...

sábado, 12 de dezembro de 2009

O meu Natal

Não percas a Esperança
Acredita sempre na claridade
Haverá um Natal de bonança
Com uma nova mentalidade
'
A verdadeira Paz ... uma nova linguagem
milhares de pombas lançar-se-ão no firmarmento
Novos rebentos hão-de parir nova folhagem
O amor chegará nos cabelos do vento
'
Sempre idealizei...
Algo de bom alguém está realizando
Os homens não são tão loucos...eu sei
E Outros valores se vão conquistando
'
Abomino as monstruosidades aqui e além
Queremos verdade no coração
Porque igualmente sofre minha Mãe
É em nome d'Ela que escrevo esta oração
'
Não existe explicação para tamanha tortura
Norte, Sul, Oeste, Este...extermínio da exitência
Dói-me ver tanta loucura...
A humanidade há-de fugir desta louca demência
'
Desejava que o Menino trouxesse Alegria
Mas na Terceira pessoa do Plural
O que sinto não é mera fantasia
Meu sentimento é real...
Publicado em 91

domingo, 6 de dezembro de 2009

Prova de amor em tempo de Natal

Já há algum tempo que os grandes olhos do maroto fixavam a vitrina. Ninguém prestara atenção à criança ali parada, empedernida. Do lado de dentro da loja, a menina de olhos negros sorria-lhe e o garoto de pupilas dilatadas esticou-se e pôs-se em bicos de pés para observá-la melhor.
Piscou os olhos e soprou num assobio matreiro, mordendo com força o lábio inferior.
- Ah…Linda boneca! Gostava tanto de poder brincar com ela…- atraíam-no os cachos de caracóis emoldurando o rosto trigueiro tornando-a praticamente real. Se ele pudesse tocá-la…ainda hesitou antes de entrar. Respirou fundo, encheu o peito de coragem e com um ar destemido de cavaleiro arrojado, colocou-se à socapa junto da boneca e acariciou-a timidamente. Viu o preço afixado mas ainda não conseguia descodificar a importância, embora tivesse aprendido na escola.
Amava profundamente a dança, por isso corria muito, trepava muros, saltava por cima dos bancos…os pés ganhavam asas e ele voava como os pássaros. Era um rapazinho sensível e inteligente. Sonhava com o dia em que iria pisar um palco e ser aplaudido por multidões de fãs. Quando bailava sentia-se livre como ninguém… Livre de preconceitos, livre de livros maçudos que a mãe obrigava-o a ler, dos números intermináveis, mesquinhos e das palavras agudas e esdrúxulas …livre da escola que o amarrava a uma mesa quase todo o dia. Era no ar, quando bebia aquela sensação de paz infinita, inigualável e de entrega absoluta à natureza que o seu coração irrompia de regozijo e satisfação.
- Oh miúdo, que fazes aí?- questionou o empregado da loja.
O rapaz ficou mudo, quieto e tenso. Então o empregado continuou:
- Que queres daí? Uma boneca?! Isso é para meninas. Vai atrás da bola … isso é que é para homens…
- Que preconceito o seu! – comentou um homem alto que acabara de entrar .
- Não é preconceito senhor… sempre ouvi dizer que as bonecas são para as meninas e a bola para os rapazes, é como as cores…
- Que quer dizer?
- Azul para homem, cor-de-rosa para senhoras.
- O seu mundo é muito limitado, para si resolve tudo com duas cores e simplifica tudo.
- Não sou o único…
- Pois, mas sabe, eu faço a diferença… uso várias cores no vestuário e não me importo com o que possam pensar.
- O senhor é que sabe…eu ainda sou à antiga como meu pai e meu avô, eles ensinaram-me assim e é assim que eu sou.
- Com certeza, faça-me o favor de embrulhar a boneca. - pediu o cliente.
- É para dar de presente à sua filha?
- Não, é para o menino, eu não tenho filhas, tinha um rapaz por certo muito parecido com aquele.
- Tinha, já não tem?!
- Morreu o ano passado no Natal.
- Lamento, deve ter sido duro…
- Uma tragédia… depois disso passei a contemplar a vida com outras lentes…
- Olhe, aqui tem a sua boneca.
O homem alto, recebeu o pacote, pagou-o, virou-se devagar para o menino, inclinou-se, olhou-o nos olhos com profundidade e carinho e indagou:
- Querias a boneca, não querias?
- Sim, queria…
O empregado que ficara a presenciar a cena acrescentou para o menino:
-Oh, miúdo dá essa boneca à tua irmã…
- Eu sou sozinho, não tenho irmãs.
- Então entrega a uma prima, dá-lhe de prenda.
- Não, esta boneca é para eu fazer de conta que é minha irmã.
- Não tens amigos?
- Tenho mas é diferente…
- Alegra-te meu rapaz, toma a tua prenda e vai brincar. – acrescentou o homem alto.
O garoto segurou no embrulho e precipitou-se para a saída.
-Ei, oh, miúdo, agradece ao senhor! – lembrou o empregado.
- Obrigado - balbuciou apressado.
O garoto, à saída voltou-se para trás, contraiu os lábios e subitamente os olhos ficaram mais brilhantes e húmidos.
Ajeitou a boina para dissimular a vergonha que sentia e correu num alvoroço avenida abaixo com o pacote na mão.
Lá ao fundo, antes de virar a esquina, retrocedeu e alegremente acenou ao homem alto que continuava à porta da loja.

Pedras nuas Dezembro de 91

http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/




terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um Amigo


Recebi de CR dos Recantos este mimo que muito me honra... fui nomeada e numa das visitas fortuitas encontrei-me por lá...
Passemos então às questões que de lá vêm.
1- Mania - Exigente comigo e com os outros
2- Pecado Capital - Desconfiada
3- Melhor cheiro do mundo - O das crianças
4- Se o dinheiro não fosse problema - Um cruzeiro à volta do mundo
5- História de infância - O amor de minha avó
6- Habilidade na cozinha - Fazer sopa todos os dias
7- O que não gosta de fazer em casa - Limpezas
8- Frase preferida - Algumas...mas talvez - "Quem não enfrenta as tempestades passa a vida a rastejar"
9- Passeio para o corpo - À beira mar
10- Passeio para a alma - Estar comigo
11- O que me irrita - Que não me compreendam
12- Frases que muito uso - Às vezes -"Quem tem telhados de vidro não atira pedras aos outros"
13- Palavrão mais usado - Não me lembro
14- Talento oculto - Só para quem me conhece...
15- Não importa que esteja na moda, eu nunca usaria - Só por ser moda
16- Queria ter nascido a saber - Tocar piano
Passo a nomear os seguintes :
- NimbyPolis
- Dar voz às palavras
- Searas de versos
- Paço das Artes
- Viver é pura Magia
- O Momento Certo
- Simplesmente Amor
- Fluidific' Art Ki
- Sereia
- Vanuza Pantaleão/Obra Literária
- Na rua contigo
- Oxigénio
- Queixo-me às rosas
Havia mais a nomear ...e eram só oito...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Dama de Copas






Tinha acabado de chover e uma névoa espessa apossara-se de tudo. Subtilmente fiquei a vê-la chegar como um presságio, galgar para dentro do quarto e tomar conta de mim. Fechei os olhos e imaginei quatro cavaleiros embrulhados em jactos de água numa corrida infernal. Os ilustres guerreiros da tarde, fortes e bravios. Eu sentia o peso dos cavalos bem dentro da minha cabeça…
Subitamente a campainha da porta acordou-me:
- Sim? – perguntei.
Como não obtive resposta, voltei ao meu mundo de fantasia quando soou novamente:
- Sim? – insisti ligeiramente enervada.
Ouvi finalmente uma voz feminina meio apagada:
- Pode abrir a porta se faz favor?
- Quem é? – questionei curiosa, pois não aguardava visitas naquela tarde.
- Uma vizinha.
Resolvi abrir a porta e de repente dei de caras com uma senhora idosa apoiada numa bengala:
- Bom dia, posso falar consigo? - cumprimentou amistosa.
- É minha vizinha e deseja falar comigo?! -exclamei assombrada.
- Gostaria se não se importa…! Pode ser?
- Não é hábito abrir a porta a estranhos… – comentei entre dentes
- Pois, eu compreendo mas preciso me sentar …que mal lhe poderia causar uma velhota como eu?! - justificou-se ela.
Ainda hesitei, mas como se tratava de alguém aparentando um cansaço visível e toda a fragilidade de quem já viveu muito e agora só precisa de estar em paz com tudo e com todos, arqueei as sobrancelhas e mesmo contrariada permiti a entrada.
Indiquei-lhe o sofá para se sentar. Ela lentamente e com graciosidade acomodou-se, eu sentei-me a seu lado, foi então que a frouxa claridade da tarde, vinda da janela, acendeu-lhe a fisionomia exaurida. Observei melhor as suas rugas, o seu cabelo cor da bruma, o seu ar quebradiço e muito pálido, os seus olhos muito azuis e expressivos, os lábios finos delineados com baton …reparei na estrutura franzina do seu corpo, o vestido da mesma cor dos olhos … apoiava-se com delicadeza na bengala.
- Diga-me, está sozinha? -indaguei com estranheza.
- Porque pergunta isso?
- Com a sua idade não se anda sozinha por aí… não tem ninguém?
- Eu vim sozinha e não estou caduca. – atalhou sorrindo e o rosto desbotado ganhou novo fulgor. – Mas deixe-me dizer-lhe que nos dias que correm não se respeita nada nem ninguém!
- Olhe, eu absorvi os valores que os livros e as pessoas mais velhas me transmitiram.
-É bonito ouvir falar assim porque nós, os velhos, temos igualmente desejos, são outros... a velhice está cheia de compensações para quem dela sabe tirar proveito, se previamente não se tiver chegado ao estado de decrepitude…Hoje os velhos estão mais abandonados e entregues a si mesmos quer em casa ou nos lares, tal como as crianças. E quando ainda vivem com o cônjuge só querem discutir e desrespeitam-se na frente dos filhos, enfim, uma vergonha. Assim não aproveitam o tempo que lhes sobra para reviverem a Primavera de outrora. Nego-me a ser uma vencida da vida e queira Deus que eu morra feliz…nós agradecemos a colaboração e o apoio de todos os membros da família para caminhar até à meta, com toda a dignidade possível …e nem falo dos amigos, dos vizinhos, dos conhecidos, contudo, devíamos poder contar com todos os que nos são mais próximos… – Observou calmamente.
- A mim ensinaram-me a respeitar as pessoas independentemente da idade ou de qualquer outro factor. – Esclareci o meu ponto de vista – mas diga-me a que devo a sua visita? – rematei subitamente.
- É verdade… o motivo que me trouxe aqui foi o seu livro.-principiou ela encarando-me com seriedade.
- O meu livro? – pronunciei em voz alta.
- Sim o seu livro …- começou num tom calmo e pensativo – isso mesmo que ouviu…- continuou firme.
- Leu o meu livro?! – sobressaltei.
- Li sim e preciso da sua colaboração! – pediu enfrentando-me com os seus olhos bucólicos.
- Não estou a perceber como. Explique-se.
- Como é que lhe explico? – Pareceu-me introspectiva
- Não gostou, é isso? - atropelei as palavras – Não se preocupe, não tem forçosamente de gostar!
- Calma, a questão não é essa, diga-me, porque é que foi escrever acerca da existência dos reis?
- Hum?! - emiti um grunhido.
- Sim Tery, porque tinha de contar uma história relacionada com aqueles reis?
- Ora essa! – bradei estupefacta – foi uma ideia como qualquer outra! São personagens para um argumento, mais nada.
- O seu livro é muito mais que isso e você sabe-o.
- Bem, vamos por partes, afinal o que tem contra o meu livro?!
- O seu livro narra acontecimentos secretos. Fala de coisas que ninguém devia ter acesso porque são informações confidenciais.
- Como assim? - interroguei ansiosa.
A idosa virou-se para mim com um sorriso triunfante a colorir as rugas da face.
- O seu livro narra a história dos quatro reis: o de Paus, Espadas, Copas e Ouros, os Ás exactamente no papel de vices, os amigos íntimos dos reis são realmente os condes com algumas paixões proibidas pelas Damas. Que pretendeu mostrar? Ainda acredita que existem sociedades perfeitas. Podia optar por outra forma de o fazer, também falou que a Dama de Paus, de Espadas e de Ouros são amantes dos seus reis e estes não permitem que os melhores amigos venham a usurpar o que lhes foi conferido por direito real. Falou das guerras e das consequências, as intrigas e as conspirações, assim quebra toda a confiança que depositamos em si. Não existem lugares ideais, bem que procuramos esse tal sítio paradisíaco e infelizmente perdemo-nos nessa busca incessante…
- Isso não é literalmente assim!
- Provoca-me! Considero-me uma mulher moderna, por isso já estou ultrapassada, agora, ouço rumores que se vive o Pós-modernismo , chame-lhe o que quiser, os homens necessitam de referencias para se situarem no tempo, talvez assim não se percam…
Voltando ao assunto; alguns reis exerceram tirania; mandaram matar, assassinaram, traíram, oprimiram, praticaram genocídio, dedicaram-se ao ócio ou à vida mundana. Uma monarquia em tudo idêntica às do cimo do planeta; o rei de Espadas é Megalómano, o rei de Ouros é Tirano, o rei de Paus é Acomodado e o rei de Copas é Sensível…
- Sim, entendo que leu o livro, que mais quer de mim? …-desatei repentinamente.
- Desvendou todos os mistérios que sucederam num lugar inacessível aos humanos?! – subitamente pôs um ar preocupado.
- E quem vai acreditar que é real?! bebi inspiração num mundo de fantasia - concluí com um sorriso.
- Que mundo foi esse?
- O da minha imaginação! – respondi ironicamente.
- Refiro-me a acontecimentos específicos que tiveram lugar lá no Centro da Terra que são exactamente os que descreveu no seu livro.
- Minha senhora, por favor, peço desculpa mas honestamente não consigo entendê-la…
- Será que preciso ser mais explícita, os seus reis e toda a comitiva habitam o Centro da Terra, eles são todos personagens verdadeiros com histórias reais.
- Desculpe perguntar mas qual é o seu nome?
- Quer apresentações agora?!
- Não sei …tartamudeei.
- Para que lhe vou revelar o meu nome, você há-de se lembrar, parece que está amnésica.
- Está a confundir-me com outra pessoa …
- Porque diz isso?
- Só pretendo ajudá-la! -Respondi - Não estará sob o efeito de alguma medicação?
- Eu sabia que a sua conversa era tendenciosa, você quer chegar à brilhante conclusão que eu sou uma velha decrépita, agitada como as pessoas da minha idade e por isso faço confusões e não vale a pena dar crédito às minhas palavras.
- Minha senhora o meu livro é pura fantasia, mais nada.
- É muito mais que isso, repito. Então nega que uma equipa de cientistas e pesquisadores conceituados levaram a cabo uma experiência iniciada no milénio passado, deram vida a uma comunidade nova, onde ao principais autores são os reis, os ás, as damas, os condes …e os números que defendem o reino com armas tal como os soldados de outrora de agora e de sempre. Porém, acontece que a Dama de Copas desapareceu e ninguém imagina para onde fugiu ou partiu, é pouco provável que tenha sido raptada…e realmente o seu livro fala de toda a gente e nunca, em momento algum faz referência ou menciona o que quer que seja a respeito da Dama de Copas.
- Peço desculpa, agora vou convidá – la a sair , entrou aqui com o pretexto de que era minha vizinha, e, não estou com disposição para ouvir essa história absurda .O mais incrível é que nada me obriga a escutá-la , lá por ser de idade avançada não lhe dá todos os direitos.
- Tery, não me queira mal, não vou insistir mais, já saio, também não vale a pena perder tempo consigo…e não quero incomodá-la, mas antes gostaria de lhe fazer uma proposta…
- Uma proposta?! -disparei indignada.
- Sim – afirmou com convicção e tomou as minhas mãos nas suas -não se enerve, quando chegar à minha idade vai perceber a importância do que deixou para trás.
- Mas eu valorizo ao máximo aquilo que me é possível, por isso as suas palavras estão fora de contexto.
- Será que estão? - criticou de forma terna.
- Eu sei que estão mas fale-me então dessa proposta!
- Gostaria de lhe pedir para escrever o segundo volume do livro. Encontre a Dama de Copas.
- E porque haveria eu de atender ao seu pedido?!
- Considere o pedido de uma velha caprichosa e culta.
- Qual é o seu interesse pela Dama de Copas?
- Não lhe posso responder – proferiu nostálgica.
- Ah! continua misteriosa!
- Um dia hei-de quem sabe… já que se recusa a ver o óbvio.
- Isso quer dizer que vou tornar a vê-la?!
- E tem alguma razão para me ver pelas costas. Causei-lhe algum mal?
- É muito confusa e problemática, com um estilo de conversa que francamente não me agrada. Lamento mas estou a ser verdadeira consigo!
- Pronto, não vou aborrecê-la mais com as minhas conversas tontas
Ergueu-se devagar enquanto eu a observava.
– Mas prometa que vai pensar no assunto.
- Se quiser que falte à verdade, está bem, faço isso!
- Eu sei que vai pensar, não acredito que tenha sido capaz de apagar tudo.
Encaminhei-a à porta, fi-la sair e respirei de alívio.
A visita inesperada deixara-me bastante perturbada, por isso resolvi sair e passear pela praia, descalcei os pés e caminhei durante muito tempo, apreciei o frio crepuscular, o nevoeiro tinha – se desviado. O vento soprava forte, sacudia-me toda como se eu fosse um embrulho e pudesse ser arremessada a qualquer momento pelos ares. Enquanto contemplava o mar na linha de horizonte, surgiu o rosto da velha senhora, as suas palavras atravessavam a minha cabeça e algo em mim dizia que eu não devia ceder ao que não me agradava. Não me apetecia nada continuar a escrever naquele momento, ainda tentei encontrar alguma inspiração nos dias subsequentes, no entanto, não me sentia disponível.
Passaram dias e meses, a contagem voraz do tempo, sempre imparável, quebrada por algumas entrevistas e fotografias a jornais e revistas. Não me sentia minimamente interessada em responder a convites oportunistas de última hora. Resolvi colocar um ponto final na história da Dama de Copas, esquecê-la definitivamente.

Quase um ano depois, uma manhã de Primavera caminhava na rua, uma rua com poucos transeuntes, coberta de sol tépido, tinha parado para ver a actuação de um grupo de músicos peruanos, quando subitamente alguém me tocou nas costas, voltei-me:
-Boa tarde, como está? - saudou com um sorriso franco. – Não se lembra de mim?
Hesitei, em seguida articulei:
- Ah, já sei quem é, que deseja?
-Tem tempo para um café? - convidou delicadamente.
Por acaso podia ter recusado, todavia, estava interessada em saber que ela tinha para me contar ao fim de todo aquele tempo.
- Está bem, vamo-nos sentar mesmo nesta esplanada aqui – e apontei com o dedo indicador, o lugar vago, mesmo à nossa frente debruçado para a marina coalhada de barcos de recreio, com o mar empapado de reflexos moles.
Sentamo-nos ambas e pedimos um chá para tomar enquanto ela dava início à sua prosa.
- Então, seguiu o meu conselho?
- Não minha senhora, nem estou minimamente interessada em nenhuma Dama de Copas. O meu livro já foi escrito e para além daquilo não tenho nenhuma motivação.
- Está zangada, porquê?
- Eu, zangada? Gosto de fazer aquilo que me apetece e não por imposição.
- Que está dizendo? Eu não a forcei a nada, apenas sugeri, tem o livre arbítrio para decidir o que quer fazer. Então desistiu definitivamente da ideia?
- Sim, contudo, ainda não me esclareceu qual é o seu interesse por essa Dama?
- Era uma pessoa muito importante para mim, era especial …
- Em que sentido?
- Não vale a pena comentar consigo sobre o assunto, penso que não vai entender…
- Quem sabe … e até encontre inspiração para escrever o seu livro?!
- Não acredito nas suas palavras, nem vou partilhar consigo pormenores da minha vida.
- Porque não me conta a sua história, talvez me dê ideias para o livro que me propôs!
- Para quê? esqueça tudo e diga-me, gosta mesmo de viver aqui?
- Gosto muito.
- A sua frieza e cinismo afastam-me literalmente, penso que nada a demove …o seu desinteresse pelo centro da Terra choca-me. Só me resta voltar ao meu mundo que fica muito distante deste. Mesmo com as suas imperfeições sei que lhe pertenço, criei lá as minhas raízes, às vezes é muito difícil compreender certas atitudes.
- Refere-se a mim?
- E a quem mais poderia ser?
Fiquei calada e perante o meu silêncio, ergueu-se sonâmbula e apoiada na bengala caminhou direita até ao fundo da avenida, fiquei a vê-la enquanto desaparecia vagarosamente.
Nem chegamos a beber o chá, reparei na nota que deixara em cima da mesa e percebi que ela havia pago os dois chás. Tomei o líquido num gole, levantei-me e fui embora desfrutando da manhã sorridente que me esperava de braços estendidos.
Os dias que se seguiram foram relaxantes; ouvir música, pintar, caminhar pelas manhãs fora, a redacção do jornal. Entretanto comecei a ler vários livros em simultâneo.
Oito dias depois estava em casa quando a campainha tocou, interrompi o meu trabalho e fui atender; era uma voz masculina:
- Abra, é o carteiro!
Abri -a e apanhei um susto quando me deparei com um homem alto, trajando branco, fiz um gesto rápido para voltar a fechar mas ele rapidamente impediu e olhou-me fulminante, depois atirou a porta atrás de si fechando-a com um ruído estrondoso e disse num tom encolerizado:
- Reconheceu-me e queria me deixar do lado de fora, que hospitaleira?! …nem pense ignorar-me como fez com a Grande Rainha.
Fiquei sem saber o que responder, paralisei de todo, em seguida ele agarrou-me pelos ombros e com as ambas as mãos quase me arrastou até meio da sala.
- Porquê? Posso saber porquê? - A raiva dominava-o por completo. – Qual o sentido desta encenação! - Ele apertava-me os braços com força.
- Está a machucar-me, solte-me por favor! – supliquei num gemido.
Ele soltou-me empurrando-me para cima do sofá, foi colocar-se junto à janela e desfilou entre dentes:
- Para que foi todo este silêncio? Nem uma explicação, nada de nada?! Imagina o que eu sofri?
- E porque razão eu devia dar-lhe qualquer satisfação se estava preso àquela mulher …
- Sabia muito bem que eu não tinha outra alternativa, estava de mãos atadas. Ela podia me denunciar ao Às de copas e o Rei mandava-me prender e se o Rei de Copas sonhasse que eu me perdia nos lençóis da sua predilecta …não sei. Ele era conhecido por ser magnânimo, porem eu era seu amigo e confidente, estava ciente dos sentimentos dele por si. Teria sido uma grande traição. Isto quando se trata de mulheres…o lado racional deixa de funcionar.
- De qualquer forma tinha o seu coração preso a outra … era um homem comprometido e eu jamais seria a amante, não sou mulher para ficar em segundo plano, nem aceitar as migalhas que me atiram, quero ser a única, a primeira.
- Exige muito dos outros! Assim vai acabar sozinha.Estava convencido que seria capaz de me dar uma oportunidade, precisava de tempo para organizar a minha vida, programar a minha cabeça …me separar e depois ficar consigo.
- Não me dava garantias de coisa alguma, que podia eu esperar? Como se não bastasse queria um tempo infinito, um tempo indeterminado e isso não se pede a ninguém.
- A minha vida estava um caos, eu andava perdido mas sabia o que sentia por si!
- Não sentia nada! – contrariei-o irritada.
- Julga-me tão friamente, hoje guardo comigo boas memórias daquilo que vivemos. O tempo cura tudo, sofri muito, procurei-a em todo o lado, nas outras, tentei esquecê-la em bebedeiras . Nunca mais me vou apaixonar na vida, deixei de acreditar no amor, se ele existe não é para mim … as minhas carências afogo-as em camas alheias...de casadas e solteiras.
- E onde está o respeito por si próprio?
- Qual respeito, a maioria dos homens faz isto e sem pudores, os homens são promíscuos por natureza, fica-lhes bem!
- Não estou a reconhecê-lo Conde de Copas!?
-Veja agora os estragos que provocou em mim...
- Deixe-se de dramas, se ficou preso não tenho culpa disso, as desilusões fazem parte da vida.
- Não me soube amar!
- Eu soube amá-lo sim e também sofri, ao contrário do que possa imaginar, a diferença é que eu não alimentei fantasias, fiz o meu luto e continuei o meu caminho.
- Veio se esconder aqui?!
- Esconder?! Não preciso disso!
- Se fugiu do Centro da Terra...
-Eu não fugi! Pense o que entender, não pretendia continuar lá, não me adaptava, não podia contar a ninguém que ia partir. O Conselho não teria permitido, seria julgada e presa, enviada Deus sabe para onde?!
- O meu amor por si não foi suficiente para retê-la!
- O seu amor por mim? Um amor sem coragem!
- Nunca acreditou, pois não?
- Esqueçamos o assunto!
- Eu procurei ajuda e fiz algumas confidencias ao número Sete de Copas, passei pelo inferno, mas isso já não importa, faz parte do passado. Na altura soube que afinal não era o único a sofrer por si, a Grande Rainha também se debatia com uma profunda depressão. Não fazia ideia que a senhora nutria por si um sentimento tão nobre. Não consigo compreender porque a ignorou. Afinal a Grande Rainha veio ao seu encontro, foi um gesto tão importante e simpático.
- Nós ignoramo-nos uma à outra, foi mútuo.
-Veja bem, ela deslocou-se do Centro da Terra para estar consigo, é uma honra para qualquer um… ela fez uma grande viagem por sua causa. Não foi nada bonito da sua parte...
- Não voltemos mais ao assunto, pode ser?
-Afinal que tanto a amedronta?
- De ser prisioneira do Centro da Terra! Aquele lugar não me cativa nada! Não me identifico com aquela gente, não gosto de me sentir atada a nada. Gosto de ser livre, completamente livre para decidir sem condicionalismos. Estou bem aqui, não pretendo voltar, o meu caminho é para a frente.
- Então sigamos direcções opostas, eu precisava vê-la ao fim destes anos para ter algumas certezas, penso que me libertei de si. O meu lugar é lá …
-Vá para onde pertence!
- Pode ter a certeza disso.
- Espere ,preciso de um favor seu!
- Qual?
- Diga à Grande Rainha que me arrependo da forma como a tratei e…- um nó entalou-me as cordas vocais e os olhos humedeceram– esta indiferença , esta frieza servem apenas de escudo para me proteger …
- Proteger de quem?
- Talvez de mim mesma, não sei...A natureza do amor que me une à Grande Rainha é diferente, para mim é uma amiga, ela sabe-o e sempre me respeitou, é sem dúvida uma grande senhora.
- Não sente saudades de nada do que viveu lá?- o rosto do Conde contraiu-se de mágoa e decepção.
A minha voz ficou de novo presa na garganta. Ele magoado e enraivecido, inclinou-se para mim, segurou na minha cabeça, e sôfrego beijou-me nos lábios, um beijo longo e profundo que me soube a frio, depois sem mais delongas dirigiu-se à porta, abriu-a e saiu.

pedrasnuas 28 de Junho de 2006
Rebeca, penso que este conto não corresponde às tuas expectativas,ao que era pedido...mas
Foi o melhor que consegui fazer...
Destina-se ao Néctar da flor





sexta-feira, 20 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Década de Noventa
















Destino: Fábrica de Letras

Por favor Clique sobre o texto para ler melhor
Obrigada



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Só tu não vês...

Tudo ficou mais vazio
mais distante
mais frio...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Quase Inexplicável...

A SENSAÇÃO TRANSPARENTE
DE UM DIA LÚCIDO
AZUL CIANO
A PUREZA TÉNUE DAS SOMBRAS
O MORNO SABOR
PALIATIVO
ADOCICANDO A MINHA BOCA FRIA
HORAS DE DESERTO
SEM NOME, SEM O TEU NOME
UM DOMINGO SEM PASSEIO
DE MÃOS DADAS
NAS TUAS
A LISURA DA TUA PELE
A DISTÂNCIA INFINITA
QUE PERCORRE
O MEU ACREDITAR
A DOCE CARÍCIA
E A LÁGRIMA SOLTA
UM AFAGAR QUE MORA
LASCIVO
NA NASCENTE DA TUA VOZ
UM FRUTO QUE SÓ APETECE DEVORAR...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Entrega

DEI AS MINHAS PALAVRAS
A MINHA VOZ
A MINHA RAZÃO
O MEU TOM
A ENERGIA
E O CORAÇÃO...
'
DEI OS AFECTOS
OS MIMOS
CORRI E SALTEI
BRINQUEI
ATÉ ME ZANGUEI
NÃO ME IMPORTEI
FIQUEI SEMPRE MAIS PERTO
'
DEI A ALEGRIA QUE ÀS VEZES
NÃO TINHA
FINGI QUE NADA ME DOÍA
E QUANDO UMA LÁGRIMA INSITIA
A CUSTO ENGOLIA...
HOJE
TENHO A INFINITA CERTEZA
DE QUE A TUA FELICIDADE
É TAMBÉM A MINHA

sábado, 24 de outubro de 2009

Os últimos vestígios

O VENTO VAI RISCAR
A ÁGUA APAGAR
FICARÁ SOMENTE
A TÉNUE
MEMÓRIA
DO MEU NOME
ESCRITO
NA PALMA
DA TUA MÃO...

ATÉ QUE ...
MAIS NADA IRÁ RESTAR...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Secura...

DEPOIS DE LONGO TEMPO DE ESPERA
A ESCRITA CONTINUA CIMENTO EM MIM
NÃO DEIXA DE CRESCER NO CÉU UMA HERA
E A LINHA CURVA NÃO TEM FIM...

domingo, 18 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TRAIÇÃO AOS NÚMEROS

PODERIA TER SIDO ESCRITORA...
POETISA...
PINTORA...
A ALMA SEMPRE LAPIDADA...
NINGUÉM A QUESTIONOU....
PELA CLAUSURA DOS NÚMEROS...
SÓ NÚMEROS E MAIS NÚMEROS...
OS NÚMEROS FIZERAM-LHE O ROSTO PESADO
EMBEBEDARAM-NA
ANESTESIARAM-NA
ELA CASOU-SE COM ELES
I M P E R D O A V E L M E N T E
NUNCA SOUBE FUGIR ÀQUELA ENTREGA
OS NÚMEROS ENLEARAM-SE NELA
E ELA ENLEOU-SE NELES...
DE TAL FORMA QUE TROPEÇARAM....
UM COMPROMISSO
UM NÓ DEMASIADO APERTADO
ESTRANGULADO
NO SOLUÇO DA ESCRITA RENDILHADA
MARAVILHOSAMENTE ESCULPIDA
MAS OS NÚMEROS ESPREITAM...
ESTÃO SEMPRE ALI
À SECRETÁRIA
ESPERANDO QUE ELA ESQUEÇA DE CUMPRIR OS PRAZOS
PARA ROUBAR O CANSAÇO
E A PAZ DAS NOITES DE INSÓNIA...
ELA QUER SE LIVRAR DELES
DAQUELE MATRIMÓNIO...
UM CASAMENTO , UMA VIDA
TUDO FORÇOSAMENTE
CUMPRIDO...
PENOSAMENTE CUMPRIDO...
LOGO ELA QUE TEM O REQUINTE
O DOM , A MAGIA DE TRABALHAR
AS PALAVRAS...É O SEU SEGREDO
MAIS ÍNTIMO
O AMOR ÀS LETRAS...
A SUA PAIXÃO DE SEMPRE....

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A fonte...

NO CONTORNO DA TUA BOCA FIZ UM ESTUDO
TACTEI E SENTI O VELUDO DOS LÁBIOS CARNUDOS
SÔFREGA
SÓ ACALMEI A MINHA SEDE
QUANDO TE ROUBEI O PRECIOSO LÍQUIDO
E BEBI TUDO...

sábado, 26 de setembro de 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Às vezes...

ELAS SOLTAM AS AMARRAS QUANDO MENOS ESTOU PREPARADA...
FICAM VISÍVEIS NAS MINHAS MÃOS
E EU DEIXO-AS ESCORREGAR
UMA
A
UMA
QUE TOLICE...
QUE DESPERDÍCIO...
UMA PENA
SEM TINTA
SEM BICO
SEM PAPEL
DO BRANCO MAIS PURO...
SUJO
PELAS MINHAS MÃOS
VAZIAS ...
UM ESPAÇO
ESBURACADO
POR ONDE SE PERDEM
AS MOEDAS
DA INSPIRAÇÃO...

domingo, 13 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não

'

NÃO DESPRENDAS
OS TEUS OLHOS
DOS MEUS

'

NEM PERMITAS
QUE
SE
COLEM
DESEJOSOS
DE
OUTROS
CÉUS...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

TENHO

UMA PENA ESCONDIDA
TOLHIDA
PERTURBADA
CHEIA DE FRIO
QUE TRESPASSA
A GARGANTA SECA COMO A URZE.

domingo, 30 de agosto de 2009

No tempo dos Sonhos

'
NA FALTA DAS MINHAS PALAVRAS
O VAZIO NÃO FICOU MAIS CHEIO
'
NA TUA BOCA FLORIAM AVES
EU NAQUELE TEMPO
CEGUEI...
NÃO VI!
'
OS TEUS PASSOS SUBTIS
PERDERAM-SE EM VÉUS
NUS E VIRGINAIS
'
SÓ DEPOIS LI
NA TINTA QUE ESCORRIA
DOS TEUS OLHOS
DESSES OLHOS QUE NUNCA VI
'
ENLOQUECI-TE
COM MÃOS DE ESPUMA
E LÍNGUAS DE FOGO
'
E TU SOLTASTE AS TECLAS
E O SOM AGUDIZOU-SE
EM ORGASMOS FRENÉTICOS
'
OS CORPOS LONGÍNQUOS
AGITARAM-SE
EM FANTASIAS...QUE EU INVENTAVA
'
AS NOITES FORAM BRANCAS
...VESTIDAS DE LUTO
EM LEITO RÍGIDO E FRIO
'
AGORA
DESTE CAIS ONDE A SAUDADE MORA
REPOUSAM APENAS OS MEUS AIS...
'
PUDESSE EU TOCAR-TE
QUANDO O TEMPO
AINDA ERA PRIMAVERA ALADA

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Quando te vejo

'

ESTE ESPAÇO QUE NOS MEDEIA,
ENROLA,
ESFOLA A VONTADE,
E BLOQUEIA OS SENTIDOS...
'
UMA ARMADILHA SEM OLHOS
ESTAÇÃO SEM ESTAÇÃO
MALA VAZIA
E ALMA DESFEITA
'
HORA SEM TEMPO
RELÓGIO LENTO
É FOGO ATEADO
EM LAVA QUENTE

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O que eu vi não esqueci...

ALAGAM FORMAS ___________________________________________RECTAS

____________AGUDAS

___________________________________________________________OBTUSAS
TOMAM INQUALIFICÁVEIS SOMBRAS DESMEDIDAS
NO OCEANO DOS MEUS OLHOS NAVEGAM OUTRAS MUSAS
I
É PLANO A MENOS
OCTANTE A MAIS
COMPOSIÇÕES ANTIGAS
II
O SOL TOCA-ME ESTRIDENTE
O CALOR CONSOME A GENTE...
O CÉREBRO SEGUE IMPACIENTE
VENCIDO O CANSAÇO...
O ESPANTO QUE SE SENTE
III
LINHA DIREITA
LINHA CURVA
LINHA QUEBRADA
MASTIGADA
POROSA
FINA
ESTREITA
ONDULADA
SEMPRE MUITAS LINHAS ... LINHAS ....LINHAS....
ESPIRALADAS
ENROLADAS
MISTAS
LONGAS
CURTAS
LARGAS
DISPERSAS E CONCENTRADAS
PARALELAS
CONCORRENTES
SATURADAS
ABERTAS
FECHADAS
HORIZONTAIS PROSTRADAS
VERTICAIS ESTICADAS
OBLÍQUAS INCLINADAS
SIMÉTRICAS
ASSIMÉTRICAS
___________________________________
ORA NO TOQUE DA MINHA MÃO
ORA NOS MEUS OLHOS
QUE SE ENLAÇAVAM COM ATENÇÃO
____________________________

sábado, 1 de agosto de 2009

Um dia destes de partida...

Saio da Madeira dia 8 de Agosto e vou andar por Portugal Continental e Espanha,dia 18 paro em Lisboa...quem quiser tomar um café ...já que devo estar por lá até 22 que deixe mensagem até dia 7...além disso eu tenho o endereço de email...fica ao critério de quem pode ...

Adorei a vossa companhia...

UM BRINDE A TODOS OS QUE ENCONTRAM ALGUM PRAZER AQUI!!!

terça-feira, 28 de julho de 2009

O FEITIÇO DA LUA

NESTE CÉU DE AZUL ESCULPIDO
TEUS OLHOS PRATA ABREM UMA PORTA
PARA UM MUNDO TRANSIDO

E QUE MAIS IMPORTA
AGORA QUE TE ENCONTREI
ATÉ AO FIM DO SONHO IREI

MESMO NUM SALTO VERTIGINOSO
SUBMIRJO EM TI ATÉ AO FUNDO
COMO SE FOSSES UM LUGAR VENTUROSO

DEIXO-ME IR NAS TUAS ASAS
E NAS BRASAS DE UM VENTO
QUE NÃO É FEITO APENAS DE UM BREVE MOMENTO

ACREDITO...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Desenlace

ADEUS POESIA
ATÉ OUTRO DIA
ACABOU SENHORA ESPECIAL
É MESMO O ADEUS FINAL...
'
ASSIM, SEM MAIS NEM MENOS...
A TORNEIRA SECOU
A GARGANTA INCHOU
A CIGARRO APAGOU
E O MEU CORAÇÃO
NO
PEITO AMORTALHOU...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Terminus

Não há nada que eu possa dizer

Para escutares meu pensamento

Meu coração esconde sem saber
Um doloroso e triste sentimento

'

Abro as portas do esquecimento

nego recodações amigas

Esforço-me por estrangular o tormento

Do fundo emergem imagens antigas

'

Resto-me gelada e nua no leito

Arrancando a mágoa dura do peito

e numa derradeira certeza

'

sob o signo da ficção ouço teus passos

e assim deixo morrer a sede em teus braços

Noite finda, madrugada acende o sol com subtil leveza

Publicado em 96

domingo, 12 de julho de 2009

UM AMOR

VAGUEAVA BOLIANA COM AQUELES OLHOS CELESTIAIS
UMA TARDE SURGUIU ABRONO SEU POETA
- DONZELA MINHA QUE NAS VOSSAS MÃOS GUARDAIS?
INCRÉDULA ...ESTACOU INDA COM AR PATETA
'
- QUE FAZEIS AQUI NO CEMITÉRIO?
- NÃO PEÇAS POR MINHA ALMA...
DEPOIS PROFERIU COM AR SÉRIO:
-SERÁ MELHOR FICAR CALMA...
'
BOLIANA - DISSE ELE- VEJO AS RÉDEAS NA MÃO
ONDE ESTÁ MEU CAVALINHO?
- PERDOAI SENHOR MEU AMO
ENVENENEI EU PRÓPRIA SEU COPO DE VINHO...
'
- CONFESSAI AGORA VOSSO ACTO MESQUINHO!?
- MINHA PASSAGEM SEGUIU OUTRO DESTINO...
APROXIMOU-SE E APERTOU-LHE O PUNHO
- ABRONO, FOI POR UM AMOR AMORDAÇADO...
'
- CEGO FUI QUE NÃO NADA VI... FALAI -ME AGORA DESSE CANALHA
- NÃO FOI COM UM HOMEM QUE PERIGOS VIVI
- AGORA COM O CÉU POR TESTEMINHA ...NÃO TEMAIS... NÃO O LEVO À FORNALHA
'
-SENHOR ,GENTIL SENHOR, AMADO DE AMIGO FOSTES
SÓ QUE FOI ELA QUE DORMIU NA MINHA CAMA...
-NÃO VOS ENTENDO BOLIANA...
-ABRONO,MEU AMIGO,MEU CORAÇÃO PERDEU-SE POR UMA BELA DAMA.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

UM ADEUS QUE NÃO FOI ADEUS

A VIDA GALOPA PARA DENTRO DOS DIAS
O CÃO SALTA...
O CÃO DANÇA...
O CÃO RI ALEGREMENTE...
O CÃO FALA...
O CÃO BEIJA FLORES
DEPOIS...
O CÃO TREPA O MURO
E RESVALA NO ACIDENTE
V A Z I O
O GRITO QUE NINGUÉM ESCUTOU
A DOR QUE NINGUÉM PRESENCIOU...
E FICA A MÁGOA DE O VER BALANÇAR
NO SEU CORPO BRANCO E OLHOS AO LUAR...
O MENINO TRISTE SENTA-SE A SOLUÇAR!

sábado, 4 de julho de 2009

Skipy

O cão da família morreu hoje, meu pai e eu encontramo-lo pendurado do muro, asfixiado pela
coleira...
Foi uma cena muito deprimente...ele era novito quando veio para casa, há mais de dois anos que partilhava connosco as tardes alegres de Domingo... tinha uma corrida surpreendente...muito veloz...assemelhava-se ao rei da selva... muito brincalhão atirava-se , trepava-nos até à cintura e chegava aos ombros... até eu que tenho a fobia dos animais...deixei-me conquistar por ele...às vezes chegava a comentar que ele devia ser hiperactivo... no entanto demonstrava a sua ternura lambendo-nos as mãos,o rosto ,os cabelos...abraçava-nos pela cintura e depois encaixava carinhosamente o focinho à espera de mimo ...nunca ladrava nem assustava ninguém...
Vamos sentir muitas saudades tuas...coisa que nunca imaginei ...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uma Ilha

Do alto mar erguida
sempre cheia de fulgor
Está pronta para a lida
Amanhece no hino do galo-cantor

Quem nela se deleitar
e para não esquecer
Leva saudades de matar
vai recordá-la até morrer

Assim fico solteirinha
em busca de um sentido
até pareço uma viuvinha

a chorar pelo seu marido!
acautelem-se...Ela rouba-vos os namorados
para de seguida troçar dos corações abandonados...

Publicado em Julho de 96
Hoje dia da Região Autónoma da Madeira

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Outrora

I
Trago nos olhos sonhos vividos
as mãos atadas em poesia
Meu coração lateja envelhecido
cheiro a lânguida maresia
II
Meu amor possível no céu
rosa brava por desfolhar
Minha sina a cigana leu
meu poeta deixa teu coração declamar
III
Pudesse eu entregar-te meu fado
com lábios mudos de espanto
Um amor que foi fogo ateado
lava escorrida num mar deslumbrante...
IV
A mágoa esqueço quando estou contigo
teu jeito acolhe-me com doçura
Se desminto a verdade... não sei que digo
em meus braços sinto-te nua e pura
V
Estendo-te os braços,peco compreensão
minha vida é desvairada ventura
Minha alma delicia-se com feroz emoção
nesse sorriso prenhe de candura
VI
Na curva final beijo-te a boca
minha alma caída vai chorando
Chamo-te aos gritos como uma louca
Seguro-me à vida ...finjo cantando...
Publicado em 98

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A música chora por mim...

Hoje...hoje sinto-me desalentada...
e sou consumida por uma grande mágoa...
A de não ser compreendida!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As minhas e as tuas palavras...

DESPIR,RASGAR,INVADIR E POSSUIR...
ENTRAR BEM DENTRO...
SENTIR O CALOR...SENTIR O DESEJO PULSAR ...
O FOGO ,O ODOR,A ONDA, O CHEIRO A MARESIA...
O RELÂMPAGO QUE CINTILA...
AS VAGAS FRAGOSAS...A FÚRIA...
A PRISÃO DELICIOSA DA CARNE...DEPOIS DA "TEMPESTADE"
NAVEGAR SUAVEMENTE NA MADRUGADA...
BEIJAR DEVAGARINHO O RESTO DA LUZ...
E FICAR ASSIM ENLAÇADA,
ANINHADA A UM CORPO DE SONHO...
Deixei este comentário no blogue de um Amigo e apeteceu-me trazê-lo para casa...
Espero que ele não se zangue comigo...

Deixaram-me na caixa de correio

"Abro as pernas e as palavras se contraem
A tua língua se apropria do meu texto,
tua fala sempre bem dita.
Fecho os olhos:
teu poema me penetra,
nossas palavras gemem,
a poesia grita.
Mas eu guardo em segredo minhas frases mais aflitas.
(Pelo menos dessa vez não vou deixar que o meu medo te pareça abandono.
Pelo menos dessa vez não vou supervalorizar
nossa história que é apenas tão bonita.)
Vou deixar que se enfie em mim com os dedos
membro,
língua e malícia.
E o teu corpo,meu tutor
se apropriar do meu sem dono,
num abraço pélvico
escorregadio
num enroscamento
longo
qual novelo de delícias.
Nem importa mais se a nossa música já não toca ,
que nos toque em silêncio essa carícia."
Anónimo (desconheço o autor)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

EM BUSCA DE SONO

CERRO AS PÁLPEBAS
ESQUEÇO A VIDA
DESLIGO O MOTOR
ENCALHO NUM PORTO
E MORRO POR UNS DIAS...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

CAMÕES

O teu sonho...brinca
com as saias de chita...
Descreve poesia
lasciva e sensual
nas curvas dos seios
da Vénus do Amor...
Telefonas aos deuses do olimpo
e pedes protecção
para as naus portuguesas...
Temes o génio descomunal
dos mares
Nadas em águas
aflitas para salvares
dois amores
O Épico e o Lírico
public em 94