sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Estado depressivo

Estas grades de gelo...
pesadas... sombrias
Lá fora caminham homens
vestidos de indiferença!
algemados,tolhidos,
surdos,apáticos

GRITO!!!

Não me ouvem
Não me vêm
Não me respondem

Dentro deles há outros Invernos distantes
caminham todos na mesma direcção...

ACENO-LHES!!!

Não me respondem
talvez não possam

Um muro gigantesco e transparente
separa-os de mim
A minha imagem reflecte-se no espelho do tempo
Não me reconheço
Estou irremediavelmente enferma
O nada tem sabor a nada!
os gestos nus...
uma existência inexistente
Resta uma única esperança...
a Purificação do Bem

Publicado em 94


10 comentários:

Fernanda disse...

Vivemos numa época,...em que o individualismo e a falta de tempo para cultivar os laços sociais,... nos arrastam para estados depressivos e solitários que muitas das vezes nos transformam em pessoas que vivem, como tu bem dizes,..,com, "os gestos nus...
uma existência inexistente"...
É, o preço que pagamos por vivermos numa época onde o que conta é o sucesso imediato, em prejuizo das relações humanas.

Gostei muito deste teu poema

OUTONO disse...

Espero que esse aurir de 94...esteja estatelado no profundo deserto do nunca mais voltar!

Como poema...tem uma força enorme.!

Beijinho

Pedrasnuas disse...

Fernanda ,o que dizes é bem verdade ...por isso subscrevo!!!

Que bom teres gostado

Pedrasnuas disse...

Sim, Outono,esse alucinante 94 ficou sepultado num deserto e espero que não volte mais!!!

É um prazer infindo ver-te cá!

Beijinho

butterfly disse...

Pois escrito em 94 e não obstante a isso,está tão totalmente actualizado á nossa realidade de hoje...cada vez mais se caminha para o ser individualista,onde são deixados para trás os sentimentos e tudo o que não seja material...
beijinhos

Pedrasnuas disse...

Butterfly tens razão! Toda a razão!!!INFELIZMENTE

Beijinhos

Parapeito disse...

"...Resta uma única esperança...
a Purificação do Bem."

Sendo assim...nada está perdido..

***

O2 disse...

A solidão tantas vezes sentida no meio da multidão... a indiferença, a alienada velocidade dos nossos dias, que nos aproxima e nos afasta uns dos outros, que nos oferece e nos tira tanto... inteligentes daqueles que param e olham mais além, e sentem mesmo que sofram, sentem!

Beijo

Pedrasnuas disse...

Pois é Parapeito... quando uma porta se fecha,abre-se uma janela!Nem tudo está perdido...

Pedrasnuas disse...

Tens toda a razão 02...a solidão é cada vez maior apesar de a tecnologia aproximar sempre um pouco mais as pessoas! É um paradoxo!

Beijo