terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Dama de Copas






Tinha acabado de chover e uma névoa espessa apossara-se de tudo. Subtilmente fiquei a vê-la chegar como um presságio, galgar para dentro do quarto e tomar conta de mim. Fechei os olhos e imaginei quatro cavaleiros embrulhados em jactos de água numa corrida infernal. Os ilustres guerreiros da tarde, fortes e bravios. Eu sentia o peso dos cavalos bem dentro da minha cabeça…
Subitamente a campainha da porta acordou-me:
- Sim? – perguntei.
Como não obtive resposta, voltei ao meu mundo de fantasia quando soou novamente:
- Sim? – insisti ligeiramente enervada.
Ouvi finalmente uma voz feminina meio apagada:
- Pode abrir a porta se faz favor?
- Quem é? – questionei curiosa, pois não aguardava visitas naquela tarde.
- Uma vizinha.
Resolvi abrir a porta e de repente dei de caras com uma senhora idosa apoiada numa bengala:
- Bom dia, posso falar consigo? - cumprimentou amistosa.
- É minha vizinha e deseja falar comigo?! -exclamei assombrada.
- Gostaria se não se importa…! Pode ser?
- Não é hábito abrir a porta a estranhos… – comentei entre dentes
- Pois, eu compreendo mas preciso me sentar …que mal lhe poderia causar uma velhota como eu?! - justificou-se ela.
Ainda hesitei, mas como se tratava de alguém aparentando um cansaço visível e toda a fragilidade de quem já viveu muito e agora só precisa de estar em paz com tudo e com todos, arqueei as sobrancelhas e mesmo contrariada permiti a entrada.
Indiquei-lhe o sofá para se sentar. Ela lentamente e com graciosidade acomodou-se, eu sentei-me a seu lado, foi então que a frouxa claridade da tarde, vinda da janela, acendeu-lhe a fisionomia exaurida. Observei melhor as suas rugas, o seu cabelo cor da bruma, o seu ar quebradiço e muito pálido, os seus olhos muito azuis e expressivos, os lábios finos delineados com baton …reparei na estrutura franzina do seu corpo, o vestido da mesma cor dos olhos … apoiava-se com delicadeza na bengala.
- Diga-me, está sozinha? -indaguei com estranheza.
- Porque pergunta isso?
- Com a sua idade não se anda sozinha por aí… não tem ninguém?
- Eu vim sozinha e não estou caduca. – atalhou sorrindo e o rosto desbotado ganhou novo fulgor. – Mas deixe-me dizer-lhe que nos dias que correm não se respeita nada nem ninguém!
- Olhe, eu absorvi os valores que os livros e as pessoas mais velhas me transmitiram.
-É bonito ouvir falar assim porque nós, os velhos, temos igualmente desejos, são outros... a velhice está cheia de compensações para quem dela sabe tirar proveito, se previamente não se tiver chegado ao estado de decrepitude…Hoje os velhos estão mais abandonados e entregues a si mesmos quer em casa ou nos lares, tal como as crianças. E quando ainda vivem com o cônjuge só querem discutir e desrespeitam-se na frente dos filhos, enfim, uma vergonha. Assim não aproveitam o tempo que lhes sobra para reviverem a Primavera de outrora. Nego-me a ser uma vencida da vida e queira Deus que eu morra feliz…nós agradecemos a colaboração e o apoio de todos os membros da família para caminhar até à meta, com toda a dignidade possível …e nem falo dos amigos, dos vizinhos, dos conhecidos, contudo, devíamos poder contar com todos os que nos são mais próximos… – Observou calmamente.
- A mim ensinaram-me a respeitar as pessoas independentemente da idade ou de qualquer outro factor. – Esclareci o meu ponto de vista – mas diga-me a que devo a sua visita? – rematei subitamente.
- É verdade… o motivo que me trouxe aqui foi o seu livro.-principiou ela encarando-me com seriedade.
- O meu livro? – pronunciei em voz alta.
- Sim o seu livro …- começou num tom calmo e pensativo – isso mesmo que ouviu…- continuou firme.
- Leu o meu livro?! – sobressaltei.
- Li sim e preciso da sua colaboração! – pediu enfrentando-me com os seus olhos bucólicos.
- Não estou a perceber como. Explique-se.
- Como é que lhe explico? – Pareceu-me introspectiva
- Não gostou, é isso? - atropelei as palavras – Não se preocupe, não tem forçosamente de gostar!
- Calma, a questão não é essa, diga-me, porque é que foi escrever acerca da existência dos reis?
- Hum?! - emiti um grunhido.
- Sim Tery, porque tinha de contar uma história relacionada com aqueles reis?
- Ora essa! – bradei estupefacta – foi uma ideia como qualquer outra! São personagens para um argumento, mais nada.
- O seu livro é muito mais que isso e você sabe-o.
- Bem, vamos por partes, afinal o que tem contra o meu livro?!
- O seu livro narra acontecimentos secretos. Fala de coisas que ninguém devia ter acesso porque são informações confidenciais.
- Como assim? - interroguei ansiosa.
A idosa virou-se para mim com um sorriso triunfante a colorir as rugas da face.
- O seu livro narra a história dos quatro reis: o de Paus, Espadas, Copas e Ouros, os Ás exactamente no papel de vices, os amigos íntimos dos reis são realmente os condes com algumas paixões proibidas pelas Damas. Que pretendeu mostrar? Ainda acredita que existem sociedades perfeitas. Podia optar por outra forma de o fazer, também falou que a Dama de Paus, de Espadas e de Ouros são amantes dos seus reis e estes não permitem que os melhores amigos venham a usurpar o que lhes foi conferido por direito real. Falou das guerras e das consequências, as intrigas e as conspirações, assim quebra toda a confiança que depositamos em si. Não existem lugares ideais, bem que procuramos esse tal sítio paradisíaco e infelizmente perdemo-nos nessa busca incessante…
- Isso não é literalmente assim!
- Provoca-me! Considero-me uma mulher moderna, por isso já estou ultrapassada, agora, ouço rumores que se vive o Pós-modernismo , chame-lhe o que quiser, os homens necessitam de referencias para se situarem no tempo, talvez assim não se percam…
Voltando ao assunto; alguns reis exerceram tirania; mandaram matar, assassinaram, traíram, oprimiram, praticaram genocídio, dedicaram-se ao ócio ou à vida mundana. Uma monarquia em tudo idêntica às do cimo do planeta; o rei de Espadas é Megalómano, o rei de Ouros é Tirano, o rei de Paus é Acomodado e o rei de Copas é Sensível…
- Sim, entendo que leu o livro, que mais quer de mim? …-desatei repentinamente.
- Desvendou todos os mistérios que sucederam num lugar inacessível aos humanos?! – subitamente pôs um ar preocupado.
- E quem vai acreditar que é real?! bebi inspiração num mundo de fantasia - concluí com um sorriso.
- Que mundo foi esse?
- O da minha imaginação! – respondi ironicamente.
- Refiro-me a acontecimentos específicos que tiveram lugar lá no Centro da Terra que são exactamente os que descreveu no seu livro.
- Minha senhora, por favor, peço desculpa mas honestamente não consigo entendê-la…
- Será que preciso ser mais explícita, os seus reis e toda a comitiva habitam o Centro da Terra, eles são todos personagens verdadeiros com histórias reais.
- Desculpe perguntar mas qual é o seu nome?
- Quer apresentações agora?!
- Não sei …tartamudeei.
- Para que lhe vou revelar o meu nome, você há-de se lembrar, parece que está amnésica.
- Está a confundir-me com outra pessoa …
- Porque diz isso?
- Só pretendo ajudá-la! -Respondi - Não estará sob o efeito de alguma medicação?
- Eu sabia que a sua conversa era tendenciosa, você quer chegar à brilhante conclusão que eu sou uma velha decrépita, agitada como as pessoas da minha idade e por isso faço confusões e não vale a pena dar crédito às minhas palavras.
- Minha senhora o meu livro é pura fantasia, mais nada.
- É muito mais que isso, repito. Então nega que uma equipa de cientistas e pesquisadores conceituados levaram a cabo uma experiência iniciada no milénio passado, deram vida a uma comunidade nova, onde ao principais autores são os reis, os ás, as damas, os condes …e os números que defendem o reino com armas tal como os soldados de outrora de agora e de sempre. Porém, acontece que a Dama de Copas desapareceu e ninguém imagina para onde fugiu ou partiu, é pouco provável que tenha sido raptada…e realmente o seu livro fala de toda a gente e nunca, em momento algum faz referência ou menciona o que quer que seja a respeito da Dama de Copas.
- Peço desculpa, agora vou convidá – la a sair , entrou aqui com o pretexto de que era minha vizinha, e, não estou com disposição para ouvir essa história absurda .O mais incrível é que nada me obriga a escutá-la , lá por ser de idade avançada não lhe dá todos os direitos.
- Tery, não me queira mal, não vou insistir mais, já saio, também não vale a pena perder tempo consigo…e não quero incomodá-la, mas antes gostaria de lhe fazer uma proposta…
- Uma proposta?! -disparei indignada.
- Sim – afirmou com convicção e tomou as minhas mãos nas suas -não se enerve, quando chegar à minha idade vai perceber a importância do que deixou para trás.
- Mas eu valorizo ao máximo aquilo que me é possível, por isso as suas palavras estão fora de contexto.
- Será que estão? - criticou de forma terna.
- Eu sei que estão mas fale-me então dessa proposta!
- Gostaria de lhe pedir para escrever o segundo volume do livro. Encontre a Dama de Copas.
- E porque haveria eu de atender ao seu pedido?!
- Considere o pedido de uma velha caprichosa e culta.
- Qual é o seu interesse pela Dama de Copas?
- Não lhe posso responder – proferiu nostálgica.
- Ah! continua misteriosa!
- Um dia hei-de quem sabe… já que se recusa a ver o óbvio.
- Isso quer dizer que vou tornar a vê-la?!
- E tem alguma razão para me ver pelas costas. Causei-lhe algum mal?
- É muito confusa e problemática, com um estilo de conversa que francamente não me agrada. Lamento mas estou a ser verdadeira consigo!
- Pronto, não vou aborrecê-la mais com as minhas conversas tontas
Ergueu-se devagar enquanto eu a observava.
– Mas prometa que vai pensar no assunto.
- Se quiser que falte à verdade, está bem, faço isso!
- Eu sei que vai pensar, não acredito que tenha sido capaz de apagar tudo.
Encaminhei-a à porta, fi-la sair e respirei de alívio.
A visita inesperada deixara-me bastante perturbada, por isso resolvi sair e passear pela praia, descalcei os pés e caminhei durante muito tempo, apreciei o frio crepuscular, o nevoeiro tinha – se desviado. O vento soprava forte, sacudia-me toda como se eu fosse um embrulho e pudesse ser arremessada a qualquer momento pelos ares. Enquanto contemplava o mar na linha de horizonte, surgiu o rosto da velha senhora, as suas palavras atravessavam a minha cabeça e algo em mim dizia que eu não devia ceder ao que não me agradava. Não me apetecia nada continuar a escrever naquele momento, ainda tentei encontrar alguma inspiração nos dias subsequentes, no entanto, não me sentia disponível.
Passaram dias e meses, a contagem voraz do tempo, sempre imparável, quebrada por algumas entrevistas e fotografias a jornais e revistas. Não me sentia minimamente interessada em responder a convites oportunistas de última hora. Resolvi colocar um ponto final na história da Dama de Copas, esquecê-la definitivamente.

Quase um ano depois, uma manhã de Primavera caminhava na rua, uma rua com poucos transeuntes, coberta de sol tépido, tinha parado para ver a actuação de um grupo de músicos peruanos, quando subitamente alguém me tocou nas costas, voltei-me:
-Boa tarde, como está? - saudou com um sorriso franco. – Não se lembra de mim?
Hesitei, em seguida articulei:
- Ah, já sei quem é, que deseja?
-Tem tempo para um café? - convidou delicadamente.
Por acaso podia ter recusado, todavia, estava interessada em saber que ela tinha para me contar ao fim de todo aquele tempo.
- Está bem, vamo-nos sentar mesmo nesta esplanada aqui – e apontei com o dedo indicador, o lugar vago, mesmo à nossa frente debruçado para a marina coalhada de barcos de recreio, com o mar empapado de reflexos moles.
Sentamo-nos ambas e pedimos um chá para tomar enquanto ela dava início à sua prosa.
- Então, seguiu o meu conselho?
- Não minha senhora, nem estou minimamente interessada em nenhuma Dama de Copas. O meu livro já foi escrito e para além daquilo não tenho nenhuma motivação.
- Está zangada, porquê?
- Eu, zangada? Gosto de fazer aquilo que me apetece e não por imposição.
- Que está dizendo? Eu não a forcei a nada, apenas sugeri, tem o livre arbítrio para decidir o que quer fazer. Então desistiu definitivamente da ideia?
- Sim, contudo, ainda não me esclareceu qual é o seu interesse por essa Dama?
- Era uma pessoa muito importante para mim, era especial …
- Em que sentido?
- Não vale a pena comentar consigo sobre o assunto, penso que não vai entender…
- Quem sabe … e até encontre inspiração para escrever o seu livro?!
- Não acredito nas suas palavras, nem vou partilhar consigo pormenores da minha vida.
- Porque não me conta a sua história, talvez me dê ideias para o livro que me propôs!
- Para quê? esqueça tudo e diga-me, gosta mesmo de viver aqui?
- Gosto muito.
- A sua frieza e cinismo afastam-me literalmente, penso que nada a demove …o seu desinteresse pelo centro da Terra choca-me. Só me resta voltar ao meu mundo que fica muito distante deste. Mesmo com as suas imperfeições sei que lhe pertenço, criei lá as minhas raízes, às vezes é muito difícil compreender certas atitudes.
- Refere-se a mim?
- E a quem mais poderia ser?
Fiquei calada e perante o meu silêncio, ergueu-se sonâmbula e apoiada na bengala caminhou direita até ao fundo da avenida, fiquei a vê-la enquanto desaparecia vagarosamente.
Nem chegamos a beber o chá, reparei na nota que deixara em cima da mesa e percebi que ela havia pago os dois chás. Tomei o líquido num gole, levantei-me e fui embora desfrutando da manhã sorridente que me esperava de braços estendidos.
Os dias que se seguiram foram relaxantes; ouvir música, pintar, caminhar pelas manhãs fora, a redacção do jornal. Entretanto comecei a ler vários livros em simultâneo.
Oito dias depois estava em casa quando a campainha tocou, interrompi o meu trabalho e fui atender; era uma voz masculina:
- Abra, é o carteiro!
Abri -a e apanhei um susto quando me deparei com um homem alto, trajando branco, fiz um gesto rápido para voltar a fechar mas ele rapidamente impediu e olhou-me fulminante, depois atirou a porta atrás de si fechando-a com um ruído estrondoso e disse num tom encolerizado:
- Reconheceu-me e queria me deixar do lado de fora, que hospitaleira?! …nem pense ignorar-me como fez com a Grande Rainha.
Fiquei sem saber o que responder, paralisei de todo, em seguida ele agarrou-me pelos ombros e com as ambas as mãos quase me arrastou até meio da sala.
- Porquê? Posso saber porquê? - A raiva dominava-o por completo. – Qual o sentido desta encenação! - Ele apertava-me os braços com força.
- Está a machucar-me, solte-me por favor! – supliquei num gemido.
Ele soltou-me empurrando-me para cima do sofá, foi colocar-se junto à janela e desfilou entre dentes:
- Para que foi todo este silêncio? Nem uma explicação, nada de nada?! Imagina o que eu sofri?
- E porque razão eu devia dar-lhe qualquer satisfação se estava preso àquela mulher …
- Sabia muito bem que eu não tinha outra alternativa, estava de mãos atadas. Ela podia me denunciar ao Às de copas e o Rei mandava-me prender e se o Rei de Copas sonhasse que eu me perdia nos lençóis da sua predilecta …não sei. Ele era conhecido por ser magnânimo, porem eu era seu amigo e confidente, estava ciente dos sentimentos dele por si. Teria sido uma grande traição. Isto quando se trata de mulheres…o lado racional deixa de funcionar.
- De qualquer forma tinha o seu coração preso a outra … era um homem comprometido e eu jamais seria a amante, não sou mulher para ficar em segundo plano, nem aceitar as migalhas que me atiram, quero ser a única, a primeira.
- Exige muito dos outros! Assim vai acabar sozinha.Estava convencido que seria capaz de me dar uma oportunidade, precisava de tempo para organizar a minha vida, programar a minha cabeça …me separar e depois ficar consigo.
- Não me dava garantias de coisa alguma, que podia eu esperar? Como se não bastasse queria um tempo infinito, um tempo indeterminado e isso não se pede a ninguém.
- A minha vida estava um caos, eu andava perdido mas sabia o que sentia por si!
- Não sentia nada! – contrariei-o irritada.
- Julga-me tão friamente, hoje guardo comigo boas memórias daquilo que vivemos. O tempo cura tudo, sofri muito, procurei-a em todo o lado, nas outras, tentei esquecê-la em bebedeiras . Nunca mais me vou apaixonar na vida, deixei de acreditar no amor, se ele existe não é para mim … as minhas carências afogo-as em camas alheias...de casadas e solteiras.
- E onde está o respeito por si próprio?
- Qual respeito, a maioria dos homens faz isto e sem pudores, os homens são promíscuos por natureza, fica-lhes bem!
- Não estou a reconhecê-lo Conde de Copas!?
-Veja agora os estragos que provocou em mim...
- Deixe-se de dramas, se ficou preso não tenho culpa disso, as desilusões fazem parte da vida.
- Não me soube amar!
- Eu soube amá-lo sim e também sofri, ao contrário do que possa imaginar, a diferença é que eu não alimentei fantasias, fiz o meu luto e continuei o meu caminho.
- Veio se esconder aqui?!
- Esconder?! Não preciso disso!
- Se fugiu do Centro da Terra...
-Eu não fugi! Pense o que entender, não pretendia continuar lá, não me adaptava, não podia contar a ninguém que ia partir. O Conselho não teria permitido, seria julgada e presa, enviada Deus sabe para onde?!
- O meu amor por si não foi suficiente para retê-la!
- O seu amor por mim? Um amor sem coragem!
- Nunca acreditou, pois não?
- Esqueçamos o assunto!
- Eu procurei ajuda e fiz algumas confidencias ao número Sete de Copas, passei pelo inferno, mas isso já não importa, faz parte do passado. Na altura soube que afinal não era o único a sofrer por si, a Grande Rainha também se debatia com uma profunda depressão. Não fazia ideia que a senhora nutria por si um sentimento tão nobre. Não consigo compreender porque a ignorou. Afinal a Grande Rainha veio ao seu encontro, foi um gesto tão importante e simpático.
- Nós ignoramo-nos uma à outra, foi mútuo.
-Veja bem, ela deslocou-se do Centro da Terra para estar consigo, é uma honra para qualquer um… ela fez uma grande viagem por sua causa. Não foi nada bonito da sua parte...
- Não voltemos mais ao assunto, pode ser?
-Afinal que tanto a amedronta?
- De ser prisioneira do Centro da Terra! Aquele lugar não me cativa nada! Não me identifico com aquela gente, não gosto de me sentir atada a nada. Gosto de ser livre, completamente livre para decidir sem condicionalismos. Estou bem aqui, não pretendo voltar, o meu caminho é para a frente.
- Então sigamos direcções opostas, eu precisava vê-la ao fim destes anos para ter algumas certezas, penso que me libertei de si. O meu lugar é lá …
-Vá para onde pertence!
- Pode ter a certeza disso.
- Espere ,preciso de um favor seu!
- Qual?
- Diga à Grande Rainha que me arrependo da forma como a tratei e…- um nó entalou-me as cordas vocais e os olhos humedeceram– esta indiferença , esta frieza servem apenas de escudo para me proteger …
- Proteger de quem?
- Talvez de mim mesma, não sei...A natureza do amor que me une à Grande Rainha é diferente, para mim é uma amiga, ela sabe-o e sempre me respeitou, é sem dúvida uma grande senhora.
- Não sente saudades de nada do que viveu lá?- o rosto do Conde contraiu-se de mágoa e decepção.
A minha voz ficou de novo presa na garganta. Ele magoado e enraivecido, inclinou-se para mim, segurou na minha cabeça, e sôfrego beijou-me nos lábios, um beijo longo e profundo que me soube a frio, depois sem mais delongas dirigiu-se à porta, abriu-a e saiu.

pedrasnuas 28 de Junho de 2006
Rebeca, penso que este conto não corresponde às tuas expectativas,ao que era pedido...mas
Foi o melhor que consegui fazer...
Destina-se ao Néctar da flor





11 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O quê??? Ficou perfeito, ficou emocionante, ficou lindo. Não sabia desse seu dom de ser tão caprichosa com as palavras, menina linda. Suas fotos sempre dizem tanto da sua sensibilidade... você me emocionou com esse texto.

Parabéns, ficou maravilhoso e boa sorte, viu?

Um beijo do tamanho da minha admiração por ti.

Rebeca


-

Tatiana disse...

Olá!
A sua participação na blogagem coletiva do Nectar da Flor ficou muito contagiante!

Impossível desprender os olhos e atenção do enredo dessa história.

Deixo o meu beijo carinhoso

Mari Amorim disse...

adorei sua participação,acho que quando contamos o amor,tudo fica mais leve e mais colorido!
Boas energias
Mari

Fragmentos Betty Martins disse...

.__________olá:)





adorei esta forma de contar!


da diferença_______à originalidade



muitos parabéns:)





...




____________///








beijO____ternO

Sandra disse...

Bela postagem,menina.
Cada um de nós traz a sua história, conto de amor, pelo qual um dia foi vivido ou vivenciado.
Não é fácil retomar alguns desses momentos. Mas temos que ter a coragem e falar desse amor.
Este momento, foi nos proporcionado pelo blog da rebeca, onde cada um tinha a sua liberdade de escolha e publiocar o seu conto.
Fiquei muito feliz em estar participando com o blog uma interação de amigos.
Aqui todos falam do amor, comentam e compartilham.
venha e participe:http://sandrarandrade7.blogspot.com

com muito carinho seras bem recebida, lá.
Sandra

ADiniz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Layara disse...

...um filme...

Perfeito...

as sociedades secretas os desejos secretos...há sempre algo secreto nas horas...

Parabens!

beijo de Luz!

ஜ♥_Karolina_♥ஜ disse...

Olá,
estou visitanndo os blogs que participaram da blogagem coletiva.
Deixo meu abraço e parabéns pela criatividade de cada palavra.
bjus

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga, és uma escritora (já o eras em 2006...).
Este conto é soberbo.
No essencial, por dois aspectos: criatividade (entraste no fantástico com enorme facilidade) e pela narrativa (quando vi o tamanho, assustei-me; comecei a ler, pensando que o poderia fazer em diagonal, mas não consegui... prendeste-me da primeira à última linha, pela qualidade da narrativa e pela "gestão" do enredo...).
Parabéns. Dou-te "licença" para publicares... eheheh... contos, romances, o que quiseres...
Beijos.

AnaMar (pseudónimo) disse...

Eu que estava de passagem, fiquei fascinada pelo conto, como o contas.
Bj enorme.

Irene Moreira disse...

Que história estou aqui até agora , pois comecei a ler a sua história e não consegui largar enquanto não terminou. Fantástico a formar que contas e levas a história. Está aqui neste momento uma nova fã. Beijos