sábado, 27 de fevereiro de 2010

O último suspiro

FIOS DE PRATA
ARRANCADOS À CRUZ
NA LAMA SE RETRATA
A AGONIA DA LUZ

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A minha gratidão aos Amigos



O SELO VEIO AMAVELMENTE DA BROWN EYES ATRAVÉS DO CORREIO...ELA SIMPATIZA COMIGO E EU NATURALMENTE SIMPATIZO COM ELA. CRUZÁMO-NOS HÁ POUCO TEMPO...E O TEMPO É FUNDAMENTAL PARA FAZER CRESCER LAÇOS DE AMIZADE. TENHO FEITO BONS AMIGOS VIRTUAIS E CONGRATULO-ME COM ISSO.
ESTE SELO DESTINA-SE A TODOS...CADA UM TEM AS SUAS PARTICULARIDADES QUE OS TORNA DIFERENTES E ÚNICOS...

UM DIA UM AMIGO QUESTIONOU-ME O PORQUÊ DE PEDRAS NUAS? TUDO COMEÇOU PELO FASCÍNIO DA PEDRA MOLDADA...É GRANDIOSO QUE DA PEDRA NASÇA "VIDA" E ESSA VIDA SEJA ARTE.

FAÇO UM BRINDE ESPECIAL A TODOS OS AMIGOS QUE AMAVELMENTE ME LÊM E APRECIAM DE ALGUMA FORMA AQUILO QUE VOU CONSEGUINDO ESBOÇAR.

BROWN EYES...OBRIGADA PELA GENTILEZA...VEMO-NOS QUASE TODOS OS DIAS POR CÁ...FREQUENTAMOS ASSIDUAMENTE A "CASA" UMA DA OUTRA...

ASTA SIEMPRE

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Por ti...

As tuas mãos trémulas e frias
repousam carinhosamente nas minhas
aquecidas em lume brando...
na paz destes dias...
Expulsa essa nostalgia
sou de novo tua alvorada
teus olhos nublados enchem-se de maresia
e eu choro de comoção e alegria...
Desmancha a ruga sombria
que no sobrolho fez ninho
meu peito segura teus cansaços
agora sou eu que te dou carinho...
e que amparo teus passos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O fel dos últimos dias

Estou próxima do céu...
Os meus olhos...ai os meus olhos
Não te vejas neles
mas através deles
talvez possas saber de mim...
Sentada na cadeira de balanço
na antiga casa, velha e bela...
por ser de minha mãe
resolvi morar nela...
Lugar do meu aconchego
colo quente, distante...
distante da avó
Hoje só mordo lembranças de pó
A casa antiga ladeada de jardins
nuvens verdes
nuvens azuis...
fustigada pelo vento
no sopro do clarim...
Uma vida cheia de traça
silêncios absurdos
murmúrios e baça...
O sol morno na vidraça
e nós filhos da desgraça
Filhos dos desgostos e desencantos
das alegrias mofas
e dos prantos
O medo...o medo
das horas
das bebedeiras
e dos espantos...
Tive pavores, senti horrores...febre
e a doença que levou meu irmão
A meu pai deu-lhe a corda
para se enforcar nela...
Nesta casa antiga e bela...
aconteceram coisas ...
que não ouso contar seja a quem for...
mas é nela que me vou acabar
O último suspiro hei-de dar...
como seria de supor
O balcão de pedra
onde me ia debruçar
a ver a água límpida passar
As janelas sempre abertas
à espera do frio e do sol...
em Invernos que tudo gela e encolhe
O vento zunia e a minha cabeça aturdia
Toda a noite
o desgarrado gemia...
e eu...de olhos bem abertos
apenas ouvia
e fechar os cílios não podia
E a noite cheia de olhos
faróis acesos para mim
astros escuros, temíveis
sem fim...
Eu via o tédio
sobretudo o tédio dos gestos repetidos
sempre iguais...
aos do dia anterior
e aos que haviam de vir...
Vi o ódio a borbulhar
a tortura arruinar
o rancor se fazer notar
Ai que vida mal fadada...
que as dívidas arrastam para a lama
sem deixar rigorosamente nada...
E a falta de honra?
ai... quase todos contaminados...
Meu Deus...
Minha mãe doente e sem ajuda
um lar sem lareira acesa...
e reis em palácios
quanta gente rica!!!
Meu pai um trabalhador...
um escravo sem férias e mal pago
Quanta injustiça
Quanta miséria
Quanta dor
Um homem mal pago
sem nome e gago...
Quanto suor sem proveito
e na casa do patrão taças
a transbordar em gritos de espuma
Ai ...quantas cabeças loucas
no manicómio desta casa...
e nós, sozinhos, por conta da tempestade
Olhos...que me dais a ver?!
as insónias de uma noite de remorsos e culpa
Meus olhos fizeram-se Outonais
misteriosas luzes
mais tristes que as noites
mais fundos que poços
fontes secas de lua cheia
Oh, velas do perdão...
candeias de graça
pelo mar adentro
eu entro descalça...
Não, não é preciso o faroleiro dos navegantes
janelas abertas de um rosto
Já é tarde...para as claridades de Agosto
Luas de estio
Luas brancas, opacas, de veludo
em que o brilho é tudo...
O branco véu de noiva
Quis ter olhos tranquilos
serenos, bonitos...
mas cedo fiquei
sem pai
sem mãe
sem irmãos
sem filhos
Agora...
olhos piedosos a orar Avé Marias
Só as mãos estendidas e frias...
Olhos de Inverno na noite a relampejar
arrepiantes...
à espera de outra noite deixam-se ficar...
Subordinado ao tema da Velhice