quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A noite, testemunha ocular

Foram dias de demora
puxados num ápice
Línguas trocadas
roçadas
Saliva de uivos
salpicadas de ternura...
Noite adentro
corpos orvalhados
paisagem serena
amena
o aconchego do abraço
terno sossego
Uma estrela acende ...
e o desejo roça
acorda
A água mansa
rola nas pedras
num burburinho
inaudível
Solta-se o soluço
e o caudal
transborda
O turbilhão resvala
a pressa da ânsia
arrasta os poros
desprende-se
do leito
e cavalga frenética
A lua gulosa
tão prenha
tão redonda
tão sequiosa
tão fogosa...
O incêndio aviva-se
O quarto é pequeno
a vontade não cabe
naquela cama
É urgente ir mais longe
trepar paredes
cadeiras
mesas
sofas
sem pudor
sem receio
sem medo
de sentir...
Respirar sofregamente
em perfeito movimento
ora louco
ora rouco
arquejante
o momento...
Gemido dorido
Soluço abafado
convulsão
espasmo...
O fluído impaciente
desemboca
na tua boca...

7 comentários:

Ana disse...

Mas por onde é que nós andámos nas férias para nos inspirarmos desta forma tão sensualíssima?
Divino, como sempre.
Bj do rectangulozinho.

Mgomes - Santa Cruz disse...

Ola Menina:Sem palavras, para comentar tão lindo poema e com uma inspiração cheia de sensualismo, que poesia tão devina.
Beijos
Santa Cruz

AC disse...

Pedras,
Poema muito bem conseguido, com a ternura e o desejo a cantarem de mãos dadas...
Gostei muito!

Beijo :)

Ana Oliveira disse...

Quase uma valsa "à mille temps"... e repouso depois do rodopio em chão de lençõis.

Gostei desta descrição desenfreada!

Um beijo

ADiniz disse...

A emoção sentida é dificil de ser traduzida, mas soube bem contar, até lhe sinto falar, bem baixinho,
ao som do cão latindo,rs!
Bjinhos
CARINHOSAMENTE A.D

Brown Eyes disse...

Pedras esta tua parte desconhecia, de poeta sensual. Adorei, é um poema lindíssimo do qual salta o desejo. Beijinhos

Su. disse...

e de repente até se nos falta o folgo, saudades de ti, acho que por isso raramente te venho ler, depois vicio!

:)

Beijo sereno