quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bicadas da minha pena V









Revi o filme Brokeback Mountain e confesso que continuo a gostar

“ Um dos mais belos filmes de sempre” – José Miguel Gaspar JORNAL NOTÍCIAS

De Ang Lee – Vencedor do Óscar para Melhor Realizador – chega-nos uma épica história de amor baseada num conto da vencedora de um Prémio Pulitzer Annie Proulx – O segredo de Brokeback Mountain. Wyoming, 1963. Ennis Del Mar e Jack Twist conhecem-se quando procuram emprego no rancho de Joe Aguire. Ambos parecem ter certezas quanto ao que querem da vida – um emprego estável, um casamento feliz e uma família constituída. Quando são destacados para trabalharem na remota região de Brokeback Mountain, os dois jovens sentem-se unidos por uma força maior que resulta numa relação de camaradagem e intimidade profunda. Grande vencedor do leão de Ouro no último Festival de Veneza, O segredo de Brokeback Mountain é um espantoso filme sobre o poder do amor que tem como pano de fundo as deslumbrantes paisagens de Wyoming e do Texas. Unanimemente considerado o filme do ano, acabou por ser consagrado com 3 Óscares da Academia e 4 Globos de Ouro.


O tema da homossexualidade já foi amplamente debatido pelos meios de comunicação social e até “explorado” nas séries, filmes e novelas. Já se apela a uma maior tolerância para com os Gays e Lésbicas.

A verdade deve ser dita, a Sociedade e a família preconceituosas condenam, criticam, não respeitam, não aceitam, rejeitam, riem-se, humilham, discriminam, não toleram, e geram na minoria castrações, medo, vulnerabilidade, insegurança e vergonha...

Recalcar a atracção, recalcar o amor é dramático, é frustrante. Alguns escondem a sua tendência sexual porque a sociedade dá-lhes as costas, fecha-lhes a porta. Esta inclinação não deve ser reprimida, pois pode ter consequências mais drásticas, especialmente se a pessoa em questão chegar a ser pai ou mãe de família. Mais tarde ou mais cedo, a infelicidade fala mais alto e, como não pode deixar de ser, abandona-se a casa. Este tipo de situações não é tão raro como parece. E casamentos destes não devem ser louvados nem incentivados, mas antes desmotivados, já que não passam de armadilhas e fazem sofrer uma família inteira.

Ninguém tem o direito de intrometer-se na esfera privada de cada um. Trata-se de uma escolha livre, são os homossexuais que correm verdadeiros riscos e não os heterossexuais, como já foi dito. Os homossexuais são que são banidos pela sociedade e a respectiva família.

O que me indigna é o papel da Igreja; moralista como sempre, fica incomodada, indisposta, uma vez que estes comportamentos arranham e provocam um vulcão social. A Igreja aconselha e faz propaganda das uniões perfeitas entre homem-mulher, numa jura de amor eterno... pura hipocrisia. Em relação aos gays e lésbicas defende a simples tolerância com a condição de estes se absterem da vida sexual. Ora, esta exigência é simplesmente absurda e sem qualquer fundamento. Atenção, estão a mexer com sentimentos e a felicidade das pessoas! Onde está a atitude cristã da Igreja: a grande mensageira do Amor, da Paz e da Tolerância? Onde está a compreensão? Onde está a mão estendida?

Algumas destas pessoas nem desejam abandonar a Igreja a que pertencem, contudo, são rejeitadas e forçadas a abandoná-la. Longe de Deus, são invadidas por sentimentos de culpa e paulatinamente as respectivas vidas transformadas num inferno. Outras vezes, o desespero pode ser tão forte que culmina no suicídio.

Viver com alguém do mesmo sexo não é pecado. Todos os seres à face da Terra carecem de união seja de que tipo for.

O Amor não tem raça, credos, sexos, distâncias, nem qualquer outro impedimento. Todos têm direito à felicidade, desde que não ofendam nem prejudiquem ninguém.

Afinal, a homossexualidade remonta aos tempos mais antigos! Continuou e há-de continuar. Ao longo da história, estes homens e mulheres têm deixado, de alguma maneira, a sua marca indelével. Demonstraram as suas aptidões, as suas capacidades, o seu potencial, o seu talento, o seu virtuosismo, a sua sensibilidade e brilharam nas várias áreas do saber: música, dança, artes plásticas, teatro, canto, etc.

Ainda bem que estes comportamentos já se encontram fora da lista dos doentes mentais, o que francamente era ridículo. A homossexualidade deve ser encarada como uma variação da orientação sexual, só isso. Nem vou focar as várias causas que os psicólogos apontam como probabilidades para estas opções diferenciadas. Espero que já ninguém pense que o vírus da Sida é da exclusiva responsabilidade dos homossexuais.


Vou transcrever algumas palavras do livro “Odeio-me e Quero Morrer “de Kurt Cobain dos Nirvana; façam agora o vosso juízo de valor:

“No curso de Arte dos complementos fiz amizade com um rapaz que se chama Myer Loftin; ele, tal como eu gostava do rock duro, e também de Punk. Myer era inequivocamente gay, por isso toda a gente, vendo-nos juntos, murmurava que eu também o fosse. O facto é que eu estava-me completamente nas tintas para os malditos carneiros de Aberdeen e a sua mesquinhice. Myer era um tipo maravilhoso e fascinava-me exactamente pela sua diferença em relação à banalidade que nos circundava, ele tinha sempre um ponto de vista original completamente diferente do da massa de jovens bem pensantes de Aberdeen. Myer não era um frango de aviário: tinha um cérebro próprio, uma personalidade própria, uma originalidade toda sua e eu gostava dele exactamente por isso (...) Intimamente sinto-me gay e tê-lo-ia sido se não tivesse encontrado a Courtney. Digamos que sou fundamentalmente bissexual e, se não tivesse encontrado a Courtney, teria vivido ambos os aspectos desta minha identidade sexual (...) Nunca me poderia tornar num “macho médio” o clássico tipo do “macho – play-boy” (...) Mas em mim sempre predominou a sensibilidade, ou seja o “lado feminino”do ser humano e, se tivesse tido a possibilidade de escolher, de certeza que teria escolhido nascer mulher.”
































12 comentários:

Brown Eyes disse...

Pedras o problema estar em não conseguirmos pormo-nos no lugar do outro, assim talvez soubéssemos o quanto as nossas atitudes nos magoavam. Não é difícil fazer esse exercício e veremos como mudamos a nossa maneira de agir. Excelente Pedras. Beijinhos

Ana disse...

A diferença é sempre difícil de ser aceite, minha querida Pedras.
Mas mais difícil é ter coragem e lutar pelo direito de se ser diferente.
Bjs

José Sousa disse...

Querida Pedranuas! No fim de seu escrito "Mas em mim sempre predominou a sensibilidade, ou seja o “lado feminino”do ser humano e, se tivesse tido a possibilidade de escolher, de certeza que teria escolhido nascer mulher.”

Compreendo plenamente esta parte, pois se nós os homens sentimo-nos atrídos pelas mulheres, e se nos sentimos fascinados por elas, e temos muita admiração por elas, é evidente que antes escolheriamos ser mulher no caso de poder-mos escolher. Mas este caso é porque ser-se "etro-sexula é que é ser normal.

Fica bem e passa lá no meu
www.queriaserselvagem.blogspot.com
Vai lá e lê o que escrevi sobre o Carlos Castro. Depois, lá no fim tem um Link, carrega nele e deixa o teu comentário.

Bom fim de semana

Vida de uma ex Drogada disse...

Oi Pedras,

Adoro esse filme, a primeira vez que o assisti estava junto com um primo, o tipo machão, mas o filme é tão belo a história de amor é tão comovente que ele me disse, gostei, gostei muito..rs
Eu amei!!
Não tenho esses preconceitos. Pela vida que vivi, não os possuo, nenhum deles.
Beijos

Manuela Freitas disse...

Olá Pedras Iluminadas,
Esse também foi um dos filmes marcantes para mim, é uma pedra no charco! Há filmes que de tal modo considero perfeitos em todos os seus aspectos, que tenho que os comprar, porque gosto de vez enquanto de os revisitar.
Relativamente ao que dizes, concordo inteiramente com os teus pontos de vista, mas as mentalidades...e essa forma adoptada pela maioria de não olhar para dentro de si e estar sempre a imiscuir-se na vida dos outros!
Enfim muito haveria a dizer...Parece que foi Marco Aurélio que disse: «Vive e deixa viver...», isto passou por mim há uns anos e nunca me esqueci, é um lema!
Beijinhos
Manu

Fê-blue bird disse...

Minha amiga:
Também adorei o filme, comoveu-me imenso e mexeu muito comigo na altura.
Sempre me achei com uma mentalidade aberta e sem preconceitos, no entanto tive uma reacção de rejeição quando soube que uma amiga era homossexual. Até hoje vivo com esse peso na consciência.

Beijinhos

Fernanda disse...

"O Amor não tem raça, credos, sexos, distâncias, nem qualquer outro impedimento. Todos têm direito à felicidade, desde que não ofendam nem prejudiquem ninguém"

O Amor é transversal e intrinseco em todos os seres...
Não há,divisões,nem compartimentos
onde se possa pôr as pessoas ou este ou aquele...

Os seres, são iguais em todos os aspectos...

Há, os bons e os maus, os feios e os bonitos, os gordos e os magros, os altos e os baixos, os loiros e os morenos, os ricos e os pobres, os ateus e os crentes, nós e os outros...e, há os homo e os heteresexuais...

Onde é que está a diferença???!!!

A diferença está, apenas, na estúpidez.

Beijinho

Virgínia do Carmo disse...

Falta perceber essa dimensão profunda e imaterial do amor, como de certa forma dizes...
... Falta alma à humanidade...

Beijinhos e bem hajas por esta chamada de atenção

Nilson Barcelli disse...

A homossexualidade ainda é tabu na sociedade.
O filme é muito bom mesmo.
Querida amiga, desejo-te uma boa semana.
Beijos.

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Gostei do filme

JPD disse...

Também gostei do filme.

recentemente li um livro de Michael Cunningham
«AO CAIR DA NOITE»

Admirável.
Trata com mestria as questões à volta da (Re)orientação sexual e da homossexualidade latente.

Não percas a leitura.

Bjs

AnaMar (pseudónimo) disse...

As diferenças são apenas isso. Diferenças. O amor é universal e sempre diferente. E acho que se dá bem com as diferenças. Já tive mais perconceitos (dalguns nem me apercebia) mas o convívio com essas pessoas que escolhem o amor pela espécie e não pelo género, deixou-me aberta a aceitar como natural, o que antes eu não entendia bem. O amor é assim, abre as nossas mentes e há tantos amores quantas as formas de amar. E é infinito,
O filme? Uma ternura:-))