sábado, 14 de maio de 2011

Só no olhar dos cegos

Só no olhar dos cegos
No subtil olhar trémulo
Há em mim réstia de sol…
um bosque de alfazema
Um agitar de asas…
No subtil olhar dos cegos
Tornei-me heróica nem nenhuma heroicidade
 Para todos os outros sou
Pobre
Sem castelos
Sem tesouros
nem louros
Sem talento
Sem nada…
Falta-me o dinheiro
maldita carência …maldito castigo
a mão vazia…
projecto sem abrigo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Deixa...


Deixa meus dedos
opalinos
descerem teu corpo
numa melopeia
de vento quente.
Deixa lamber tua pele sedosa
em sussurros …
em murmúrios…
na descoberta do fruto proibido.
Deixa minha língua insubmissa
franjar 
o teu medo secreto.
Deixa à mostra
essa maresia
de cabelos ondulados
ornado com conchas verdes
e sóis na tua boca…
Deixa-me ser sal, doce e pimenta…
E sorver todo teu bafo hortelã…