domingo, 25 de setembro de 2011

"E o amor?"


Poema - Autor Desconhecido
Voz/ Fotografias- P.N.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As últimas linhas

Quando a massa de nuvens se fecunda
No terreno chumbo e abstracto do céu
Há medo escondido
triste realidade
a minha…a tua…
não conheço outra
Quando fuzilas
A estreiteza míope
dos meus conhecimentos
desço alguns degraus…
Não suporto
O coro das abelhas assassinas
as mestras da inteligência suprema
Assalta-me uma certa vergonha
Uma tal obscuridade …
São estas e outras amarras
Que me diminuem…
Se tu ao menos pudesses compreender…
Recolho-me todo  no quarto
Um lugar meu…
Aproveito para fingir que durmo…
As sombras ocultas ganham vida…
respiram, mexem, assustam…
fantasmas da minha imaginação…
Sem firmamento
Sem mar
Sem cor
Sem ruas
Sem perspectiva
Sem fundo
Sem varanda
Na qual debruçar
Sem chão
Sem tecto
Apenas alma
Longe …tão longe…
Chegam
De outros tempos
Estalos de cavalgadura
Na calçada estridente…
O sono abafa, amortiza
Os silvos agonizantes
Vozes de gente?
Quem sabe…talvez
Tudo promessas incumpridas ?
Desculpas vãs ?
Mentirinhas inofensivas?
“Mas excelência há-de convir
que lamentavelmente não é possível…”
“Mas excelência há-de convir que a mim
essa alternativa não me apraz…”
“Mas excelência, honrosa excelência
O cavalo adoeceu…
e o senhor meu marido …exasperado
perdeu o juízo
pois foi logo pensar no prejuízo…
assim sendo, a situação agravou
e a minha vida complicou…
“Mas excelência…honestamente…
Um destes dias…se vossa excelência
achar oportuno…podemos conversar.
Para que desta forma eu também tenha
a oportunidade de me esclarecer…
apesar de saber que o meu comportamento
foi inqualificável …
no entanto, não dramatize…
se bem que…verdadeiramente o senhor mete nojo!
Mete nojo aos cães! Partia-lhe a cara!
Não leve a mal a minha leviandade
franqueza
frontalidade
Sou serva de fino trato
De qualquer forma se me permite
Enchia-o de porrada
Já sei que sou louca
Uma louca apetecível, aprazível
Com quem vossa excelência delirou na cama
Não torno a repetir; tenha cuidado comigo.”
Os ponteiros do relógio estacionam…
Não pára de chover…aguardo febril…preciso fugir
Não!
não sou atado, nem doido, nem mal intencionado
nem tão pouco corcunda ou desleixado…
Sou apenas um homem atormentado
Existe em mim uma inquietação
Busco …descanso…paz … recolhimento…
O sol retorna precisamente às quinze horas e cinco minutos
desta tarde bruscamente acinzentada
Dia dois do mês Setembro, ano da minha desgraça
Porque me fazes semelhante aparição?!
Acusações baseadas em conjecturas
gente que nem me conhece!
gente que não me diz respeito!
gente que se julga maior
que um qualquer dos mortais…
Tu não descansaste
Enquanto não retiraste o último brilho aos meus olhos
Vergaste-me os ombros ao peso da tua maldição
Tornaste-me frágil, objecto franzino…
que se quebra num estalo
Das pálpebras tomba
desencanto
fadiga
a tua falta de compaixão
a minha falta de talento…
Agora, agora resta-me o quê?
se possível das cinzas
Renascer …renascer por inteiro.
Pedras nuas