sábado, 9 de novembro de 2013

Passa o som e deixa um espaço...


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A distância percorrida é leve, fina espessura,
Resistente, persistente
Nesta suspensão algo demorada
O borrão afogueado e rubro
Invade a toalha alva.
Embebeda-se…
encharca-se de pureza.
O vazio estende-se, pendura-se no estendal
da roupa e redemoinha  nas guitas
quase enforcado no gesto colérico, brusco…desmedido
e o sangue espicha, guincha  na tranqueta, solta-se e
espeta-se na camisa … a denúncia !
Um sopro, ar sorvido  e expelido com abundância …a caravela
periclitante foge primeiro de mansinho…depois  corre doida mar acima, mar abaixo…
apanhada no susto sem tamanho…
o horizonte desalinha-se, inquieta-se
da tinta que se desencontrou do suporte…
forma meandros sinuosos
longos…estradas apertadas
nostalgias largas
e no momento da derrapagem  o sono trai o controlo
a caneta falha
e rola desesperada  para fora das orlas
tudo perdido…ou quase…
vislumbra-se na distancia o lenço branco
a vela rasgada e sem esperança …
e a  mão mecânica persegue
insistente o sofrido algemado
nas veredas do que mói e até dói
no fundo do poço a aliança
para sempre restabelecer
a digna confiança…
PN
9/11/13