segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Há fumo pelas serras fora…

Há fumo pelas serras fora…
o vapor tropeça nas vertentes húmidas
cortinas corridas, janelas esvoaçantes …
cabeças sem juízo 
das casas encolhidas com frio 
escondidas no sopé dos montes …
abrigadas dos ventos fustigantes
Numa síncope desfalecida, o céu tomba
mais cadavérico que nunca…
e vai habitar os troncos decepados
As bruxas soltam-se em tarde sombria
mas estão velhas, cansadas e doentes
e o feitiço já não vinga…
procuram asilo em lareiras frias
onde deus voltou as costas e se foi embora…
Uma penumbrazinha descuidada mete o pé no charco
e fica a cogitar contrariada
foi sujar-se mesmo antes de adormecer …
agora vai ter de se deitar em lençóis frescos…
a cheirar a terra vilã e a erva desgraçada
Que passo desconcertado…
os queixos apertam, rangem de martírio
as sílabas inacabadas tremem periclitantes
O farol engoliu a bofetada e desapareceu mar adentro
um estouro de onda, pobre desnorteada
deu-lhe o rumo certo…
para além, fora do manicómio das cabeças desunidas
para longe, onde não se respira o pó que morde
o lugar das pedras lúcidas e curadas…
PN