sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Poema sem título


(Imagem raptada da Net acerca da vida das Ninfas)

Puseram-se em fuga
seres vagantes
fugidios errantes,
as vestes ?
velas pandas
sopradas na pressa da corrida
Foi na moita
ali…
que sem morosidade se despiram
impacientes ,
forma estouvada
Ósculos repenicados
na pontinha dos lábios;
depois mais longos, mais apertados
esmagados, frios, gélidos
risinhos à socapa …
No instante seguinte;
olhos nos olhos
semblante grave
é a linfa que arrebita
Bocas cobiçosas
ranhuras de mel
ou de par em par
sorvidas uma  na  outra
Línguas roçadas
bêbadas em festa
Dentes alvos e puros
Monumentos megalíticos;
Construção  dura, saliente
mais a   polpa, dentina e esmalte
Ciosos de cerimónias afagadas
Banquete assaz apetecido
Mãos quentes
sob as vestes percorrem uma e outra perna
É a falésia  a chamar almas
O peito sobe e desce mais pulsado
Cabelos esgaçados, puxados 
entre ávidos dedos…
Vagidos assomam da cave
do velho tronco centenário;
raízes amadas….
Montanhas assaltadas
mamilos eriçados e furtados
a habilidades mestres e macias, facilmente soldáveis
ao relento
d’uma qualquer tarde abrasiva;
o  pudor é silenciado
o  medo posto de lado
o pecado abre pernas desavergonhado
O ardor febril
Torna o assalto  à medida da vontade
pele roçada , esmagada , beliscada
 Há regatos abertos
filamentos  viscosos  de lava
escorrem morosamente
mel que se desprende do vazadouro
languidamante…
e é a boca que o vai chupar, lamber
o rosto lambuzar…
Há  rosas atrevidas
desprendidas ….
pintam  paisagem lascivas
constroem histórias
verbalizam numa linguagem despudorada
desfiles de fantasias ,
 loucuras a serem perpetuadas
no jardim das delícias.
PN



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mais um poema para si, caro leitor e amigo.



O homem pobre, escavado pela fome
abatido pela mão negra da sorte
estiolado,
a  crepitar de arrefecimento
a  boca sangrando…
Derrubado na berma da estrada
cenho ermo, frio
cinzento e
nos olhos,  o sol esquivado
Pensou alto:
- Não vale a pena continuar!
E eis que nesse instante
passa um jovem forasteiro a cavalo:
-Ouvi-te dizer que não vale a pena continuar?!
-Sim, já nada tenho a perder…
nada me resta…nada!
O forasteiro apoiou as coxas
no selim do animal
 esticou o tronco
espreguiçou-se, observou para lá do horizonte
e propôs:
- Vamos fazer um acordo, dás-me um sentido teu
e em troca cedo-te duas montanhas, concordas?
- Sim, sim, pede o sentido, o acordo fica já selado…
- Calma, reflecte, volto daqui a duas horas
e nessa altura terás decidido.
- Com certeza.
O forasteiro puxou as rédeas do corcel
e afastou-se a trote lento.
O pobre tornou a pensar  alto.
- Que sentido devo dar?
Deixa cá ver….já sei, entrego-lhe a audição, isso mesmo…
Não serve para nada…ou serve?
Nunca mais vou ouvir o meu cão latir…
nem a água do riacho a cantar…
nem o vento a assobiar ….
não me parece boa ideia.
Então, e se for o tacto?
Não serve de nada…ou serve?
Nunca mais sentirei  o pêlo do cão
que é tão fofinho…
nunca mais vou sentir a água nos dedos
nem tocar a terra quente
Ah, não sei se gosto disto…
não me parece boa ideia…não quero
Espera aí… ( coçou a barba um tanto embaraçado)
Só se for a visão… é isso mesmo.
Não serve para nada…ou serve?
À  noite quando o sono não chega
estendo-me  sobre a relva
molhada  e  conto as estrelas …
e agora já não vou poder apreciar
as garinas quando vão lavar roupa na  ribeira
em risadas de dentes alvos como a neve,
lindas de morrer…
nem mirar os seixos do fundo do rio….
nem pescar…com a cana afiada
nem apreciar os verdes, os castanhos
Sempre de noite e sem lua? nem estrelas…
Não!
Total escuridão? Sem a claridade do sol?
Basta, nem pensar!
Assim sendo, restam dois;
Ó paladar para que te quero?
Vais tu embora!
Não serve para nada…ou serve?
E o copinho de vinho tinto?
Que sabe tão bem na boca….
E as broas de mel…
que me dão a provar…
Coisas tão boas, doces e salgadas….
Fresquinhas, tenras, meio rijinhas
Que adoro trincar…
Ainda não vai ser este….
Tenho de me apressar
As duas horas vão mesmo escoar….
Vai ter de ser o cheiro…
Não resta outro… (levantou o chapéu, coçou a cabeça,
soprou contrariado)
mas, mas ,mas….
há odores que fazem festa nas narinas…
quando me chamam para entrar na cozinha…
o cheirinho da comida …hum…..
Ai o perfume das flores, das ervas, da terra molhada, seca
Seja  que odor  for….não, não não!
Que venha o forasteiro.
- Aqui estou, tens o sentido para me dar?
- Não, não tenho nada para te dar. Todos me fazem
uma falta danada. Sei que me vou arrepender se o fizer…
 Fim do acordo.  
- Felicito-te pela decisão tomada.
Um homem sensato e inteligente
Não foi por acaso que te dei duas horas,
tempo suficiente para ponderar
- E agora?
- Agora vive e pensa na riqueza que ainda tens! Queres vir comigo?
- Para onde?
- Para longe, para casa.
- Que farei lá?
- Serás meu ajudante nas tarefas caseiras e pagar-te-ei  por isso. Aceitas?
- Aceito! - declarou muito contente
- Então sobe! ( Estendeu a mão ao pobre e ajudou-o a montar o cavalo)



Esboço ilustrativo do texto poético)
PN

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Reveja-se se quiser

"Já não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante, mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza. Perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso. Já não dedico um minuto que seja a quem me mente ou quer manipular. Decidi não conviver mais com pretensiosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos. Já não consigo tolerar eruditismo selectivo e altivez académica. Não compactuo mais com bairrismo ou coscuvilhice. Não suporto conflitos e comparações. Acredito num mundo de opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível. Na Amizade desagrada-me a falta de lealdade e a traição. Não lido nada bem com quem não sabe elogiar ou incentivar. Os exageros aborrecem-me e tenho dificuldade em aceitar quem não gosta de animais. E acima de tudo já não tenho paciência nenhuma para quem não merece a minha paciência."
José Micard Teixeira
Encontrei num blogue de uma amiga e trouxe-o para aqui, tem imenso sentido, até serve à minha pessoa... Que bom ! Desculpa não ter pedido autorização prévia. 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pare para Ouvir, Ver e Meditar

Livre Pensamento- Episódio 8 - RTP Play - RTP

www.rtp.pt
Maria do Rosário Vieira

Assista porque a Pedagoga coloca o dedo na ferida sem dó nem piedade. Fiquei encantada por saber que  afinal não estou só.