domingo, 10 de maio de 2015

Vou a sós com a estrada


Leve …asinha de pássaro…
A calçada leva-me
na abundância da descida
Do lado esquerdo casario deserto
Do lado direito o mesmo enfeite…
Deixa-me ir… pena não haver uma escrivaninha
Sentir
a tinta a escorrer do dedo….
a galgar a mão minha…
paro, faço ligeiro reparo
belas quintas,
com certeza gente rica
quintais abastados de verde
vasos persas…
tapetes nas esquinas
a pressa a correr no peito
a crescer a bem aparada relvinha…
É mais de meio dia…
A tarde já desflorou…
E nem vislumbre de gente na rua…
Nem outros rugidos perturbadores…
E a alma caminha tão levezinha…
Vai só, é grande, imensa …cheia de ar…
Livre, sem amarras
Apenas demasiado sozinha…
PN                                                            
Fredèric Soulacroix
(reedição)

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