terça-feira, 7 de julho de 2015

À noite haverá céu ?

Autor: Mota Urgeiro - " A rapariga na varanda"

O sol na tarde
escorregadio…
Os prédios a arder
brandamente, de forma tão aprazível, suavemente
digerindo aquele sentimento, bem por dentro,
as paredes sonolentas e tontas de bebedeira
Um motor, um rugido e o autocarro  na curva engolido
As crianças soltam-se como pardais, na rua
e eu fico aqui na varanda
com a vista calada
testemunha ocular
da tarde que se vai….
O horizonte nem se mexe…
sempre ali,
azul, fiel, firme, familiar, …  à minha frente…
Mar e céu, enrolados, abraçados
Lá em baixo há vento…
as ondas frisadas, crispadas …  
empurradas, lançando-se umas contra as outras…
em brincadeiras galopantes…delicadas, vibrantes 
espumando pela boca…
Grandeza de se ver!

PN

3 comentários:

AC disse...

Momentos únicos, Pedras. Se conseguíssemos aprisionar o tempo, nessas alturas, para que precisaríamos do céu à noite? Muito belo!

Um beijinho :)

Fernando Guilherme Lopes da Silva disse...

Um texto poderoso e pleno de uma leve incomensurável!
"As crianças soltam-se como pardais, na rua

e eu fico aqui na varanda

com a vista calada"

Lindo

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema, gostei imenso.
Bom resto de semana.
Beijinhos.