domingo, 15 de novembro de 2015

As sufragistas



Por Conceição Pereira

Em cartaz o filme AS SUFRAGISTAS, que traz ao conhecimento do grande público a luta de dois milhões de mulheres inglesas, de todas as classes sociais, para obterem o direito ao voto. Foi uma luta muito dura, muito difícil, pois tiveram de enfrentar o poder político, policial e social que lhes vedava o direito ao voto, que elas queriam obter, em igualdade com os homens, para mudar as leis que as discriminavam. Elas ganhavam menos que os homens por trabalho igual, não tinham direito à educação em igualdade com os rapazes e até os filhos que elas traziam ao mundo pertenciam ao pai, que tinha o direito de decidir da sua educação, modo de vida e tudo o mais.
As sufragistas eram mulheres trabalhadoras que tomaram consciência do seu valor social e que não lhes era reconhecido. E assim nasceu o movimento sufragista, com o objectivo de alcançarem o direito ao voto e, com esse poder nas mãos, reformarem a legislação e os costumes.
Elas foram perseguidas, presas, fizeram greves de fome, uma parte do movimento entrou em luta violenta e fez vergar o poder. Conseguiram direito ao voto em 1918. Em Portugal, só em 1974 se conseguiu o Direito Pleno ao Voto para homens e mulheres.
Contudo, o direito a salário igual para trabalho igual ainda não foi alcançado, nem em Portugal nem no resto da Europa. Segundo um artigo publicado no DN a 12 do corrente “o salário médio por hora para as mulheres europeias é 16,3% mais baixo do que para os homens para trabalho de igual valor”. Apesar de grande parte das mulheres, falando agora das portuguesas, terem atingido um grau de formação elevado, superior aos homens que ingressam nas universidades, em termos gerais, ainda impera a tradição de as mulheres serem relegadas para lugares menos remunerados e ganharem menos que os homens. SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL é uma reivindicação com mais de um século e ainda não foi alcançada.
Faço um apelo às mulheres (e aos homens também) que vejam o filme AS SUFRAGISTAS e tomem consciência de que os direitos que hoje podemos usar a nosso favor foram conquistados com “lágrimas, suor e sangue”.
Mais, espero que as jovens mulheres, mais instruídas que as da minha geração, usem os conhecimentos e as oportunidades para conquistarem o lugar que merecem e não se deixem vencer pelas tradições obscurantistas e poderes imorais que impedem as sociedades de evoluírem e darem passos civilizacionais em termos de igualdade e fraternidade entre os seres humanos.

Nota: ( Ainda não vi o filme) 




1 comentário:

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, tive conhecimento que o filme ia passar em varias salas através da televisão, fiquei curioso para acrescentar ao pouco que sei sobre as sufragistas, é sempre bom passar por aqui, pela sua pagina, mas hoje ainda foi melhor, é um marco histórico que me interessa, de pois de ler, fiz uma copia e guardei no meu arquivo, espero que não se importe.
Os que pensam que são poderosos, caiem sempre aos pés de quem luta pelos direitos e pela dignidade.
Algarvio Marafado