sábado, 23 de janeiro de 2016

MAIS DESIGUALDADES

1% dos mais ricos do mundo concentram já mais riqueza que os restantes 99% por cento do planeta.

Alerta da Organização Oxfam que pede medidas urgentes e concretas aos governos para travar esta desigualdade crescente, a começar pelo fim dos paraísos fiscais.

A riqueza dos mais ricos aumentou 44% desde 2010, enquanto a riqueza dos mais pobres diminuiu 41%.

Um mundo desigual cada vez mais marcado pelo fosso entre ricos e pobres. É que é de cifrões ou da falta deles que se fala. A organização não governamental, Oxfam quantifica esta distancia também em números:
Pela primeira vez em 2015, 1% mais ricos do mundo têm mais riqueza que os restantes 99% da população.

Não estamos a falar aqui numa questão de pobres e ricos, nós neste momento já temos uma situação que é os mais ricos entre os ricos contra o conjunto da sociedade.”

Carlos Farinha Rodrigues, professor universitário, especialista em desigualdades, afirma que este fosso tem consequências concretas:
“ As desigualdades na distribuição da riqueza e no rendimento, são hoje um entrave ao desenvolvimento económico, a concentração da riqueza num conjunto muito restrito de pessoas acaba por desviar recursos que poderiam ser utilizados para a melhoria da sociedade, a melhoria das condições de vida das pessoas”

O relatório divulgado muito recentemente pela Oxfam, organização britânica que trabalha no combate à pobreza, faz um desenho; em 2010 havia 388 multimilionários que tinham a mesma riqueza do que metade do resto do mundo. Cabiam num avião. Em 2014, o número ficou ainda mais concentrado, 80 pessoas, já bastava, um autocarro de dois andares. Em 2015, apenas 62, um autocarro negrice detêm tanto dinheiro como metade da população mundial; 3,5 mil milhões de pessoas. A riqueza dessas 62 pessoas cresceu 44% desde 2010, antes que estes multimilionários caibam dentro de um táxi, a Oxfam internacional exige que sejam tomadas medidas concretas, como o fim dos paraísos fiscais por onde passa quase sem pagar impostos grande parte da riqueza mundial.

“ Uma parte significativa destas fortunas em termos relativos paga menos impostos que um trabalhador que no dia a dia, executa as suas tarefas. Já não há dúvidas quanto ao que esta concentração de riqueza significa. Os dados estão aí, todos os dias a demonstrá-lo. Falta vontade política”.

Recados para mais um fórum económico mundial em dados que começa esta quarta feira ( já começou a semana passada) 

Telejornal da RTP1 



Imagens- Internet 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

sábado, 9 de janeiro de 2016

Chamamento...

                                                                                                                      Foto-PN
…na pressa…na pressa….os pés têm pressa…
os sapatos…os sapatos pesados e  gangrenados
puxam o passo para o fundo, fundo, fundo….
a lama viscosa trava a passada,
o sujo resvala
os pés rolam , rolam… nos sapatos apertados de solas batidas
ai os sapatos andrajosos  atiram o esqueleto à cama
e o combalido sono serve-me um chá morno,
uma chávena abocanhada e encardida
antes mesmo dos delírios nocturnos
Quando a tampa do quarto se abre…
lá por cima, volteiam pássaros sem norte… pássaros que sondam o  mistério da morte
Meus olhos doridos e pedrados de insónia
bocejam copiosos na demora,
estafados de bater na mesma tecla; em surdina, em som esbracejado,
em  gritos brandos, em brados coléricos…,
sofrida retina, estala em fissuras crispadas de pesar
sonolência tardia… o repouso que não chega
a paz desejada… remota, sempre afastada…
Os pássaros descem, percorrem o quadro, esboçam linhas curvas
voos rasos à minha volta…
Masco a poalha amarga das visões trágicas… cenas sem remédio, irremediavelmente perdidas,
outras; luzes, de grande porte, desmedidamente cintilantes;
o doce a derreter-se na saliva … uma pequena luz bruxuleante dentro da boca…
É hora… e os pássaros… os pássaros levam o meu espírito com eles…,
eles sabem, sabem onde depositar, no lugar que perpetuamente sonhei.
  
PN