quarta-feira, 30 de março de 2016

A ENTREVISTA III

E para terminar, qual a sua opinião quanto ao papel da Grã Bretanha na U.E?

     “A Grã Bretanha está francamente descontente com a prática do euro e com a prática da União Europeia como ideal e como projecto de todos nós, tem a sua razão de ser. Nós estamos uns viciados no nada, nós, União Europeia, estamos uns preguiçosos, estamos uns burocratas, uns eurocratas que dependemos de milhares de decisões, hiper lentas, pesarosas, e muito custosas para decidir o que quer que seja e para encobrir imensas tendências financeiras. E portanto, é natural que um país que ainda acredita que pode se autónomo e que tem uma força económica grande, diga que se é para sofrer, para demorar a tomar decisões, se é para não mexer verdadeiramente no que está errado, então mais vale ir sozinho, não podemos achar que estes são os horríveis que nos vão deixar sozinhos agora, os monstros, mais uma vez, há dois lados desta moeda, infelizmente é da moeda que falamos, obviamente que será terrível e nocivo para a União Europeia perder a Grã Bretanha mas não é só por causa da moeda, a economia é tudo, é o projecto político, que é um projecto social. É aí que eu dizia que engloba todos os outros temas que nós tínhamos eventualmente na manga, os refugiados, as migrações, tal como elas estão a acontecer na Europa, obviamente que tem a ver com isto. Tem a ver com a nossa economia, com a maneira como nos fechamos em eurocracia e numa burocracia de que Portugal está ser francamente também vítima.

     Ser órfã, órfão é não ter já! E nós não temos? Nós temos, há imensa gente boa por aí, há imensa gente boa a pensar, há imensa gente boa a querer agir, não necessariamente em lugares de grande poder porque estão desacreditados, ou porque têm medo do que vão fazer à vida, mas existem pessoas muito capazes e bons pensadores em Portugal, já nem é preciso ir para a Europa, existe na minha esperança.

     Compete-nos a nós, todos os dias, não podemos dizer eles, a população portuguesa vai votar, por exemplo, como é que a gente diz eles… e, metade não vai votar, o voto devia ser obrigatório como no Brasil.


     Por último queria chamar à atenção de todos os pais, professores e alunos do 5º ao 12º ano. Chama-se; “Escolas Solidárias”, podem simplesmente ir à Net e procurar no facebook ou site, “Escolas Solidárias”; é um programa que se propõe ao longo do ano lectivo ensinar as escolas, os alunos dentro das escolas com os seus professores, com a sua comunidade, a criar projectos sociais que respondam à sua comunidade, a fazer a diferença, a mudar, é um movimento de cidadania. “
Dra M.P.C

2 comentários:

Jaime Portela disse...

É verdade que muita coisa está mal na Europa e que as decisões são erradas, tardias e/ou inexistentes.
Mas a GB tem lucrado brutalmente com a UE, tal como a Alemanha. E talvez seja por isso que até convém esta pasmaceira.
Bom fim de semana, querida amiga PN.
Beijo.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Bom dia, a Grã Bretanha ao ter a sua própria moeda e ao não ter aderido ao espaço Schengen, continuou a consolidar a sua forte economia a tal ponto, que nada faz para que o sistema mude, os outros membros com economias fortes da UE, também sabem que contrariar de forma frontal a Grã Bretanha, esta pode causar uma crise com contágios negativos para as suas próprias economias, assim, as cedências vão continuar apesar da aparente discussão entre eles.
AG