quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ventos de monarquia

Diálogo entre Intendente ( tem a seu cargo a direcção ou administração de alguma coisa)  e Coronel

I – Que diabos é isso?
C – São as contas do mês, senhor.
I – Novecentos mil reis de “francho batalhão”!
C – A gente precisa comer e se vestir.
I – Que exagero, parece-me que agora é tudo seda tafetá!
C – A carestia é geral, todos os géneros são mais caros, é claro, o melhor vai para a corte. São doze mil homens a mais no Rio de Janeiro, desde a chegada da família real.
I – Precisamos de mais impostos!
C – Mais impostos, senhor? Tudo já está tão taxado. Depois o Intendente não tem poder…
I – O poder sou eu! Precisamos de dinheiro para a Intendência, taxas! Teremos impostos para as prostitutas, para as galinhas, para as aves de arribação. Você tem o meu aval!...nem que tenhamos que taxar o ar que esse povo respira! Está esperando o quê, Coronel?
C – Sim, senhor! 

Série brasileira  “ Liberdade Liberdade”

                       Intendente                                                    Coronel 

4 comentários:

AC disse...

Parece que, embora com novas designações, os intendentes e os coronéis se perpetuaram, Pedras. Direi mais, eles estão cada vez mais sofisticados, mas o fundamento é o mesmo.

Um beijinho :)

Fernando Guilherme Lopes da Silva disse...

Parabéns, está muito bem!

Jaime Portela disse...

Um diálogo interessante.
Imensamente repetido em muitos países nos tempos que correm...
PN, tem um bom resto de semana.
Beijo.

Fê blue bird disse...

Onde é que eu já vi isto ? :)

Muito bem "apanhado" este texto, amiga Pedras.

Beijinho