sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Alterações Climáticas

" Para ser sincera, sempre detestei filmes sobre alterações climáticas, porque será que aqueles glaciares a desaparecer e os desesperados ursos polares me fazem querer mudar de canal?"



"A causa não está lá fora, está em nós, na natureza humana; somos ingratos, gananciosos e tacanhos, e, se isto é verdade, não há esperança.
Há uma fase brutal em que a Terra e as pessoas são envenenadas mas depois acaba por dar lugar a céus limpos e a uma vida melhor para todos mas parece que não conseguimos ultrapassar a poluição, só a mudança de sítio.

Por exemplo; o que se verifica na China, é mais um campo de batalha; de um lado painéis solares, do outro, Smog. Este smog vem de fábricas que fazem produtos para a minha casa e para a vossa e agora temos tanta poluição que já não ameaça só a China, ameaça a vida na terra. Se calhar não é o oriente contra o ocidente, se calhar somos todos contra a lógica da dominação e o crescimento a todo o custo. O capitalismo contra o clima.
Nos últimos 40 anos, andamos a promover um modelo de capitalismo selvagem. Vêmo-lo à nossa volta, estamos encharcados nelas, as cooperações estão desreguladas e à solta para flagelar a terra em busca dos trabalhadores mais baratos e do ar mais poluído.


Os governos definham, a classe média dissolve-se e os lucros disparam.
Na Alemanha, o governo interveio com mão pesada, gastaram milhões para que se construíssem imensas centrais eólicas e painéis solares por todo o país. O resultado foi uma das transições energéticas mais rápidas do mundo. Hoje em dia 30% da electricidade do país vem das energias renováveis. As emissões estão a descer e o desemprego a baixar, foram criados 400mil empregos. As renováveis tiveram um sucesso aqui incomparável no mundo inteiro. O governo alemão ainda promove políticas de austeridade poluentes, tanto a nível doméstico, como a nível internacional.
Esta alteração teve uma causa muito diferente; as pessoas não esperaram por um líder, fizeram por si próprias; 1º lutaram contra a energia nuclear, quando a maré mudou, elas lutaram pelas alternativas e no processo desencadearam uma verdadeira mudança no equilíbrio do poder. Centenas de cidades e vilas recuperaram a gestão da rede eléctrica de empresas privadas e gerem-nas elas próprias, muitas vezes como cooperativas democráticas. Quando vejo isto, pergunto-me; o que quer isto dizer para o resto do mundo?

Como é que todos podemos trazer até nós esta revolução energética?

Passei 6 anos a vaguear pelos destroços causados por esta fantasia com 400 anos, a de que poderíamos tratar a natureza como a nossa máquina. Mas começo a ver outra história a germinar, a começar pela premissa bem diferente e que surge no sítio mais improvável de todos. O impacto ambiental do desenvolvimento de areias betuminosas é bárbaro, se somassem dois mais dois, sentiam-se directamente responsáveis por afectar a saúde das outras pessoas que vêm depois. Não apoio o encerramento das areias betuminosas para amanhã, nem pensar, tenho demasiados amigos, cujas famílias dependem deste recurso. É que a indústria das renováveis iria empregar os mesmos trabalhadores que estão nas areias betuminosas. Com o dinheiro que se faz ali, podemos construir eólicas, podemos ter energia solar onde fizer sentido. Não há razão nenhuma para não fazer a transição. Precisamos de entrar em acção rapidamente enquanto sociedade e não temos tempo para estar calados. Por todo o mundo, as pessoas não se limitam a escrever aos políticos pedindo-lhes educadamente que tomem a atitude correcta. Estão a tomar acções directas, estão a exigi-las, nós estamos num buraco e antes que alguma coisa nova possa crescer, temos de parar de cavar. Há medidas que as plataformas de perfuração se espalha pela terra, o mesmo acontece às comunidades de população ligadas a quem nelas trabalha. Abrem-se novos trilhos metálicos de energia suja.


“Caso este oleoduto avance, o nosso governo vai contribuir mais para a violação e pilhagem das terras dos meus antepassados e depois vão prometer devolver-nos o que nunca sequer foi deles. Não se deixem enganar pela sua ideologia do que é a recuperação das terras. A recuperação é eu estar aqui com 99%, estamos aqui hoje para declarar que nunca fomos a lado nenhum e que não tencionamos ir.

Quando vemos comunidades atiradas para a linha de fogo porque uma questão ambiental ou política ou económica lhes é imposta, vemos a incrível transformação que se dá. Elas tornam-se mais fortes, erguem-se e nós pensamos – Não é incrível?! Não é esta sociedade que nós queremos?”

Uma confissão final, já estive em mais convenções sobre o clima do que aquelas que consigo contar mas e os ursos polares? Ainda não me convencem! Desejo-lhes tudo de bom! Mas se aprendi alguma coisa, foi que travar as alterações climáticas não é bem por causa deles, é por causa de nós. Somos egoístas, gananciosos, tacanhos e o que nós podemos ser, capazes de cuidar da terra e uns dos outros e que no futuro, a longo prazo já não é só um problema de índios, e esse é o aspecto positivo, quando estão a começar a perceber que beber água e respirar ar, isto diz-te respeito também.


Temos de parar de fingir que conseguimos controlar a natureza e começar a agir como sendo parte da natureza.
  

5 comentários:

Jaime Portela disse...

E com a entrada em cena de Trump, que não acredita em palavras tão certeiras como estas, as coisas só podem piorar...
Um bom texto, gostei de ler.
Amiga PN, bom domingo e boa semana.
Beijo.

Manuel Luis disse...

Nenhum canto é sagrado. Ninguém cuida daquilo que é de todos. Ainda é possível a convivência entre os seres humanos e os ursos de tamanho imponente e então porque é que andam armados? Não conseguimos criar estratégias de sobrevivência como alguns animais selvagens. Basta olhar para os elefantes como verdadeiros mensageiros da mudança. O rio Savuti no Botswana secou em 1982 . A beleza rivaliza com a crueldade. Santuários modificados, ameaçados. Nenhuma floresta está a salvo da invasão. Somos muitos!
Bjs

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, a trumpada desconhece por interesse próprio as mudanças climáticas e a urgência de contribuir para travar as mesmas, primeiro os milhões e depois o planeta, até parece que os milhões o torna imune.
Amiga, suas visitas e comentários na minha pagina são importantes, tenho toda consideração por si, compreendo a sua falta de tempo, motivo porque não tem que comentar sempre, faça-o quando poder, o mais importante é amizade que sinto pela amiga.
AG

Jaime Portela disse...

Passei para ver as novidades.
E para te desejar um bom fim de semana.
Beijo, amiga PN.

Manuel Luis disse...

Atravessa o oceano que aqui à condições.
Nunca te atrasas nos comentários, apareces sempre nos melhores momentos e fico feliz.
Bjs