quarta-feira, 28 de junho de 2017

Alinhavo sobre o joelho





“ …É preciso olhar para isto com muita calma, sem emoções e se olharmos para isto sem emoções, se calhar tiramos duas conclusões muito aborrecidas e uma é, que desde os últimos 40 anos, depois do 25 de Abril, todos os anos há uma zona eleita especialmente para ser martirizada e já foi desde o Algarve, a Viana do Castelo, passando pela Madeira. Para além dos fogos que acontecem aqui e ali.. Isto não quer dizer nada, quer dizer só isto. Era bom que isto fosse estudado por quem sabe destas coisas. A 2ª questão, é que é óbvio que há falhas aqui, diversas. Mas uma delas é objectivamente o SIRESP, custou-nos uma fortuna, o sistema de comunicações do estado, que faz com que seja possível veicular comunicações que não pode falhar quando falham os outros. E, portanto dizermos, que falharam telecomunicações, é normal, arderam as antenas, isso é iniciativa privada. O estado não se pode dar ao luxo de ter antenas que sejam facilmente perecíveis ao fogo, quando as planta na floresta. Isto é o mesmo que o estado fazer um orçamento de estado, a contar com as multas que vai passar, o orçamento de estado é feito,e parte do principio que é um país de  incumpridores… e quando não há maneira de as arranjar, arranja maneira de as passar. Aqui é a mesma coisa, onde há floresta, pode haver fogo…e se pode haver fogo, as antenas do SIRESP, não podem ser vulneráveis , não podem! provavelmente por isto e por outros motivos é que o Sro primeiro ministro fez um despacho a querer saber três coisas objectivamente; e alguém vai ter de lhe responder; e espera-se que ninguém engane o senhor. O primeiro ministro quer saber; O que é que aconteceu, quer um relatório a sério sobre o SIRESP, isto é; como é que o SIRESP foi a baixo? como é que ficou inoperacional?  quem inventou as antenas? onde as puseram? são feitas de quê? de madeira, nós vivemos num país que tem a mania que é avançado, tem a mania que tem muita tecnologia, etc, até para vender ao mundo inteiro mas é um país em que os fios de telefone estão pendurados num pau de madeira a meio da floresta! Provavelmente o Sro primeiro  ministro quer saber se as antenas do SIRESP são de madeira? são de cartão? são de papelão? E porque as meteram nesses materiais a meio da floresta? Também quer saber objectivamente o que é que aconteceu na estrada da morte? Na nacional 236 para dar origem à morte anunciada de 47 pessoas! Os números não são anunciados por nós, limitamo-nos a ouvir, parece que morreram, parece …já digo, parece! Porque estive lá, eram 30, logo a seguir eram  47… mas o que é que o senhor primeiro ministro quer saber? De que maneira é que as pessoas da EN 236 morreram?  Morreram como? Foi o fumo? Foi um túnel de fogo? Como foram lá parar? Já ouvi algumas vozes explicarem como é que as pessoas  foram lá parar; foram indicadas por  alguém mas se esse alguém não tinha as comunicações atualizadas…?O Srº primeiro ministro também quer saber um parecer especializado e isto é, uma nota que ontem falávamos com o ministro da administração interna, um parecer  científico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para explicar o que é uma trovoada seca. Se houve uma trovoada seca só em Pedrógão ou se as trovoadas secas em Pedrógão são especiais, porque houve trovoadas secas no país!...porque é que nuns sítios pegou e noutros não!... “



O Jornalista esteve no terreno

Já muito foi dito, escrito, debatido, aguardamos esclarecimentos que nos ajudem a entender o que verdadeiramente se passou! Se é que alguma vez vamos saber toda a verdade!
Ouço com alguma frequência a palavra “ NORMALIDADE”. Para quem perdeu tudo; Família, Amigos, Bens, Animais, etc. Nestas condições algum dia serão capazes de regressar ao normal. Alguns, até pela idade … Como? Também ouço, “Agora é caminhar para a frente” … COMO?! E o LUTO??? Ninguém pensa no luto?! A palavra LUTO! Que pode levar anos! Depende da mossa que a tragédia provocou! Venham os auxílios, para pelo menos, ajudar a atenuar os efeitos colaterais deste terrível pesadelo! 

PN
    A questão do problema geral dos fogos florestais já foi abordada há longos anos, mas o problema persiste!
Por exemplo, o artigo "Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal", por Jorge Paiva, de que já falei no meu blog, foi escrito há 11 anos!
O autor disse, e bem, que a delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), não foi seguida pela conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.
E , já então alertava, se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal.

Sinceramente, concordo que importa tomar medidas urgentes, mas, por enquanto, sinto que há pessoas a sofrer com os incêndios, cujo socorro imediato é prioritário, e por isso as atenções devem estar viradas para aí. Creio que nesta parte, as coisas estão razoavelmente encaminhadas.
A seguir, é imperioso pensar nas melhores hipóteses para atacar os previsíveis males que ainda este ano podem repetir-se!

O Siresp é uma tristeza: os seus responsáveis já disseram que o sistema deu a resposta possível e adequada às circunstâncias, quando o registo da denominada "caixa negra" diz o contrário: uma anedota!

Petrus Monte Real 
(Publico pela pertinência do comentário!)

3 comentários:

Petrus Monte Real disse...

A questão do problema geral dos fogos florestais já foi abordada há longos anos, mas o problema persiste!
Por exemplo, o artigo "Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal", por Jorge Paiva, de que já falei no meu blog, foi escrito há 11 anos!
O autor disse, e bem, que a delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), não foi seguida pela conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.
E , já então alertava, se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal.

Sinceramente, concordo que importa tomar medidas urgentes, mas, por enquanto, sinto que há pessoas a sofrer com os incêndios, cujo socorro imediato é prioritário, e por isso as atenções devem estar viradas para aí. Creio que nesta parte, as coisas estão razoavelmente encaminhadas.
A seguir, é imperioso pensar nas melhores hipóteses para atacar os previsíveis males que ainda este ano podem repetir-se!

O Siresp é uma tristeza: os seus responsáveis já disseram que o sistema deu a resposta possível e adequada às circunstâncias, quando o registo da denominada "caixa negra" diz o contrário: uma anedota!
Beijo

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, sempre existiu incêndios de grande dimensão em Portugal, penso que este em Pedrógão foi o maior de todos, lamento todas as vitimas causadas pelo mesmo, acuso todos os iluminados, como aberração do Passos Coelho que quer tirar dividendos políticos sem respeitar as vitimas, agora fala para os portugueses quando antes falava somente para aqueles que fazem parte dos grandes grupos económicos, o mesmo é a Cristas, fala e fala e nada diz, aprender com os erros é uma atitude inteligente, assim, os mesmo devem de ser corrigidos para que não volte acontecer o mesmo, eu que não sou técnico de coisa alguma, concordo que o ordenamente da floresta com menos plantação de eucaliptos e pinheiro, assim como, com tomada de posse administrativa dos terrenos abandonados, coisa que aberração é contra, Siresp que foi contratado pelo governo do PSD já estando exonerado pelo Presidente Sampaio, é criticado pelos mesmos como se fossem virgens santas e puras, infelizmente a radio publica Antena 1 e RTP continuam a poluir os ouvidos dos portugueses com o aproveitamento de tudo para fazer campanha eleitoral pelo PSD alegando que é a liberdade de expressão.
Amiga! nem 10 mil bombeiros no local, conseguiam travar a velocidade das chamas.
Desculpe o meu comentário longo e possivelmente fora do contexto, é sincero, é o que sinto.
Abraço,
AG

Fá menor disse...

Portugal virado do avesso. Uma enorme anedota, se não fosse tão triste. Ainda estamos para saber toda a verdade que nos andam a ocultar, sobre o número de vítimas, sobre os dinheiros das ajudas que estão retidos, sobre o tal de SIRESP que continua a não funcionar... Não nos podemos calar!

Bjs