quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

Porque existe o mal? 

com Morgan Freeman

“Em crianças quando somos confrontados com o racismo, ficamos perplexos. Porque existe isto? De onde vem? “ MF

Apesar de toda a nossa capacidade de fazer o bem, o impulso de praticar o mal tem sido uma praga na história humana.

Se acreditam que vivemos num mundo sob controlo divino, porque deve o mal existir? Como invade as nossas vidas? Como e´ que o mal conquistou os nossos corações?
As religiões combatem o mal de diferentes formas e rituais.

Temos duas mentalidades, uma boa e outra má. Para transformar as trevas em luz.
Algumas confissões consideram-no uma força invisível que impregna o mundo inteiro. Demónios espreitam na escuridão. Para o cristianismo pode ser o próprio demónio ou será o mal uma coisa que vem de dentro de nós?

Mas a pergunta é: Mesmo assim, um criminoso não continua ele a ter escolha? Será um criminoso capaz de escolher não cometer um crime hediondo?

O peso no coração assume a forma de  medo das consequências, é a única coisa que nos mantém no caminho dos justos. O que me leva a perguntar… se somos inerentemente bons ou inerentemente maus? A resposta está na raiz da fé cristã. Os primeiros livros da igreja traçam a nossa tendência para pecar até Adão e Eva que comeram o fruto proibido, o pecado original.

O que é o pecado original? A tradição cristã cunhou um pecado original, um desejo primitivo que todos temos. É uma necessidade, um impulso humano de natureza muito básica. Porque Adão pecou. O pecado original foi transmitido a sucessivas gerações, perpetuado, uma após outra geração. Um homem que mata e viola por prazer e não sente arrependimento, pode ser chamado de coisa demoníaca. É demoníaco. Mas penso que é importante reconhecermos que existe um pouco dele em todos nós. Há algo inerente em nós que parece inclinar-se para a morte e a violência.
- Será o diabo? Ou isso é apenas uma metáfora?

Nascemos com a capacidade de fazer o mal. A maioria de nós, luta uma vida inteira para resistir à tentação, para resistir ao que está errado. Mas pode haver outra fonte de mal nas nossas vidas; as pessoas que nos trouxeram a este mundo, estejam vivas ou mortas.
Uma das mais antigas e influentes religiões do mundo mas a maioria de nós nunca ouviu falar dela, chama-se zoroastrismo, teve início há 3 mil e quinhentos anos, do antigo irão. O fogo é um símbolo do zoroastrismo. O fogo esta sempre aceso. Representa a iluminação. Quanto mais conscientes estamos do mundo em que vivemos, quanto mais sabemos o que nos espera, melhores decisões podemos tomar. É como caminhar com uma lanterna na mão. O lema zoroastriano é “ bons pensamentos, boas palavras e bons atos”

É uma religião que se concentra na derrota do mal. O zoroastrismo é anterior às religiões que reverenciam Abraão. Para muitos zoroastrianos, o demónio já não é uma figura real, é um combatente interior, a luta entre o bem e o mal que tem lugar na mente.

A escola de pensamento zoroastriano não tem que ver com passado ou futuro, mas com o que podemos fazer no tempo atual. Todos os nossos problemas, os do mundo, são causados pelo homem. Como tal, devem ser resolvidos pelos homens. Culpar uma força sobrenatural, não é uma noção zoroastriana.

Purgar o mundo do mal não é tarefa de Messias, de reis ou profetas. É tarefa de todos nós. Sejamos alfaiates, talhantes, vendedores ou atores. Quem quer que sejamos. Gosto disso. MF

A pergunta proverbial é se assaltaríamos um banco, se soubéssemos que ninguém poderia saber que o tínhamos feito. E acho que se formos honestos connosco, muitos de nós entrariam e levariam todo o dinheiro.
A recompensa do paraíso e a ameaça do castigo eterno ao inferno, mantem-nos no caminho certo. MF

Mas e aqueles que sucumbiram ao mal? Pode a fé conduzir-nos à redenção? Ou será que o mal nos marca para a vida? Fará parte da condição humana? Muitas confissões incitam-nos a combater a tentação. A colocar o bem maior, o bem de todos acima do seu interesse pessoal mas será isto é possível? 

Os budistas tibetanos acreditam que a necessidade de praticar o mal deriva da nossa ignorância, do funcionamento das nossas mentes. Para que possam compreender a sua causa e vencê-los. Mas nem todos querem combater os seus demónios interiores. São muitos os que parecem condenados ao fogo do inferno por fazerem coisas más. Haverá forma de os mudar?

Segundo estudos, o cérebro de alguém que mata é diferente daquele que não mata. A ciência pode ajudar a identificar os mais propensos para o mal, mas como se volta costas a uma vida de maldade?

O que nos dá esperança de que as pessoas podem mudar são aqueles casos de transformação absoluta, casos reais, um homem que conheceu uma mulher, apaixonou-se tiveram um filho e ele mudou completamente a sua vida, anteriormente entregue ao crime. O mal pode ser contido? Esta esperança está no centro da fé cristã. As pessoas pecam, mas os seus pecados podem ser lavados através do batismo. É um recomeço de vida. A bíblia diz-nos que adão e Eva não conheciam o mal até comerem o fruto proibido. Quase todas as confissões religiosas contam a história do início do mal, terá começado em almas infelizes? No próprio demónio? Ou nos nossos demónios interiores? Todos acabamos por ficar frente a frente com o mal.


O sofrimento que provoca fazer  bem e mal? Sem o mal, como teríamos desenvolvido características humanas únicas? A capacidade de expressar bondade, a misericórdia, o perdão. MF

FIM 






1 comentário:

Fá menor disse...


Deus criou os seres invisíveis (Anjos) e dotou-os de Liberdade. Desses, houve os que não escolheram usar essa liberdade para amar o Criador, mas antes quiseram procurar ser iguais a Ele e não seus inferiores. Sim, o diabo e demónios existem - são esses anjos que pecaram e levaram o Homem a pecar também. Isso foi mau, isso é o mal, que se instalou no mundo.

Por isso, o mal existe e provém da Liberdade. Da nossa liberdade de que fomos dotados.
"Sei que posso fazer tudo, mas nem tudo me convém". A escolha será sempre nossa e da nossa consciência bem ou mal formada. Por isso devemos procurar formar bem a nossa consciência para que a nossa liberdade não nos leve por caminhos que não são os nossos. Os caminhos de ausência de Amor, são os caminhos do Mal, os caminhos que não nos convém seguir.


Beijinhos.