terça-feira, 8 de julho de 2008

Homens mortos com balas

São vidros partidos
pedaços de sóis
que se quebram em vagas
já sem sentidos

Rostos dispersos pelo chão
em dobras de grande tensão
fazem cair lágrimas de solidão
e expiram na selva da profanação

Já publicado

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Disseram-me

Que o diabo anda à solta nas ruas

após o pacto com o xerife

os cavalos atiram fogo pelas narinas

e lá no horizonte brincam duas luas



O xerife conduziu o diabo a casa

à meia noite escaparam os amantes

traído,
feriu a asa do diabo que relinchou de olhos delirantes




O maldito diabo usurpou a mulher do xerife

e prendeu-a nas brasas da loucura

ela nua exibe as belas mamas

e o xerife na terra lamenta a sua brandura

17 Set de 90

Publicado

Canção Inédita

Pássaro sem rumo
Olhar desmedido
Tristeza calada
Alma revoltada

Lábios cerrados
Canção inédita
Silêncio perturbado
Asa perfurada

Destino destruído
Mãos trémulas
Espiga de vingança
Hino aturdido

Já publicado

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Enlaçados

A chuva cai miudinha
logo apressa o passo
singela esmaga-se coitadinha
e o vento aperta o laço.

Os sinos da capela repicam
É casamento anunciado
os passarocos festejando debicam
o jantar tão celebrado

O banquete esmorece noite fora
os noivos felizes despedem-se.
Enquanto aguardam a nova aurora
entre carinhos de amor aquecem-se.

19 de Set 90

Publicado em 97

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Um fim de tarde

A tarde rompe silenciosa
curvada, recolhida e sensata
Ausente deixa-se cair
e penosa canta baixinho uma serenata.
Não posso calar a mágoa
que no peito trago a arfar.
Sinto labaredas a fluir
O cabelo a incendiar
mesmo debaixo de água.

Publicado em 91

sábado, 14 de junho de 2008

Amor desprendido

Verdes ramos
Tenros ramos
Primavera florida
sob o olhar de ambos

Espuma branca
Espuma azulada
Fruto na boca
Doce dentada

Encanto jovial
Floresta virgem
Vestida de encanto
Espera o amante

Donzela prostrada
Dorme sossegada
O teu amor já vem na estrada

Publicado a 24 de Abril de 98

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Pai

Sou um pássaro ansiando voar para os confins
um grito perdido na lonjura da noite
um raio de sol escondido atrás da colina assombrada
uma manhã escura de Outono
uma alma mergulhada no silêncio ruidoso do meio-dia
a incerteza constante
Pai, dá-me um pouco dessa luz
para seguir a minha estrada
Meu sofrimento atroz goteja
orvalho cristalino
Não permitas que viva nesta angústia
Pai,que eu finde em lugar do prisioneiro inocente.

Publicado em 81