terça-feira, 15 de julho de 2008

Miséria em terras Africanas

O negrinho está chorando
pois veio a guerra dos "ventos"
já não é só pressentimento
Tanto sofrimento ,até quando?

A mãe vocifera revoltada
porque todos vão embora
A sua gente é tão castigada
Pão e Paz é o que implora

A vavó guarda a mágoa
dura recordação,longas estradas...
Uma lágrima estoira prenha d'água
Só ela sabe das manhãs desgrenhadas.

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Árvore gigante e solitária

Há muito,muito tempo
despertara ,dia após dia
lentamente...
atravês de gerações inteiras


Gotinhas de Primavera resvalam
com prazer de se ferirem
na ramagem densa da árvore centenária

Os olhos verdes e húmidos
desdobram-se pelo horizonte além
desmaiam sobre o mar

Paira uma suave quietude...

E a luz pálida do sol
pestaneja preguiçosa

À distância um grupo de arbustos
sussurram num murmúrio doce e infantil

O voo incerto das gaivotas
desenha linhas verticais ,horizontais e oblíquas...

A velha árvore

escuta
sente
e permanece em silêncio

Suporta as ventanias infernais
as tempestades ruidosas

A sombra bendita consola
nos dias escaldantes

Consente nas brincadeiras
traquinas das crianças

Escuta confidências
e presencia carícias de amor
trocadas por jovens adolescentes apaixonados

Acolhe e afaga o coração dos sem esperança...
Das mulheres viúvas inconsoláveis
Dos marginalizados e sem condição

Deleita-se quando se sentam a seus pés
saboreando os frutos luzidios e frescos que fecundou

O que mais lhe dói...
bem lá no fundo
é ser :

NEGLIGENCIADA
MUITILADA
MAGOADA

Por
Ignorância?
Estupidez?
Inocência?
Petulância?
Ganância?

Os sinos da capela repicam com veemência
as andorinhas escutadeiras
regressam
de viagens longínquas aos ziguezagues

As flores rompem no seu despertar
Uma cor juvenil cobre o planeta...

É a Primavera a acordar dentro de cada um
O eterno retorno à fecundidade!

Um pássaro cantarolando
num regorgeio
poisa num braço da árvore gigante
e segreda novidades e outros mundos distantes...
Desceve-lhe tudo minuciosamente
entusiasmado
como se fosse uma confissão

A árvore gigante e solitária
sente a seiva quente percorrer as veias
É a amálgama do desespero e da euforia
O desejo castrado do que jamais vislumbrou

Apazigua imediatamente a sede
tranquiliza-se
porque na aldeia
todos estão felizes

Os pinheiros esguedelhados e nostálgicos
agradecem numa prece religiosa o sabor da vida!

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terça-feira, 8 de julho de 2008

Poema ao desencanto

Uma Primavera estremece
o Inverno seu corpo acarinha.
Longínqua permanece a infância no berço
Numa oração terna de avozinha

O sentimento jamais se perde
percorre meu peito um rio
na pele fervilha odor a verde
Meu rosto aguarda beijo macio

Grandes amarguras têm fim?
A viagem não vai terminar
Compreender o que existe dentro de mim
É tarefa pungente para continuar.

Já publicado

Este fogo...

Este fogo insiste em queimar...
não há no coração tanta lenha
vou ao fim do mundo achar...
No céu ou no inferno quem o tenha

Não enfermes meu coração
deixa minha vida acesa
Para não chegar à triste conclusão
de ter negligenciado um acto de grandeza.

Já publicado

Homens mortos com balas

São vidros partidos
pedaços de sóis
que se quebram em vagas
já sem sentidos

Rostos dispersos pelo chão
em dobras de grande tensão
fazem cair lágrimas de solidão
e expiram na selva da profanação

Já publicado

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Disseram-me

Que o diabo anda à solta nas ruas

após o pacto com o xerife

os cavalos atiram fogo pelas narinas

e lá no horizonte brincam duas luas



O xerife conduziu o diabo a casa

à meia noite escaparam os amantes

traído,
feriu a asa do diabo que relinchou de olhos delirantes




O maldito diabo usurpou a mulher do xerife

e prendeu-a nas brasas da loucura

ela nua exibe as belas mamas

e o xerife na terra lamenta a sua brandura

17 Set de 90

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Canção Inédita

Pássaro sem rumo
Olhar desmedido
Tristeza calada
Alma revoltada

Lábios cerrados
Canção inédita
Silêncio perturbado
Asa perfurada

Destino destruído
Mãos trémulas
Espiga de vingança
Hino aturdido

Já publicado