No calor desta raiva!
Minha boca é chama apagada
A lua treme de dor...
Na cama fria não resta nada!
O céu cobre-se de mudo espanto!
As montanhas de tristeza!
As lágrimas, o pranto...
numa aparente delicadeza...
30 de Dezembro de 08
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
Pedra Filosofal
Nem ao menos me deixam sonhar!
Desceu a escada e desapareceu ao fundo da rua escura.
Chovia torrencialmente...o céu desabou toda a sua violência naquela tarde que se despedia com um sabor muito amargo.
Recolheu-se na soleira de uma velha casa abandonada e ali permaneceu até a tempestade amainar.
O vento bravio irrompeu desvairado.
Sentiu-se exausto, com fome e frio. Cresceu dentro dele uma vontade imensa de chorar.
Que dura era a vida da gente pobre! Porque razão quisera Deus que ele nascesse?
Viver para quê? Para ser humilhado? escorraçado? Desprezado?
Assim nem valia a pena respirar!
Que doloroso pedir esmola! Estender a mão calejada para umas moeditas que mal chegavam ao valor de um rebuçadito. Se pedisse pão ainda lhe atiravam mais uns trocos. Era proibido mencionar as palavras bolo e bolachas.Repreendiam-no logo.Não tinha direito a saborear algo mais doce?!
Nos momentos mais complicados roçavam-lhe pensamentos negativos. No entanto, bem no fundo ,lá num recantozinho do seu peito crescia uma vontade de viver.Só ele sabia a fúria indomável em que se debatia! Assemelhava-se àquele vento medonho.
Sentou-se no chão molhado e pôs-se a imaginar se o Pai Natal surgisse e num gesto de mágica lhe trouxesse o saco recheado de brinquedos.
Os olhos do rapazinho cintilaram...
- Olá rapaz! - cumprimentou o velho de barbas brancas.
- Leva-me contigo! - pediu o menino.
O gorducho deixou cair uma lágrima na mão da criança e o encantamento principiava a ter lugar...
- Ei, tu aí, vai para longe que me afastas a clientela.- acordou-o uma voz encrespada.
Ergueu-se e Suspirou contrariado:
- Nem ao menos me deixam sonhar!
- O que é tu queres?- tornou o comerciante da voz crespa.
Sem responder correu e subiu de novo a escada sem se atrever a olhar para trás.
Publicado
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Urge outro tempo
Oh, noite ebúrnea...
Estrela colada num oceano
guia os passos ansiosos
do manifestar divino.
Maravilha bordada de garanitos
Festival de promessas
Futuro percepcionado pelos homens
do retrocesso imperativo...
Lágrimas de geada agregam-se
nos olhos e nas lareiras
acesas de esperança.
Um despertar branco
enregela as vidas
Mas ,nas veias corre
o leito de um rio
Súmula das lutas intermináveis
Segredo por desvendar
Eco que se ateia de boca em boca
horizonte além
Busca sequiosa de Paz e Amor
Sorrisos plantados em olhares molhados
Bocas abertas,famintas
Vidas destroçadas
Vaivém de gaivotas feridas
Desejo ardente de utopia
Braço estendido
do outro lado displicência!
O milagre não tem lugar
O comodismo cala, consente
A espera alonga-se...
A esperança é pó dissolvido em água
A hipocrisia sorri
A traição instala-se
É o teatro da simulação
Terá de ser assim?
Não. Nao terá de ser sempre assim!
Public
Estrela colada num oceano
guia os passos ansiosos
do manifestar divino.
Maravilha bordada de garanitos
Festival de promessas
Futuro percepcionado pelos homens
do retrocesso imperativo...
Lágrimas de geada agregam-se
nos olhos e nas lareiras
acesas de esperança.
Um despertar branco
enregela as vidas
Mas ,nas veias corre
o leito de um rio
Súmula das lutas intermináveis
Segredo por desvendar
Eco que se ateia de boca em boca
horizonte além
Busca sequiosa de Paz e Amor
Sorrisos plantados em olhares molhados
Bocas abertas,famintas
Vidas destroçadas
Vaivém de gaivotas feridas
Desejo ardente de utopia
Braço estendido
do outro lado displicência!
O milagre não tem lugar
O comodismo cala, consente
A espera alonga-se...
A esperança é pó dissolvido em água
A hipocrisia sorri
A traição instala-se
É o teatro da simulação
Terá de ser assim?
Não. Nao terá de ser sempre assim!
Public
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Aceitei o desafio
Na Rua Contigo fez-me o seguinte desafio:
1. Agarrar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5.ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!!
Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6. Passar a 5 pessoas.
Isto não vale.Eu a imaginar que estava safa desta...Tinhas que te lembrar de mim?!lol
1. "Mau tempo no canal" de Vitorino Nemésio.
2. Abri na pagº 161
3. "Cheirava a uma coisa ausente e picante,que depois de uns segundos se percebia o que era:casca de tangerina .
Já agora, passo o desafio a:
Desculpem lá este incómodo
Outono
Profeta
Naela
Parapeito
Clarinda
1. Agarrar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5.ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!!
Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6. Passar a 5 pessoas.
Isto não vale.Eu a imaginar que estava safa desta...Tinhas que te lembrar de mim?!lol
1. "Mau tempo no canal" de Vitorino Nemésio.
2. Abri na pagº 161
3. "Cheirava a uma coisa ausente e picante,que depois de uns segundos se percebia o que era:casca de tangerina .
Já agora, passo o desafio a:
Desculpem lá este incómodo
Outono
Profeta
Naela
Parapeito
Clarinda
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Reino da Utopia
Era o ano de dois mil e cinquenta, uma segunda feira, em que o meu navio naufragou. Mergulhei no mar e fui dar a uma praia deserta.
Mal supunha eu que a vida me tinha concedido a dádiva de ser eu o mensageiro daquela visão de ilha, situada entre o Atlântico e o Índico. Um autêntico baluarte quase inacessível, onde encontrei uma nova forma de vida.
A nobre gente indígena acolheu-me e graças à hospitalidade deste povo sobrevivi e recuperei para voltar a escrever o meu diário de bordo.
O meu assombro foi maior quando conheci o rei. Um homem cortês e amigável, de fino trato e tolerante.
O monarca e dois fidalgos solicitaram a minha presença para acompanhá-los numa visita ao reino. Julguei-me a sonhar.
Vi ruas limpas, um asseio que não imaginei ser possível. Os ecopontos a brilharem de tão frescos. O lixo depositado nos sítios correctos e sem melgas à volta. Os jardins viçosos e sem pó. Os automóveis circulavam a uma velocidade razoável e sem manobras perigosas.
Depois conduziu-me a uma escola, das muitas que havia no seu reino. Assim que entrei o rei fez questão de sublinhar que as crianças brincavam livremente no recreio. Fiquei mudo e pisquei os olhos para ter a certeza de que não se tratava de um delírio meu. Elas corriam em debandada mas não se agrediam umas às outras. Eu habituado a cenas de pugilismo entre garotos comovi-me com a forma doce com que se tratavam.
Quando lhe falei em aulas de substituição, porque àquela hora os meninos deveriam estar ocupados e mantidos em salas de aula. O rei questionou-me acerca do significado das mesmas. Tentei dar uma justificação sucinta e a mais elucidativa possível. O monarca cofiou a barba e riu-se dizendo que as crianças precisavam brincar, saltar, correr…encantar-se, desencantar-se e sobretudo gastar as energias acumuladas. Segundo as suas palavras, a criança tinha de ser criança. Após uma breve pausa ainda acrescentou:
- Elas precisam de muito colo, de regras precisas e autonomia.
- Mas então o muito colo não estraga a autonomia e as regras? – Lembro-me de ter perguntado.
- Não meu amigo, é precisamente o contrário. Sem colo não existe autonomia. Uma criança amada tem mais sucesso que uma carente. – e continuou - os animais é que são amarrados a uma estaca. E às vezes deviam ser livres porque também pertencem à natureza.
Depois proferiu num tom pensativo que nas suas escolas havia regras precisas. Qualquer pupilo tinha direito a três tentativas, à terceira nunca falhavam. Se por uma fatalidade o educando não se corrigisse os progenitores teriam de se responsabilizar pelo caso.
Haviam casos esporádicos de mau comportamento. Nestas alturas o facto era endereçado imediatamente ao Tribunal de Menores. A escola terminava aqui a sua actuação. O Ensino Especial tinha sido criado para alunos com dificuldades de aprendizagem. Não se aceitavam discentes preguiçosos ou mal educados.
O rei na sua bonomia comentava que a escola não se podia transformar num depósito de “resíduos” de qualquer ordem. A escola proporcionava a instrução, a família a educação. A escola tinha de ser apoiada por outras instituições e associações a ela agregadas para auxiliar em situações mais complexas. Os mestres não podiam resolver assuntos que não eram da sua competência ou tutela.
E sobretudo vincou o facto de pais e professores estarem unidos pela mesma causa. Um futuro digno e mais feliz para todos. Pais, filhos, educadores e todos os que tornam possível o aperfeiçoamento da sociedade.
Ainda o questionei sobre o tal “ranking “, se não havia competição entre as escolas por causa dos resultados escolares dos alunos. O rei refutou que no seu reino as escolas andavam demasiado concentradas no seu trabalho, empenhadas no seu próprio sucesso que nem se lembravam disso. Logicamente os resultados seriam diferentes. No entanto havia apenas a preocupação de fazer mais e melhor com grande qualidade sem recorrer a truques de magia.
Interroguei-o acerca dos programas? O rei não demorou a dizer que isso pertencia aos próprios mestres. Eram homens peritos. Conheciam a realidade dos seus pupilos e por isso faziam os programas adaptados à realidade daquele reino. Valorizavam o conhecimento profundo de tudo o que existia e estabeleciam metas.
Quis saber do abandono escolar, o rei acrescentou que eu deveria vir de um mundo estranho. Ali, quase não havia abandono escolar. Os pupilos frequentavam a escola por gosto. Por amor ao saber. Se um aluno quisesse abandonar o ensino teria de ser informado de todas as consequências dos seus actos e depois podia naturalmente fazê-lo. Ninguém deveria ser forçado a estudar contra a vontade.
Cordialmente o rei pediu-me licença para ir resolver assuntos prementes.
Agradeci o acolhimento prestado e fui, também eu, me preparar para a viagem.
Fiquei maravilhado quando um fidalgo me comunicou que Sua Majestade, o rei, já tinha um navio dispensado para a minha ida e todos os mantimentos de que necessitaria para voltar a casa.
Quando finalmente nos despedimos o rei com os olhos rasos de água falou comovido:
- Meu príncipe, se o meu filho fosse vivo seria da sua idade.
- Oh, lamento muito majestade! – mostrei -me estupefacto por nada saber.
Abraçamo-nos emocionados e larguei o porto. Afastei-me umas milhas da costa.
Voltei-me para olhar uma vez mais aquele reduto de lugar e boquiaberto constatei que nada havia atrás de mim. Utilizei rapidamente o binóculo e não distingui nada. Senti-me confuso e em estado de choque! Segurei-me às cordas e fiquei abismado. Não podia ter sido uma alucinação. Tinha sido demasiado real.
Depois mirei as minhas roupagens e de facto não me pertenciam, e o navio que comandava tinha a marca do rei. Regozijei-me com o episódio.
Havia um fundamento de verdade na minha história. Agarrei o leme do navio e com a bússola no coração abençoei aquele rei e rumei velozmente para casa.
22 de Novembro de 08
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Sem inspiração
Oh Deus, Meu Deus, estas palavras!...
Ocas. Secas. Duras. Marginais.
talvez até banais
Emergem tão penosamente
É o pior castigo que há!
Não saber moldá-las
dar-lhes um sentido...
Conotativo,denotativo?
Não sei.
Que raiva!
Só sei que
quanto mais semeio
mais perco
O universo abriga um milhão?
Palavras quentes, transparentes
....carregadinhas de emoção
E eu vazia?!
Oh Deus da-me o condão
Porque estas palavras...que frustração!
Public
Ocas. Secas. Duras. Marginais.
talvez até banais
Emergem tão penosamente
É o pior castigo que há!
Não saber moldá-las
dar-lhes um sentido...
Conotativo,denotativo?
Não sei.
Que raiva!
Só sei que
quanto mais semeio
mais perco
O universo abriga um milhão?
Palavras quentes, transparentes
....carregadinhas de emoção
E eu vazia?!
Oh Deus da-me o condão
Porque estas palavras...que frustração!
Public
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Os Tiranos
Sua excelência instalado em seu trono
recusa-se a enxergar
julga-se o santo patrono
e deixa o ensino a baloiçar
Apelidou os pupilos de "burros"
a todos inferiorizou
O velhaco está perdido...
As nossas esperanças matou
de hipocrisia e cinismo
O paranóico ainda nos quer cegar!
É que esta juentude
aprendeu a diferenciar
crocodilos rosa e rinocerontes roxos
E NÃO SE ENGANOU!
É o protesto da nova mocidade
com o coração cheio de ansiedade
O filho de sua majestade já coroado
sente-se ferido pelos fedelhos
na sua superioridade
E deambula pelos corredores
em ruínas deste opulento palácio
Faz-se acompanhar de um fidalgo de categoria igual
Sinais visíveis que os tempos alteraram
Esperamos um vendaval
em estado de ebulição
A explosão vai arrasar!
A culpa é de sua majestade
que não sabe ser gente
Nós só queremos dialogar
O príncipe pouco valente
tenta a salvação
através de processos duvidosos
Na sua lábia espevitada não pede perdão
Tornando a nossa reivindicação
num acto dificultoso
O que pesa sobre os nossos ombros é pura tirania
A solução é um acto de rebeldia!
O soberano não permite conquistar
e só notas de pequenez nos quer dar
Ilude-nos com falsas verdades
promete mundos e fundos
até safiras
Na estética explica os valores naturais
não esquece os morais e sociais
Ludibriados caímos nas areias movediças
As plavras de sua majestade
castram a nossa criatividade como pinças
Este sistema grassa de vícios
e as escadas transformadas em precipícios...
Public.
recusa-se a enxergar
julga-se o santo patrono
e deixa o ensino a baloiçar
Apelidou os pupilos de "burros"
a todos inferiorizou
O velhaco está perdido...
As nossas esperanças matou
de hipocrisia e cinismo
O paranóico ainda nos quer cegar!
É que esta juentude
aprendeu a diferenciar
crocodilos rosa e rinocerontes roxos
E NÃO SE ENGANOU!
É o protesto da nova mocidade
com o coração cheio de ansiedade
O filho de sua majestade já coroado
sente-se ferido pelos fedelhos
na sua superioridade
E deambula pelos corredores
em ruínas deste opulento palácio
Faz-se acompanhar de um fidalgo de categoria igual
Sinais visíveis que os tempos alteraram
Esperamos um vendaval
em estado de ebulição
A explosão vai arrasar!
A culpa é de sua majestade
que não sabe ser gente
Nós só queremos dialogar
O príncipe pouco valente
tenta a salvação
através de processos duvidosos
Na sua lábia espevitada não pede perdão
Tornando a nossa reivindicação
num acto dificultoso
O que pesa sobre os nossos ombros é pura tirania
A solução é um acto de rebeldia!
O soberano não permite conquistar
e só notas de pequenez nos quer dar
Ilude-nos com falsas verdades
promete mundos e fundos
até safiras
Na estética explica os valores naturais
não esquece os morais e sociais
Ludibriados caímos nas areias movediças
As plavras de sua majestade
castram a nossa criatividade como pinças
Este sistema grassa de vícios
e as escadas transformadas em precipícios...
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