Ninguém mais do que eles podia ser Feliz no mundo...de mãos entrelaçadas bebiam o azul de cada madrugada . Rasgavam as montanhas num agitar aflito e louco de asas...a leve brisa matinal acariciava-lhes ligeiramente as penas. As bocas moviam-se num voluptuso beijo...o olhar permanentemente renovado. Cada afago , cada gesto ousado vibrava dentro deles...acendia milhares de desejos inébrios e desvairados
E eles cantavam, brincavam, gritavam e soltavam gargalhadas...dançavam valsas de alegria...
A Floresta comungava daquela agitação ...as árvores baloiçavam-se trémulas de comoção.
Eu observava-os, imóvel...e deliciava-me com toda aquela Beleza.
Porém, um fatídico cataclismo desabou sobre o pequeno paraíso... O sol caminhava alto , eles os dois desfrutavam o esplendor das água mansas e cristalinas , banhavam-se no rio...
Monstros gigantes e humanos acorrentaram-nos, um de cada vez...ninguém mais os viu na Floresta. O reino entristeceu, a felicidade murchou.
A minha alma seguiu-os, não podia abandoná-los à sua triste condição... muito menos ficar imperturbável ao destino dos fundadores da Vida na Floresta .
Foram enjaulados num sítio desterrado...cada um na sua cela. Lançavam um ao outro um olhar aflitivo, de dor e sofrimento.
A porta de uma jaula foi aberta e um deles foi deportado para longe dali.
A mão atroz e perniciosa do homem nao comprendeu o crime de separá-los.
E agora que iria acontecer? Como iriam resistir à distancia?
Ela quedou-se estática ,inerte, recusou alimentar-se...
Ele insurgiu-se contra quem lhe havia roubado, o que de mais precisoso tinha.
Sacudia violentamente as grades, atirava-se numa fúria de se ferir e sucumbir em sangue.
Gritava e o eco rouco repercutia-se no céu dos passarinhos.
Só eu soube o quanto sofreram e via-os morrer de Amor e nada podia fazer para tornar a uni-los.
Public em 99