quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cântico das Letras...

Escrevi alguns versos de Amor
também aprendi a cozinhar galinhas...
Um fogo ateou no meu peito calor
como em certas mulheres finas...

Não me ensinaram a plantar uma árvore
nem dei à luz um filho
nem por isso me sinto menos MULHER
Mas desejo escrever um livro...

Se concretizar apenas um sonho ...
de levar um canto às letras...
de traçar nas folhas o meu nome
morrerei num deleite risonho

Publicado em 91

domingo, 3 de maio de 2009

confissão

Mãe

no fim deste dia...
escuta o meu desabafo...
Estou aqui ,na droga de um quarto alugado
Ó mãe que tormento!
Dói-me tudo por dentro...
Sinto fome dos teus carinhos
Sinto fome das tuas preocupações
Sinto fome das tuas advertências
Mas que raio de frio é este?!
Já sorvi uns goles de Aguardente
É bem no fundo de mim que enregelo...
e este nó...
ameça-me o peito.
O trabalho é duro e absorve-me todo
A porcaria do tempo
assusta-me , estou mais velho
irreconhecível...
Quero viver ainda !!!
Tu sabes o que isso significa?
Olha, nem eu sei...
Ando para aqui...
Confesso-te minha mãe
que sinto medo
muito medo
de perder a cabeça...
E cometer uma loucura...
Às vezes queria morrer!!!
outras matar...nem sei bem....
Matar-me sem dó nem piedade
Matar o outro ...o meu outro, o malvado
o idiota chapado
Não te preocupes mãe...
eu engulo esta raiva, esta dor...tanto faz
Vou segurar este pesadelo de vida
até onde as forças me permitirem...
Se ao menos eu não tivesse crescido
mil vezes ficasse preso no teu regaço...
Como eu compreendo agora
a desgraça de se ser adulto!
Uma desgraça minha mãe...

Publicado em 2000

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O esforço de quem trabalha


O protesto

Revoltada?!

Revolucionária?!

NEGO-ME

A ceder
A calar
A admitir
A permitir...

Outra vez

Revoltada?!

Revolucionária?!

Sim, sou!

Não é Democrático?

É um direito

MEU

TEU

DELE

De TODOS

Façam manifestações...
Alguém terá de escutar a nossa voz

A VOZ DO POVO!!!

Já publicado

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O que penso...

Sempre
que ...
a Esperança interceda
o mundo modifica.

É urgente
compreender
o significado
de certas palavras...
certos gestos
certos olhares

Quebra as amarras...
as velhas crenças ...retrógradas...

Liberta-te da prisão
do medo
do comodismo

Abre os olhos
à verdadeira
beleza...

Corre riscos
Luta! Enfrenta! sangra!

Mostra o peito aberto

Não temas a tempestade...
Mesmo que a embarcação
se afogue...
Aprende
a defender
os teus ideais

Ama a verdadeira grandeza do ser humano!!!

Publicado em 89

terça-feira, 21 de abril de 2009

Os Revoltados

Agora carregam...
Pedras...
Paus
Picaretas
Pistolas
Espingardas...
Estão muito magoados
O coração endureceu-os
Voltaram...
ressequidos e sem perdão
Clamam vingança aos Opressores
Escutam-se gritos e lamentos!
São aos milhares...
Ninguém ouse calá-los
Trazem as mãos cheias de angustias
O sofrimento embruteceu-os
Aproximam-se velozmente
Transformaram-se em Monstros
Feras
Lobos famintos e bravios
Bradam horizonte além...
Não esquecem
QUEM OS ATRAIÇOOU!
QUEM OS HUMILHOU!
QUEM OS CONDENOU!
Das bocas abertas de fome marmorizadas
soam hinos de Fatalidade
Querem matar quem os Matou!!!
Tiveram fome
Estalaram de sede
Sentiram medo
O frio enregelou-os...
O calor insuportável
queimou-lhes as entranhas
Mas ninguém os socorreu...
NINGUÉM!!!

Publicado em 98

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A MORTE DOS PÁSSAROS

Ninguém mais do que eles podia ser Feliz no mundo...de mãos entrelaçadas bebiam o azul de cada madrugada . Rasgavam as montanhas num agitar aflito e louco de asas...a leve brisa matinal acariciava-lhes ligeiramente as penas. As bocas moviam-se num voluptuso beijo...o olhar permanentemente renovado. Cada afago , cada gesto ousado vibrava dentro deles...acendia milhares de desejos inébrios e desvairados
E eles cantavam, brincavam, gritavam e soltavam gargalhadas...dançavam valsas de alegria...
A Floresta comungava daquela agitação ...as árvores baloiçavam-se trémulas de comoção.
Eu observava-os, imóvel...e deliciava-me com toda aquela Beleza.
Porém, um fatídico cataclismo desabou sobre o pequeno paraíso... O sol caminhava alto , eles os dois desfrutavam o esplendor das água mansas e cristalinas , banhavam-se no rio...
Monstros gigantes e humanos acorrentaram-nos, um de cada vez...ninguém mais os viu na Floresta. O reino entristeceu, a felicidade murchou.
A minha alma seguiu-os, não podia abandoná-los à sua triste condição... muito menos ficar imperturbável ao destino dos fundadores da Vida na Floresta .
Foram enjaulados num sítio desterrado...cada um na sua cela. Lançavam um ao outro um olhar aflitivo, de dor e sofrimento.
A porta de uma jaula foi aberta e um deles foi deportado para longe dali.
A mão atroz e perniciosa do homem nao comprendeu o crime de separá-los.
E agora que iria acontecer? Como iriam resistir à distancia?
Ela quedou-se estática ,inerte, recusou alimentar-se...
Ele insurgiu-se contra quem lhe havia roubado, o que de mais precisoso tinha.
Sacudia violentamente as grades, atirava-se numa fúria de se ferir e sucumbir em sangue.
Gritava e o eco rouco repercutia-se no céu dos passarinhos.
Só eu soube o quanto sofreram e via-os morrer de Amor e nada podia fazer para tornar a uni-los.
Public em 99