"Abro as pernas e as palavras se contraem
A tua língua se apropria do meu texto,
tua fala sempre bem dita.
Fecho os olhos:
teu poema me penetra,
nossas palavras gemem,
a poesia grita.
Mas eu guardo em segredo minhas frases mais aflitas.
(Pelo menos dessa vez não vou deixar que o meu medo te pareça abandono.
Pelo menos dessa vez não vou supervalorizar
nossa história que é apenas tão bonita.)
Vou deixar que se enfie em mim com os dedos
membro,
língua e malícia.
E o teu corpo,meu tutor
se apropriar do meu sem dono,
num abraço pélvico
escorregadio
num enroscamento
longo
qual novelo de delícias.
Nem importa mais se a nossa música já não toca ,
que nos toque em silêncio essa carícia."
Anónimo (desconheço o autor)