I
Trago nos olhos sonhos vividos
as mãos atadas em poesia
Meu coração lateja envelhecido
cheiro a lânguida maresia
II
Meu amor possível no céu
rosa brava por desfolhar
Minha sina a cigana leu
meu poeta deixa teu coração declamar
III
Pudesse eu entregar-te meu fado
com lábios mudos de espanto
Um amor que foi fogo ateado
lava escorrida num mar deslumbrante...
IV
A mágoa esqueço quando estou contigo
teu jeito acolhe-me com doçura
Se desminto a verdade... não sei que digo
em meus braços sinto-te nua e pura
V
Estendo-te os braços,peco compreensão
minha vida é desvairada ventura
Minha alma delicia-se com feroz emoção
nesse sorriso prenhe de candura
VI
Na curva final beijo-te a boca
minha alma caída vai chorando
Chamo-te aos gritos como uma louca
Seguro-me à vida ...finjo cantando...
Publicado em 98