sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A minha segunda experiência


Poesia de Delfim Dias

Não passei por aqui

Ó poetas parai!
Quebrai as canetas !
Deixem-se de filosofias baratas
que não passam de tretas
Perdoai-me o que já escrevi
Mas vale mais uma pequenina descoberta científica
Que todas as quadras que já li!
A minha caneta não parte!
A ciência não é o meu forte!
Se de nada perceber também é arte
Sou um homem de sorte.
Não pensem que ando à deriva no mundo
Por muito mudar de direcção
Correm diferentes caminhos as veias do meu corpo
Todas vão dar ao coração
Não me preocupa o ser original
Nem procuro o primeiro lugar
Quero ser uma "catana"
Na selva onde eu passar!

Voz de : Pedras Nuas

sábado, 2 de outubro de 2010

No êxtase da chuva

Inspiro a bruma
o peito sobe...
a névoa pálida
leva-me ao céu
A meio do Inverno
em taças de espuma
sorvemos a bebida
pura,cristalina...
Num rumorejar perene
o nevoeiro galga-me a boca
rendido...entra em mim
Sem pudor...
toma-me por fim
Em gestos bruscos
 deixa-me louca...
O vento morde-se de inveja
assaltado por visões imortais
A nostalgia enterra a vergonha na grama
Os reflexos escondem mil cristais
Então o tempo muda
afasta o nevoeiro
e exibe as mãos alvas e esguias
Toma-me de assalto,causa-me arrepios
Sacode os cabelos longos e ondulados
enlaça-me num abraço frio
nos olhos...um fulgor maroteiro
Rasga-me as vestes em tiras de papel
indefesa entrego-me assim...nua
E no desvario da sua expressão
cala-me o pensamento
ruidoso suga-me os mamilos
com total sofreguidão
A chuva penosa chora baixinho
a sua triste canção
 As flores  encharcadas de água
bocejam com um ar resmungão
Os pinheiros altos
esguedelhados
ondulam excitados
roçam-se contra o ar
esfiapados...
A floresta lúgubre
e embevecida
escoa em sussurros e gemidos
O tempo tomba sobre mim
vencido pelo cansaço
pelo fluído solto
A terra surpreendida palpita docemente
povoada no corpo por biliões
de gotículas minúsculas
com o aroma delicioso.

Destina-se à Fábrica de Letras e o tema de Outubro é "O cheiro da chuva"





quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A minha primeira experiência



Destina-se à Blogagem Colectiva Espaço Aberto-Tema: Uma Música para quem amamos.

Poema de Emanuel Gomes:"Página em Branco"

Vocalista: Pedras nuas

Esta página em branco...
Quero enchê-la de palavras
que em silêncio murmurarei ao teu ouvido.
Quero fazer dela um leve zumbido que te toque na alma.
E com ela...
Sermos dois amantes...Duas noites...Duas vidas...
a dormir na tarde calma.
Fazer com que o sangue da tua face
seja o sangue da nossa face!
Ai!...Eu quero o nosso mundo à parte!
Um mundo fora das restrições deste mundo
onde as azáleas e os jasmins
brilhem no nosso jardim.
Havemos de fazer da nossa vida um rio...
Donde os prantos...As lágrimas ...As mágoas
tenham partido num pequeno navio!
Ah!...Afagar os teus cabelos louros ao vento.
Folhear as páginas brancas e puras do livro que és...
E sonhar contigo à noite!
Não!...À noite não!
Porque no nosso mundo não haverá noite...
Haverá o orvalho da tarde a entardecer.
Ouve...Escuta!...
As aves já nos fazem o ninho
e numa grande copa de alto pinho
já vejo a minha página em branco.
Que já não é choro nem pranto
... um leve e belo lençol de linho!
Emanuel Faria Gomes

domingo, 19 de setembro de 2010

Inúteis palavras?

Não sei mais nada!
não saberei mesmo?...
talvez devia saber
Provavelmente é muito tarde
para revelar o que não posso dizer...


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nem ouses...

Diz-me que os rios cantam e confluem para o mar
as andorinhas cruzam o céu
e as velas enfunadas se enchem de ar
'
Diz-me que hás-de trazer as manhãs
calar as noites escuras como breu
e comigo caminhar sempre a par
'
E sobretudo não me mintas
E sobretudo não me enganes
pois farei...
Silêncio!
silêncio dos inocentes
silêncio dos que não perdoam
Silêncio dos que não calam nem consentem
nas atrocidades de Alguém ausente
E farei maior silêncio
dos que mordem a alma
pois tendo perdido tudo
sangra a mágoa e morre a calma
'
Entrei descalça
percorri o lago
não havia murmúrios
incauta dancei uma valsa...
'
Queria que estivesses aqui
corresses para mim
e num gesto doce me enlaçasses
'
Diz-me que em ti existe a pureza da espuma
que o teu sorriso
raio de sol
não se converterá em bruma
'
Diz-me que a tua boca é honesta
porque apenas sei o que me contas
Não tornes este Amor uma manhã funesta
nem me tomes por uma daquelas meninas tontas

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A noite, testemunha ocular

Foram dias de demora
puxados num ápice
Línguas trocadas
roçadas
Saliva de uivos
salpicadas de ternura...
Noite adentro
corpos orvalhados
paisagem serena
amena
o aconchego do abraço
terno sossego
Uma estrela acende ...
e o desejo roça
acorda
A água mansa
rola nas pedras
num burburinho
inaudível
Solta-se o soluço
e o caudal
transborda
O turbilhão resvala
a pressa da ânsia
arrasta os poros
desprende-se
do leito
e cavalga frenética
A lua gulosa
tão prenha
tão redonda
tão sequiosa
tão fogosa...
O incêndio aviva-se
O quarto é pequeno
a vontade não cabe
naquela cama
É urgente ir mais longe
trepar paredes
cadeiras
mesas
sofas
sem pudor
sem receio
sem medo
de sentir...
Respirar sofregamente
em perfeito movimento
ora louco
ora rouco
arquejante
o momento...
Gemido dorido
Soluço abafado
convulsão
espasmo...
O fluído impaciente
desemboca
na tua boca...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Passei por lá... vi...e senti o calor...




O INFERNO DE ALMAS PRESUMIVELMENTE ENCANTADAS...