quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bicadas da minha pena IV


M- Não, não quero casar contigo!
H- Porquê se nos amamos?!
M- Porquê? Mudei meu amor...
H- Qual foi a transformação que nem notei...
M- Quero me conhecer mais profundamente, quero ser independente e agora começo a apreciar ainda mais a minha liberdade!
H- E que pretendes fazer com toda essa liberdade ?
M- Nem queiras saber...
H- Aposto que nem sabes, estás a ganhar tempo para inventar uma razão que justifique  esse capricho.
M- Engano teu, meu lindo...pretendo ser bem sucedida,viajar bastante, jantar em bons restaurantes...e divertir-me com o meu grupo de amigos...
H- Não te faltará nada ?
M- É óbvio que sim...
H- Um bom casamento!!!
M- Não meu querido, o casamento é um fracasso!!!Não preciso de um marido para ter segurança financeira,status ou filhos. Quero um homem para suporte emocional ,intimidade e amizade...
H- Tudo tretas!!!
M- Não, a isto chama-se independência, auto suficiência,...não me imagino nem mais um dia a dividir o meu dinheiro com alguém ou a ter que prestar contas de quanto gasto numa compra para mim.
H- Isso é tudo conversa...modernices que raramente correm bem...E a solidão? e a falta de sexo?
M- Preciso dessa solidão,gosto de estar sozinha e fazer aquilo que mais me dá prazer...e meu querido, casamento e bom sexo não rimam...a experiência diz-me que partilhar a casa, a intimidade e todos os outros aspectos do quotidiano é um dos piores inimigos do desejo.
H- Julgas-te capaz de ser feliz assim?
M- Descobri que adoro ser solteira e não estou sozinha, simplesmente adoptei um novo estilo de vida...
H- Grande coisa,cabecinha pensadora...
M- Sabes, eu não me vejo como vítima do mercado matrimonial, posso  namorar contigo mas  não pretendo casar...é só isso. E vou gastar mais  energia e investimento na carreira profissional...
H- Mas neste caso tenho uma palavra a dar...
M- Diz
H- Quero me casar!!!
M- Pois que seja mas não comigo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bicadas da minha pena III

Proibir não é o caminho, mas incentivar também não. Na pré-adolescência, é natural que os seus filhos vejam pornografia- principalmente se forem rapazes. Saiba o que deve fazer se, ou quando, tropeçar numa revista daquelas...por Vera Moura  e Tânia Pereirinha

Os pais devem falar com os filhos sobre o que viram e explicar que aquele mundo ainda não é o deles.
Sofia Nunes da Silva diz que estes casos são comuns, principalmente no universo masculino. "Na adolescência há uma necessidade de explorar, de saber como fazer. Começam a surgir os primeiros desejos e é natural que eles vejam pornografia. Faz parte do crescimento e não deve ser proibida. É como a masturbação, que também deixa os pais muito aflitos, mas que é normal."
Se não devem proibir, também não devem incentivar. "Não é suposto que comprem revistas pornográficas aos filhos", alerta a especialista. " mas se têm uma mesada devem poder fazer dela o que quiserem"

Os especialistas aconselham a manter o computador portátil na sala quando os miúdos são pequenos
As crianças podem ficar  assustadas com as imagens que vêm e, como não têm maturidade sexual ou afectiva para as compreender, isso desencadeia fantasias e até pode condicionar a forma como vão encarar a vida sexual.
As crianças e o sexo Online
A INTERNET TORNOU FÁCIL O ACESSO A CONTEÚDOS ANTES DIFÍCEIS DE OBTER

25% Das crianças que utilizam a Internet já visualizaram acidentalmente pornografia e/ou violência , de acordo com o Norton Family Report
10 anos é a idade média com que os rapazes começam a ver filmes pornográficos, segundo um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá.
68% das crianças portuguesas acedem à Internet, diz a investigação do projecto Eu Kids Online
30% dos pais sabem que os filhos já tiveram acesso a conteúdos impróprios na Internet

A psicóloga, Sofia Nunes, diz que certas imagens podem deixar marcas e até condicionar a sexualidade.

SÁBADO

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nem sei...

Eu tinha a vontade aqui mesmo…
As palavras na mão
O rebuçado desembrulhado
Pronto para ser provado…
Que estúpida distracção
Iludi-me tanto
Enfrasquei-me de sonhos
Todos fresquinhos …
Peixe-espada, sardinhas…tanto faz…
E não sabia
O quanto me perdia
Foi tudo desencantamento
Descalabro completo
Drama ou comédia?
O fogo apagou!
Nem chegou a ser um tormento!!!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Então é natal...




O espírito evoca fenómenos passados

trazidos em grãos de esferovite

Omo branco de neve pura

embebido em água límpida e fresca

o líquido corriqueiro

escorre porta abaixo

corre quintal adentro

galga escadaria acima…

A frescura com cheiro

a ar próprio

arromba as portas antigas da velha casa

lambe as vidraças

em gestos vigorosos e friccionados

Os tapetes com desenhos orientais

submergem no lavadouro

O escaparate comprado ao rei D. Carlos

abre gavetas e saem prateleiras

As loiças tombam, mergulham

dentro do alguidar

num baptismo de água em bolhas coloridas

A massa da farinha incha nos tachos

ao calor da lareira

O sino da capela chama para a missa do parto

E ao fim da noite princípios do dia

olhos pestanejam de sono por dormir

e lábios bocejam

A faca espeta-se nas goelas do porco

E o furo jorra sangue quente

Pobre animal atraiçoado e sacrificado na festa.

E eis que surge a passo lento

Num silêncio devoto

A mãe…

Traz a criança nos braços

A seu lado, ombro com ombro

o pai numa fiel cumplicidade.

A vaca e o burro acercam-se

Cada um toma a sua posição

Como se uma fotografia os retratasse

Os pastores andam trauteando

quadras ao vento…

e ao avistarem tão lindo quadro

curvam-se e adoram maravilhados

o nascimento do menino.

O anjo chega atrasado

e revela atarantado:

- Os reis Magos vêm chegando…

A vaca molengona exclama presunçosa:

- E trazem ouro!

O burro atento completa vaidoso:

- Esqueceste o incenso e a mirra…

O pinheiro alto

rompe o telhado da sala

espeta-se numa estrela

Outros astros estremecem

resvalam de comoção

prendendo-se nos galhos

do esguio pinho.

A espiguilha enlaça-se

E a gambiarra também

O pinheiro alvoroçado

pulsa de agitação

O canto anuncia a missa do galo

Depois

A canja é servida quente

O peru recheado jaz sobre a mesa

Ao lado a travessa de carne vinho e alhos

não faltam as sobremesas

Bolo de laranja, Bolo de família, Bolo de mel…

Broas de manteiga, broas de mel…

Licores viscosos e doces

Sumos…

Vinhos caros

O alvoroço toma conta da família

As crianças brincam sobre o soalho polido de cera

O aroma de ensaião, o aroma do alegra campo,

o aroma das manhãs de Páscoa

e o aroma dos junquilhos

cruzam-se e misturam-se…

O regato chorão contorna

rochas de papelão

o luar solene sopra compaixão…

Cantam rouxinóis hinos de louvor

e assim o presépio lembra o céu…

Àquela hora bendita a campainha ressoa

Apressam-se a atender

É a “muda”, a pobre que vem de longe

De uma outra esquina para pedir de comer

Repartem o pão e o vinho

E estendem-lhe a mão.

Saciada a fome do corpo e da alma

A pobre triste e remendada

Sai dali de alma cheia

E bem alimentada.

E o regato chorão contorna

rochas de papelão

o luar solene sopra compaixão…

cantam  rouxinóis hinos de louvor

e assim o presépio lembra o céu…

Destina-se ao Espaço Aberto - Tema: Então é natal...




sábado, 11 de dezembro de 2010

Quarta experiência


Poema de Nilson Barcelli

Ao tocar a tua luz



Há, em certas coisas que me assaltam,

uma intriga de átomos

na procura quântica da sua órbita

que nem eu próprio sei esclarecer.



A cada passo,

visito esse covil de nevoeiros,

onde florescem as dúvidas

edificadas em raízes engordadas pelo diabo

ou em destemperos, que

[à falta de melhor ideia]

atribuo a deuses brincalhões.



Vacilo no indagar e penso,

mas ao meu ânimo é abismo

o patamar onde o palpável do ser

se confunde com a miragem.



Mas tudo fica claro ao tocar a tua luz,

talvez porque os átomos girem ao contrário

quando chegas até mim

com a nudez de uma pedra preciosa.


Voz de Pedras Nuas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bicadas da minha pena II

FILHOS DE NINGUÉM

Tudo o que ainda se possa acrescentar, à já tão famigerada problemática que envolve a Casa Pia, não considero ultrapassado, nem é demais, ao contrário do que alguns afirmam. Nada é mais importante que a vida de uma criança. Quem tem filhos e ama-os de verdade sabe isso!


Existem outros assuntos com cobertura televisiva exagerada e nenhum português se sentiu lesado por isso, porque é que desta vez tinha de ser diferente? Parece-me que os meios justificam os fins. Ainda bem que se gastou muito tempo com os filhos de ninguém! Mereceram-no! Não era para menos! São recordados hipocritamente no Natal ou quando a fatalidade cai-lhes em cima. Nefasto e perverso foram os constantes abusos sexuais, os maus-tratos, as perseguições, a total falta de respeito pela dignidade de seres humanos indefesos! Felizmente surgiram as reportagens e debateu-se o que foi durante anos repisado, oprimido, proibido, tabu. As entrevistas chocaram porque finalmente falou-se de factos abomináveis mas consumados. As imagens mostraram ao mundo a imundície que escondiam. Fui uma telespectadora atenta e nem por isso me sinto doente! Muito provavelmente os excessos contribuíram para o caso não cair em saco roto, ou no total esquecimento!


De quem é a culpa que hajam pessoas consumidoras inveteradas de tudo o que a TV.passa? Se são menores a responsabilidade não é dos pais? É consumidor quem quer! A vida tem outros prazeres! Imagens chocantes?! Os noticiários transmitem isso mesmo diariamente, imagens chocantes, às vezes uma forma de acordar consciências adormecidas. Isto não é só pedofilia, é crime organizado, a rede tem de ser desmantelada. Eu também prefiro imagens bonitas, coloridas, artísticas, com estética! Porém o mundo ultimamente é-nos transmitido a preto e branco: a violência, o absurdo, o abominável…A verdade crua e nua deste mundo. Não vale a pena fugir para não ver, para não pensar, os acontecimentos estão aí! Os pormenores foram factos vividos por crianças brutalmente violentadas no mais íntimo do seu ser! Esta calamidade reporta-me aos campos de concentração nazi e àquele período da história igualmente vestido de roupagens escuras; a inquisição, para não lembrar outros!... Descubra-se as diferenças e as semelhanças!...


Os colarinhos brancos têm as suas vidas arrumadas e nada pior que uma denúncia para desestabilizar os seus confortáveis tronos! Não lhes pesa na moral as vidas que deixaram para trás desarrumadas! Penso que foi positivo a acção desencadeada pelos meios de comunicação social. Os actos sórdidos não podem nem devem permanecer “refugiados” no próprio termo que designa e define esta maldita demência. Finalmente o silêncio foi quebrado! Sacudiu-se a estrutura inabalável de um mal que vem de longe, mas que tem rostos, nomes e actos obscenos praticados. Que se faça justiça para que a justiça deixe de ficar tão mal na história!


No que concerne à prescrição, é ridícula, como dizem alguns e com razão, o crime compensa. Esta gente nunca foi julgada nem será?! Permanecerá impune? Se apagarmos o passado pura e simplesmente, quem vai apagar o sofrimento destes homens cuja meninice foi roubada precocemente? A infância é muito importante, é a pedra basilar para o desenvolvimento, progresso, realização e bem-estar de qualquer adulto Todos foram culpados, de um lado ficam os criminosos do outro os cúmplices, quem cala consente! Costuraram os olhos para não ver, amordaçaram a boca para não denunciar, ensurdeceram para não ouvir! Continuaram as suas vidas impávidas e serenas como se nada estivesse a acontecer. Tanta sujidade num país de brandos costumes! Irónico, não é?! Só espero que os culpados sentem no banco dos réus, que é o tratamento aplicado a todo e qualquer cidadão! Quer sejam: doutores, professores, jornalistas, actores, apresentadores, embaixadores, filósofos, humoristas, membros do clero…Faça-se justiça num país onde impera a corrupção; é no futebol, na GNR, na PSP, no caso Moderna…são escândalos atrás de escândalos. A vergonha Nacional! Mas infelizmente há quem ainda se ponha a comparar os nossos erros com os da vizinha Europa, pensando que desta forma desculpam as nossas asneiras, é mais fácil ver o cisco no olho do outro do que ver o nosso!


A verdade deve ser apurada e o BEM triunfar sobre o MAL, doa a quem doer.Durante dois anos leccionei numa escola considerada de risco, sei como são estas crianças, sofrem de abusos e ofensas corporais, de muitas privações, de torturas, de abandono, normalmente dormem cinco, dez, doze no mesmo quarto, o pai acoólico, a mãe alcoólica, droga pelo meio, enfim…, o rendimento escolar é quase nulo, contudo, qual de nós pode criticar e exigir mais, é tudo o que podem dar! Esse pouco necessita do nosso incentivo porque a sua auto – estima é fraca.Temos, até de lhes ensinar a receber um elogio, pois nunca receberam!


A pedofilia tem de ser combatida, é uma doença perigosa porque a principal vítima é a criança, que quase sempre é ameaçada e coagida a permanecer em silêncio, e atenção, o pedófilo pode estar ao nosso lado, sob o mesmo tecto. Não vivamos constantemente desconfiados, porém, quando um menor vem narrar um episódio estranho, devemos dar-lhe crédito e procurar descobrir se é ou não verídico.Quem ama tem o dever de proteger.Nós é que sabemos o que desejamos para os nossos filhos!


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bicadas da minha pena

“O corpo”




Vi e foi numa recta final de sábado, um desses que já passaram...estava curiosa e de repente uma amiga surgiu na hora certa com um estojo recheado deles...lembro que nesse dia não me sentia lá muito bem!!! Aquelas crises de meia idade que nos batem à porta sem pré aviso! E lá chovem uma série de dúvidas, receios, medos, frustrações e constatações...não muito agradáveis... subitamente somos assaltados por uma vontade insuportável de chorar e de não querer ter ninguém por perto... Ficamos então a curtir aquela sensação de náufrago que resvala nos meandros de uma depressão, que sem grandes dramas morre um ou dois dias depois …

Retomando o fio à meada, nesse fim de tarde...segurei o estojo e sem mais delongas tirei um filme para visionar no computador...A película intitulava-se; “O corpo” com António Banderas, interpretando o papel de padre! Sem querer entrar em pormenores, porque a ideia não é recontar a história, pois isso não faria sentido e seria enfadonho! Tudo começou quando uma arqueóloga descobriu um túmulo e as ossaturas de um homem que tudo indicava serem as de Jesus Cristo!!! A polémica instalou-se, e é naturalíssimo que gerasse grande confusão entre as partes envolvidas: israelitas, palestinianos, Vaticano… Um dos padres amedrontado com a ideia, suicidou-se, e essa morte remeteu-me para a morte colectiva da humanidade crente numa fé cultivada durante séculos....! Seria realmente trágico se hoje a ciência provasse que a ressurreição de cristo nunca acontecera ... Que tremendo abalo para todos aqueles que acreditam no Filho de Deus! Penso que a igreja tudo faria para que a verdade fosse calada e poupada a escândalos… O final é realmente surpreendente, quando António banderas deixa cair o engenho explosivo, correndo, ele próprio risco de vida, contudo, impediu assim que soubessem o que quer que fosse acerca da identificação do ossos. Depois ele deixa o Vaticano porque apercebe-se que foi usado pelos membros do clero para esconder os factos, e sobretudo, chega à conclusão que não necessita da igreja para ser um homem de fé.

 8 de Março de 2006