segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sétima experiência

Poema de António Feijó


"Ideal"



Onde moras? Onde moras?
Se adivinhasse onde moras 
¾ Em frente da tua porta, 
Olhando a tua janela, 
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas. 
Sem ti a vida que importa? 
A vida, nem penso nela... 
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas, 
Em frente da tua porta, 
Olhando a tua janela...
Onde moras? Onde moras?
É num castelo roqueiro?
Se é num castelo roqueiro, 
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto 
À beira-mar sobranceiro, 
Com a minha fantasia
Irei tomá-lo de assalto, 
Esse castelo roqueiro, 
Erguido na penedia,
Sobre o rochedo mais alto, 
À beira-mar sobranceiro...
É nos abismos do mar?
Se é nos abismos do mar, 
Sob a múrmura corrente, 
No teu leito de amaranto
Irei também descansar, 
Ficando perpetuamente 
Naquele perpétuo encanto 
Do Rei Hárald Horfagar... 
No teu leito de amaranto 
Irei também descansar, 
Naquele perpétuo encanto 
Do Rei Hárald Horfagar.
É numa estrela, ilha de ouro?

Se é numa estrela, ilha de ouro, 
¾A Via-láctea é uma ponte, 
Subirei por ela ao céu...
Para achar o meu tesouro
Não há remoto horizonte,
Nem Sagitário ou Perseu...
Onde moras? Onde moras?
Se adivinhasse onde moras
¾ Em frente da tua porta, 
Olhando a tua janela,
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas. 
Sem ti a vida que importa? 
A vida, nem penso nela... 
Veria passar as horas,
As minhas últimas horas, 
Em frente da tua porta,
Olhando a tua janela 
Numa extasiada emoção. 
Dize-me pois onde moras, 
Se porventura não moras 
Dentro do meu coração...


Autor: António Feijó
Editado por: nicoladavid
Voz- P.N.


sábado, 14 de maio de 2011

Só no olhar dos cegos

Só no olhar dos cegos
No subtil olhar trémulo
Há em mim réstia de sol…
um bosque de alfazema
Um agitar de asas…
No subtil olhar dos cegos
Tornei-me heróica nem nenhuma heroicidade
 Para todos os outros sou
Pobre
Sem castelos
Sem tesouros
nem louros
Sem talento
Sem nada…
Falta-me o dinheiro
maldita carência …maldito castigo
a mão vazia…
projecto sem abrigo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Deixa...


Deixa meus dedos
opalinos
descerem teu corpo
numa melopeia
de vento quente.
Deixa lamber tua pele sedosa
em sussurros …
em murmúrios…
na descoberta do fruto proibido.
Deixa minha língua insubmissa
franjar 
o teu medo secreto.
Deixa à mostra
essa maresia
de cabelos ondulados
ornado com conchas verdes
e sóis na tua boca…
Deixa-me ser sal, doce e pimenta…
E sorver todo teu bafo hortelã…

domingo, 24 de abril de 2011

Sexta experiência


Poema de Maria Guilhermina de Góis Chaves "Moinhos de vento"
Fotos /Voz  Pedras Nuas