quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Já não me encantas...

Os teus lábios murcharam por falta de água dos meus. 
Os meus secaram...
e nem uma sílaba, nem uma palavra inteira
escutarás da minha boca
que não foi feita
para beijar a tua...
Recuso essa música clássica
essa prosa
leprosa
que sai da tua cabeça louca...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nada a dizer...

O tinteiro tombou…a tinta espalhou-se e bebeu o poema
no seu lugar apenas uma mancha escura…
Procurei-me no papel…nada...
Nada sobre  mim… 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quando eu morrer




Quero que fiquem contentes
Quero que se embebedem
Quero gargalhadas a ecoar nos meus ouvidos
Quero que  lancem foguetes
Quero que se riam e riam mais ainda
Mais do que antes
Quero que corram para a praia
Nus e tontos e loucos
Uns a cavalgar os outros…
Amem-se muito
Amem-se todos
Sou o rei! Viva o rei!
Ordeno que se divirtam!
E a minha última vontade
Nunca exigi nada…
Porque o nada é coisa nenhuma…
E durante a temporada
Que por cá andei
Nunca  acertei o meu passo ao vosso
E a minha vida foi aquilo
Que todos viram…
Pura diversão
Sem gastar mal
Um tostão…
Comprem-me
um smoking
Não peço mais nada
Por favor
Nada de rezas
Nada de lágrimas
Nada de missas
Nada de cânticos
Nada de terços
E que as portas do Inferno
Se abram para mim…
Não, para o céu não
Não quero santidades…
Antes o pecado
Rubro
Quente
Soberbo
Alegre
Antes queimado
Bem-humorado
Sempre… até à eternidade….
P.N.
( Inspirado na conversa que tive com o rapaz  da foto que é extremamente divertido)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um tesouro

A memória atraiçoou…
os dedos frágeis e trémulos
não conseguiram suportar o peso
das sílabas, da rima…
o poema afundou…
procurou no quarto dos brinquedos…
mas nessa altura
a alma andava perdida
algures metida
muito recolhida
sem inspiração
sempre pensativa
quase muda
o sol nasceu…
e o calor incendiou
a casa dos sonhos
a água bebeu
a terra prometida
e …
depois
impelido do novo brilho
procurou outra vez o quarto dos brinquedos
mas desta vez encontrou
um quarto de estrume…
só que  agora
a  alma
descobriu novo fôlego
trouxe na sacola alento
nos cabelos a paz
no coração a glória
o cavaleiro de espada à cinta
fez-se então à merda
lutou
chorou
uivou
sangrou
depois
assobiou
riu
cantou
conquistou
e um verdadeiro  tesouro encontrou…

sábado, 18 de junho de 2011

Oitava experiência

De Jorge de Lima - "Essa Negra Fulô


Ora, se deu que chegou
(isso  faz já muito tempo)
no bangüê de meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá a chamar a negra Fulô)

— Vem forrar minha cama
Vem pentear  meus cabelos,
vem abotoar meu vestido
Que estou cansada, Fulô!


Essa negra Fulô!

Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!



Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!


Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem balançar minha rede
vem coçar minha coceira
Vem me catar cafoné
Vem me contar uma história
que eu estou sono, Fulô!
Essa negra fulo…
Era um dia uma princesa
Que vivia num castelo
Que possuía um vestido
Com os peixinhos do mar
Entrou nas pernas de um
Pato, saiu nas pernas de um pinto
O Rei- Sinhô me mandou
que contasse mais cinco


Essa negra Fulô!



Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da sinhá)
Vá botar para dormir
esses meninos, Fulô!
"minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou".

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá
Cadê meu terço de oiro
Que teu Sinhô me mandou?
— Ah! Foi você quem roubou!
Foi você negra Fulo
Esta negra Fulo
Esta negra Fulô

O Sinhô foi ver a negra
levar colo do feitor.
A negra se despiu toda
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô).


Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulo! Ó Fulo!
Era a fala da sinhá chamando a negra Fulo
Cadê meu frasco de cheiro
Cadê meu cinto de broche,
Cadê o meu lenço de renda
que teu Sinhô me mandou?
Ah! foi você que roubou!
foi você negra  Fulo
Essa negra Fullô
Essa negra Fulô


O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
arrancou o cabeção,
e dentro dêle pulou
nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você quem roubou,
foi você, negra fulô?

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulo

Voz e arranjos de Pedras Nuas