segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Bicadas da minha pena

Os "insetos" mexem com a minha paciência...grande poluição sonora...cacos a encher-me os olhos...a picar-me a boca ...o espaço é meu...e vós sabidos emprenhais por todos os orgãos de tão estúpidos que sois ....e nem sabeis que a matéria que vos compõe é papel pardo.... tosco, bronco, fosco....

Em dia de desabafo 

P.N.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pleno Agosto


Chove … o para-brisas
pestaneja
uma dor de cão …intensa
esbraveja
O mar é imenso
Sem caravela , sem glória
Nu, despido …avança sozinho
Tarde adentro
O aguaceiro aperta o passo
As pupilas correm
céu fora…
O firmamento é denso
Escuro
Desbotado
Sem futuro…
Sem resposta
A dor estende-se
Estica-se
Devasta …
Apetece ser mau…
Ser cru
Bater no cimento
Dar murros
Furar a parede
Ir rio abaixo
e....
perder o  medo.
PN 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quando eu morrer

INTERDITO A MENORES!!!_ 
Poema e voz_ P.N.
Fotografias _Não São minhas
Da minha autoria_ Fotografia e recriação das mesmas
Fonte: Diversas revistas — em Terra do Nunca.

PAUSA___ Amigos, desejo-vos um Excelente Agosto! Sempre grata pela vossa presença. Sei que estou em falta com muitos de vós...quando regressar tentarei não esquecer de visitá-los um a um. Beijos e Abraços__Té lá...

domingo, 15 de julho de 2012

" A Condessa"



Estas são as palavras de um jovem que se apaixonou pela viúva Isabel  Báthory… o filme é baseado nas suas palavras:
“ A História é um conto narrado pelos vencedores. Quem são os vencedores? Guerreiros bárbaros, reis loucos, traidores gananciosos. Talvez a maior parte da nossa História seja feita de fábulas fabricadas pelos guerreiros vencedores.
Esta é a história da Condessa Isabel Báthory. Não apenas como a História a recorda mas também como eu a recordo.
( Quando o pai do jovem apaixonado rapta o filho a fim de impedir que fuja com Isabel)
- Ela está à minha espera desde ontem…
- Eu soube do seu insensato plano de fuga. Ela tem inúmeros servidores. Meu filho, seria apenas mais um.
- Não creio que ela sinta por mim o que sente pelos outros amantes.
-Conseguiu dela o que queria, tudo o que é conquistado é destruído.
-Conquistado? Se o objetivo  era honrar a condessa Báthory , sim, o objetivo foi alcançado mais uma vez. Mas ao contrário do pai, não vejo nada destrutivo no ato do amor. Não falamos de conquistas de terras ou de um rival que tem de ser abatido. Falamos de uma mulher gentil e dos nobres sentimentos que partilhamos .
- O mesmo nobre sentimento que partilha com a Baronesa Von Kraj?
- Sabe bem que não voltei a vê-la desde que conheci  Isabel. Eu amo-a pai!
- O amor é um mito para manter as mentes de jovens camponesas e das virgens ocupadas com um sonho. Não tem lugar no nosso mundo.
- No seu mundo ; Mas não compreendo. Seria benéfico para si se eu casasse com Isabel.
- Para me dar uma pequena parte da terra dela? Ela nunca casará consigo. O seu sangue não é suficientemente nobre.

Carta que  Darvulia deixa depois de ter morrido(uma aia  apaixonada por Isabel )que tem a perfeita noção de que o amante da condessa  não passa de um vil traidor.
“ Meu amor, não deixes outro estranho entrar no teu castelo . deste-lhe as armas que destruirão tudo o que criaste. Apenas de uma coisa sentirei falta do teu mundo que já não é meu.  Os teus suaves beijos . Sempre te amei, Isabel, foste demasiado longe. Tudo o que vive tem de morrer. E tu também, faças o que fizeres. Há beleza em deixar o tempo cumprir o seu dever”
Depois de ler a mensagem, Isabel tem um rebate de consciência  sobre os atos praticados mas quando se olha ao espelho não consegue controlar a sua obsessão de voltar a banhar-se no sangue das virgens.
Quando o jovem é enviado com outro homem da corte para investigarem a  veracidade dos  crimes de Isabel;  Não resiste e dorme com ela:
-“  Perdeu o juízo ? Está aqui para investigar os crimes dela, não para dormir com ela. Não deixe que  a sereia  o encante . Ela comê-lo-á vivo.
- Talvez se o coração dela não tivesse sido destroçado , ela não se teria transformado no que é.
- Ninguém é culpado . Deus fê-la assim ou o Diabo, provavelmente. Aquela mente malvada foi assim forjada à nascença.
- E se eu tivesse desobedecido ao meu pai e tivesse fugido ?
- Mas não o fez. Portanto nunca saberemos. “

No fim, emparedada no quarto, o pensamento de Isabel Báthory:
“ Deus, abandonaste-me. Na guerra centenas são mortos e torturados e são ali deixados a apodrecer para os abutres . Todavia, glorificamos os nossos guerreiros. Damos-lhes folhas de louro e honras. Tudo o que recebo é tormento . Não posso ser humilhada assim. Dá-me uma doença que me mate depressa. Não posso fazê-lo  eu mesma. Tenho de ir para o céu. Amém.
Deus, talvez estejas a testar a minha fé, talvez me punir porque o amava mais do que a Ti. (em criança aprendera que amar só a Deus e respeitar os homens). O homem criou Deus á sua imagem, o que lhes dá domínio sobre todas as coisas; aves, leões, árvores e mulheres. Gostava de ter nascido homem. Teria matado milhares em combate, conquistado países, queimado bruxas , teria sido herói. É isso. És apenas um mito, os gregos criaram deuses para tudo, pois não conseguiram compreender o porquê do mar, da morte. Nós criamos-te a Ti, para apaziguar e alimentar medo e ignorância. Pois temos tantas perguntas e tão poucas respostas. Tenho-te usado nas orações, para me perdoar dos meus horríveis pecados. Um funeral condigno ou alimentar os lobos é a mesma coisa. A água benta é apenas água suja. Porque tenho tanto medo de morrer? Porque não acredito em Ti nem na eternidade da alma. Quando eu morrer , apodrecerei e nada sobrará de mim. O amor é a adaga que me apunhalou nas costas. Se não fores um mito, absolve-me dos meus pecados e dá-me sangue para me manter jovem. Agradeço-te Senhor”

Palavras do jovem apaixonado :
A História é um conto de fadas narrado pelos vencedores e isto foi o que sobrou dela. Um conto duma assassina louca, de um demónio sanguinário, Era ela realmente culpada de todos os crimes, se de algum? Ou fabricou o meu pai a maior parte das provas? Se nada neste mundo podemos ter a certeza. Tudo o que sei é que, fosse o que ela fosse, fossem quais fossem os seus crimes, eu amei-a profundamente e acredito que ela me amou.” 

Nota: Dá que pensar...pense você também e diga aqui...:)

Um filme a não perder! 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Principio do fim




...Que dizer-te? Não encontro nenhuma palavra...
nem certa, nem errada...apenas este desconsolo 
um imenso desconsolo...
e o peso do madeiro 
a naufragar em mim...
agulhas ferruginosas 
tortas ...como eu
não me sustento de pé
bamboleio...periclitante...
O que fui e o que sou?
Em que me tornei...?
Uma amálgama de ossos oxidados
e a minha boca?
sabe a seco... 
língua desarticulada 
num quarto estranho
tão perto da morte...
Que dizer-te? Não sei...não sei ...
Amanhã vem mais cedo e leva-me contigo!

P.N.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

E ainda mais um pouco...


A avó de Vitória adoeceu gravemente. O facto perturbou-a. A tia Júlia contou-lhe que um bicho lhe carcomera o útero. Ela, na sua ingenuidade de rapariguinha de oito anos, imaginou um bicharoco cheio de pêlo, com uns dentes aguçados devorando o interior da pobre velhinha. Para ela era insuportável supor tamanha barbárie. A enfermidade atirou a avó à cama e Vitória deliciou-se com o pedido da velha senhora , em querer que a neta lhe  lavasse os pés diariamente. O ritual provocou-lhe imenso deleite. Ela baixava-se mansamente, tal como Cristo fez com os discípulos, acariciava a pele macia e branca da avó.
Uma manhã solicitara uma ida ao jardim, calculava que pudesse ser a derradeira. Haviam-na sentado num cadeirão de vime enquanto a Bíblia repousava sobre o seu regaço. A neta aproximou-se e aninhou-se a seus pés.
- A avó está a ler a Bíblia?
- Não estou a ler, Vitória.
- Hum?
- Agora é tempo de oração.
            A neta tentou erguer-se, respeitando a meditação da avó. Todavia, a velha senhora impediu-a com gestos calmos.
- Fica quietinha aqui. Não estás bem comigo?
- Estou sim senhora.
            Enquanto os dedos trémulos da idosa percorreram a cabeça da neta interrogou:
- Como vais com a tua amiguinha, Helena?
- Nem lhe sei responder…
- Porque dizes isso? - quis saber a avó.
- Vemo-nos às escondidas.
- Já tinha percebido, de qualquer forma quando estiveres com ela procura esquecer os desaguisados entre as famílias.
- A minha mãe não gosta nada daquela gente.
- Isso é a tua mãe, não és tu. Não gostas dela?
- Gosto, mas… – manifestou-se vacilante.
- De que te queixas?
- Ela é muito vaidosa e convencida…
- Vitória cospe para cima e vê se não te cai na cara! - propôs a avó.
            A rapariga obedeceu imediatamente e cuspiu depois comentou:
- Avó, a saliva caiu-me na cara. Porque me aconselhou a fazer isto?
- É mais fácil criticar os outros do que olhar para nós! Um dia entenderás bem melhor que hoje. Anda, volta para aqui.
            A pequena obedeceu.
- E se por acaso essa rapariga te incomoda com os seus defeitos, não te encontres com ela. Assim deixas de  te  lamuriar.
Entretanto uma mulher aproximou-se delas:
- O que é que essa pequena faz aqui? – interrogou enervada.

sábado, 12 de maio de 2012

Apeteceu-me continuar...


Não tinham  notado a sua ausência; nem a mãe, nem a avó.
No dia seguinte apeteceu-lhe fazer o mesmo, no entanto, precisava de um tempo para se recompor.
Volvidos alguns dias preparou-se para a fuga e pulou de novo o muro. Os batimentos cardíacos haviam moderado. De qualquer forma um aperto tomou conta dela, asfixiando-a. Notou que desta vez as mãos tremeram. Assim não valia a pena. Circundou rente ao muro, olhou à socapa para todos os lados quando deu de caras com a mesma menina. De repente parou e encheu-se de vergonha pelo seu comportamento indigno. Abeirou-se da outra até tocá-la. Ficaram quietas, caladas, mirando-se mutuamente. A outra criança levantou o braço e tocou o rosto de Vitória. Um sorriso iluminou-lhe os traços sombrios por aquele afago. Em dívida, retribuiu o gesto. Riram-se ambas de acanhamento. Ela antecipou-se:
- O meu nome é Vitória. E o teu qual é?
- Helena. 


Quando se isolou nas brincadeiras ouviu uma voz distante, longínqua, que a despertou num sopro pálido de vento. Refém daquele sossego entorpecedor não atendeu ao chamamento, até que a voz ganhou força e se aproximou. Então ela, num repelão, sacudiu-se, endireitou-se e correu na direcção de um vulto negro que se moveu ao seu encontro.
E era sempre assim, a senhora idosa, trajando luto, segurava-a pela mão, num passo miúdo e periclitante conduzia-a aos seus aposentos. A voz cansada, lembrou a Vitória que faltava pouco para chover e mostrou  com o indicador, através da vidraça da porta atarracada, as nuvens ameaçadoras que galgavam matreiras a abóbada celeste. Acomodou-se na sua cadeira e a neta aninhou-se a seus pés. Colocou os óculos pequenos e redondos endireitando-os por cima do nariz. Abriu o livro pequenino e rompeu numa voz calma e rouca. A leitura narrava a vida de Cristo. Descrevia os milagres e os discursos apoteóticos que atraíram multidões. Quando a avó enunciou as profecias e se referiu ao fogo do inferno, Vitória arrepiou-se e imaginou as chamas a crepitarem lambendo a carne pecaminosa. A entoação subiu quando relatou as ofensas de Maria Madalena, a prostituta arrependida, a meretriz, aquela a quem Jesus, na sua infinita bondade, terá esconjurado Lúcifer. Realçou os papéis de destaque das outras mulheres na vida do Criador. A voz da avó adocicou quando descreveu a Virgem Maria, a essência da pureza imaculada, um estado de alma impossível de alcançar. Vitória aconchegou-se mais às suas saias, buscando protecção e chegou-lhe às narinas o odor suave do avental fresco.
O Inverno entrava em palco, ante o olhar inquieto e contemplativo de ambas. As duas testemunhavam de perto, através da vidraça, a presença demoníaca do vento fustigando o jardim, enlouquecendo os ramos, balançando os cabelos esfiapados dos arbustos. As árvores que outrora presenteavam a casa antiga de frutos, agora agitavam-se embriagadas e estéreis.
Vitória questionou a avó acerca da direcção que o temporal seguia, começou a impacientar-se, a chuva oblíqua não cessou e os reflexos dos coriscos iluminaram a casa toda e assustaram-na.
A Invernia rigorosa chicoteou tudo à sua passagem, afundou a vida num lençol de água. A terra agradeceu e saciou, por inteiro, a sua sede. O sol caprichoso de Verão havia invadido um parco Outono e insistira em ficar por ali durante mais tempo que alguém tivera memória.
Regularmente a avó abria as portas da sua casa e sentava à mesa todos os mendigos sem favoritismo. Ali, nunca faltara alimento aos que o procuravam.
De todos os pobres, a pequena sentia particular interesse pela muda e tentava decifrar o que ela lhe transmitia por gestos, no entanto, não sabia lê-los. Era uma pobre que trazia um grande volume debaixo de um braço e no outro, uma vara, à qual se apoiava para andar. Usava lenço a cobrir o cabelo cinzento, a roupa comprida camuflava o corpo que se adivinhava ser esquelético e um rosto escuro cavado pelas intempéries e pela fome. 
A avó sentava-se com ela à mesa e ia interpretando os seus gestos enquanto a pobre saciava a miséria que a roía por dentro. Depois riam, despediam-se e na semana seguinte lá vinha ela de novo.Tornara-se um ritual assistir à entrada e saída de pobres. Qualquer mendigo tinha direito a uma refeição, a palavras de conforto e afecto e ainda levavam algo, que tanto podia ser roupa ou comida.
A generosidade da velha senhora difundira-se de tal forma que adquirira o cognome de santa.
            A Primavera havia trazido o despertar de sonhos adormecidos e inimagináveis. As paisagens gotejando a verde e rouxinóis suspensos da lua cantando às gentes estranhas e a viajantes esquecidos em viagens infindáveis e misteriosas.
            Agora esmorecera fruto de uma síncope, por isso, o Verão se antecipou ensaiando os primeiros passos de dança. A luz rompeu madrugadas adentro prolongando os dias, tornando-os mais preguiçosos e lentos e as noites aprazíveis.

Nota: Peço desculpa pelas incorrecções