quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Ry Cooder Paris, Texas
http://youtu.be/X6ymVaq3Fqk
Nota: Desejo Feliz Páscoa a todos os Amigos. Prometo retribuir as visitas. Sempre Grata pela vossa prsença aqui. As minhas sinceras desculpas a quem estou em falta e com certeza serão muitos.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Princesa e Pedras
Princesa- O
menino está só?! Não! O menino não está só! Não vês a água que corre? E o
cágado mesmo ali? O raio de sol que o beija e o reflexo que brinca com os seus cabelos
ondulados?
Pedras – Vejo
tudo isso…e aquele vaso perdido no jardim, de quem será?
Princesa- Não sei
mas quase aposto que foi atirado pelo menino do riacho, aquele sonso está
sempre a fazer marotices às escondidas
Pedras- Não
fales assim do menino…as suas marotices são tão inofensivas….
Princesa-Hum? Não
sei. Porque o faz? Até o mocho, o professor da floresta já me falou sobre este
menino….
Pedras- Porque
faz marotices? A resposta é óbvia, trata-se de uma criança!
Princesa
-O
professor tem experiência e apesar das lentes embaciadas e ver muito mal… nada
lhe escapa.
Pedras- Admito
que sim.
Princesa-
Digo-te, este menino está “apaixonado” por ti e faz de tudo para chamar a tua
atenção, aposto que seguirás por este trilho, verás a bilha e espreitarás,
tirando de lá alguns doces e flores que ele te deixou…
Pedras- Também sou
“apaixonada” por ele, se fosse meu filho não o amaria mais… a terra aguarda sedenta
o alimento que transborda daquele pote, é água salpicada de lantejoulas, há-de
arrastar as impurezas dos olhos da rainha e deste rei…um dia ele vai querer
voar e os pássaros levá-lo-ão para longe…
Princesa- Não
sentirás a sua falta?
Pedras-
Naturalmente que sim…bastar-me-á saber que foi mais além e é feliz … ele tem todos
os sonhos por compor e um mundo para conquistar… os laços que nos unem nunca
mais se desfazem…são como as raízes das árvores.
Princesa- O amor
é assim; primeira espreita, depois estala, mesmo sem querermos ou esperarmos…a
certa altura, estala em dor.
Pedras- Não
existe amor sem dor…
Princesa- O
menino maroto não perdoa, se te afastares muito, sentirá ciúmes e quando
crescer parte-te o vasilhame, retira os doces e as pétalas que te tinha
ofertado … e quando acordares verás que lá estão só as tuas lágrimas …
Pedras- As
minhas e as dele, unidas, para juntas renascerem e seguirem distintos caminhos,
sem nunca se esquecerem. Quando o menino faz maldades vem ter comigo, o lábio
gordo a tremer de emoção, pede desculpas, abraçamo-nos comovidos e o nosso amor
estreita-se ainda mais.
Princesa- Ele
ainda é muito verdinho… tentas ampará-lo mas um dia, constatarás que é em vão…
Pedras- Nada é
em vão…se houver sentimento e verdade.
Princesa- Após
oferecer-te o vasilhame de amor, um dia cansa-se e o jardim deixará de ser zen,
estarás mais velha, o sorriso apagado e murcho e as tardes cinza escuras,
desgostos da vida … então ambos aperceber-se-ão que amadurecer é sofrer os
desaires do amor e seguir por carreiros errantes e distantes.
Pedras- Escuta
o som da natureza, não antecipes as fatalidades, a seu tempo, elas chegarão e
nessa altura eu e ele saberemos lidar com as adversidades. Agora escuta a voz da
água a correr, de uma ave a cantar…tudo é movimento, ação, queda de risco, saltar,
correr, voar ou simplesmente caminhar, cuidadosamente ou inadvertidamente … eu
prefiro nem sempre pensar se vou cair, porque se caio, posso magoar-me ou não…a
queda pode surgir como uma oportunidade de me refrescar e aprender mais …sinto a
mão do menino na minha, é força que me ampara e sorri, que me fala e me segreda
palavras de afeto. Continuo vigilante e observo com desvelo as suas
brincadeiras e repousos.
Princesa-
Preocupas-te tanto com ele! Esqueces que a rainha, minha mãe pediu ao
feiticeiro para transformá-lo em pedra e dessa forma castigá-lo pela
desobediência.
Pedras- Pois,
ao transformá-lo em pedra, aproximou-o de mim…
Princesa- Um dia
o feitiço quebra-se… e ao tornar-se humano, abandonar-te-á.
Pedras- Há
memórias que perduram… nada foi plantado em vão! É altura de protege-lo dos
fantasmas, das bruxas, dos maus olhados, das invejas, das poções diabólicas… e
sobretudo ensiná-lo a defender-se.
Princesa- E como
pensas livrá-lo de todo o mal?
Pedras- Tenho
aqui um livro, o livro do amor. Foi uma fada boa que me deu. Já comecei a
escrever nele as minhas memórias, espera, deixa procurar a página que ela me
indicou…
Princesa- Porque
repetes baixinho o número mil oitocentos e trinta….?
Pedras- Para
não esquecer a surpresa que esta página me reserva…cá está!
Princesa- O quê?
Em branco?! Que assombro! Ficaste pálida…e agora que me dizes?
Pedras – Não
sei…ou…é isso mesmo, observa, o livro está todo em branco, sou eu que terei de
escrever a minha história.
Princesa-
Fazes-me rir, porque raio havia uma fada boa de oferecer-te um livro em branco,
e indicar-te uma página igualmente em branco!?
Pedras- Tu não
compreendes, a fada deu-me uma lição; não há setas, nem pistas. Encontra tu
própria o caminho.
Princesa- Se for
seguro…. Vai e arrisca. Delicio-me a passear por aqui, todos os dias, eu e o
meu príncipe dragão, claro está, sentimos a energia deste lugar… que me deixa a
alma limpa, fico mais leve, livre e acabo sempre por suspirar da escalada de
emoções… diz-me, afinal por que razão o feiticeiro obedeceu cegamente às ordens
da rainha? Que recebeu em troca?
Pedras- Não
sei, a rainha é mãe…e foi com o consentimento do rei…não sei mais nada.
Princesa- tudo
isto me intriga e me confunde…se a rainha é mãe…onde ficou o instinto maternal,
a compaixão, o amor…?
Pedras- A
rainha adora o seu filho, embora a olho nu, não pareça, está doente e afetada,
em muitos aspetos incapacitada, noutros irresponsável e ainda noutros infantil.
Princesa-
Infantil?!
Pedras-
Infantil, quando se coloca ao colo do filho e pede-lhe proteção…quando se
esconde nas costas dele com um escudo …os papéis invertem-se.
Princesa- Como
sabes tudo isso? Nunca me apercebi dessas coisas…
Pedras- Fui ama
da casa real durante muitos anos ou já esqueceste?
Princesa- É óbvio
que não esqueci…
Pedras- Nem
podes, quando nasceste, eu já lá estava.
Princesa- És
muito perspicaz.
Pedras- …Podias
salvar o teu irmão, porque não o fazes?
Princesa- Estás
doida! Neste momento sou a favorita, a que corresponde às expectativas dos
reis. A herdeira da coroa sou eu e não abdico desse privilégio por nada.
Pedras-
Princesa…por favor.
Princesa- Não!
Não tentes. Lamento, no entanto já tomei a minha decisão.
Pedras- É pena
que não sintas o mesmo que eu pelo teu irmão, o teu único irmão, mais novo que
tu. Eu faço deste canto, encanto e da
pureza, purificação. A voz da criança é conto de fadas, castelo flutuante,
prado verdejante, jardim florido… moinho que produz vento…não queres ouvi-lo?
Aqui é o lugar mágico do sol e da água límpida e corrente…
Princesa- Não creio
nas tuas palavras, estás enfeitiçada. Vou embora, até porque se faz tarde.
Pedras-Adeus!
Princesa- Adeus!
Uma tarde, cansada de esperar,
Pedra, decidiu procurar o mago, não suportou mais a indiferença dos reis em
relação ao menino. O castelo tinha-o esquecido definitivamente. Tornara-se inadiável
socorre-lo. Após longas horas de diálogo, entre ela e o feiticeiro, haviam
chegado finalmente a um consenso. O mago quebraria o bruxedo com uma condição;
desposaria Pedra, torná-la-ia humana e adotariam o rapaz. A ideia foi bem recebida.
O bruxo não era feio, a sua graça andava furtiva nos escombros da maldita
bruxaria, merecia uma oportunidade para conhecer o novo sentimento e deixar
advir das profundezas um homem renovado. O menino tinha treze anos quando se
tornou de novo humano. Prepararam-se para a viagem. Um estalo de dedos do mágico
e raiou no céu um robusto pássaro mecânico, movido por rodas, ferro e outras
geringonças. Os três subiram uma escada desengonçada e meteram-se na barriga da
ave. De repente, ouviu-se um ruído feroz e a cauda do bicharoco expeliu uma
fumarada, os enormes membros inferiores iniciaram uma corrida veloz, por fim a
ave arremessou-se de novo no céu… e as asas abrindo e fechando na ânsia de
chegar ao lugar prometido. Pedras sorriu por se lembrar que a viagem
iniciara-se precisamente no ano de mil oitocentos e trinta.
PN 20 de Fevereiro de 13
Nota: Peço desculpa pelas gralhas que poderão encontrar.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Bicadas da minha pena
Daniel Oliveira - "O texto que escrevi aqui ontem no Facebook, com alguns acrescentos, no site do Expresso. Os insultos de ontem, se pretendiam ser pedagógicos sobre este assunto, até foram. Disseram-me muito sobre o fanatismo e sobre como algumas coisas que julgamos adquiridos - que a vida humana é um valor absoluto, abstracto e que não depende das avaliações que fazemos de cada pessoa, por exemplo - não o são."
Mandam as regras que um animal doméstico que se demonstre perigoso ao ponto de pôr em risco a vida humana tem de ser abatido. Um cão de uma raça perigosa matou uma criança de 18 meses. Foi decidido o seu abate. mais de 20 mil pessoas assinaram uma petição para impedir uma decisão de evidente bom senso. Segundo fonte do Instituto de Medicina Legal ao jornal "Público", "a autópsia, realizada quarta-feira, concluiu que a morte se deveu a ferimentos provocados pela mordedura do cão".
Dizem os subscritores desta petição: "um cão que nunca fez mal durante oito anos e atacou é porque teve algum motivo". A ver se nos entendemos: Os motivos para um animal matar uma criança são irrelevantes, porque as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos. A decisão de abater um cão não é uma forma de fazer justiça (por isso os motivos pouco interessam), mas de segurança. Escrever que "a criança e o cão são os dois inocentes desta história" é pornográfico. Crianças e cães, para os humanos, não estão no mesmo nível. Nenhum animal é abatido por ser "culpado" de nada. Até porque tal conceito é inaplicável a não humanos. Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles. É apenas disto que se trata e não de qualquer ato de justiça. Os donos e pais foram negligentes? Isso sim, resolve-se na justiça. O abate do cão é outra coisa: um cão que mata uma criança com quem convive deixou de ser um animal doméstico. Porque o que o torna doméstico é ser controlável por humanos. Como não pode ser devolvido à vida selvagem é abatido. Não por justiça, mas por segurança.
Diz a petição: "Se não se abatem pessoas por cometerem erros, por roubarem, por matarem...então também não o façam com os animais!" A comparação é de tal forma grotesca que chega a ser desumana. Eu sou contra a pena de morte. Eu como carne de animais que foram abatidos. Serei incoerente ou limito-me a não comparar o incomparável? Os animais não têm, para os humanos, o mesmo estatuto das pessoas. E quem acha que têm não percebe porque consideramos a vida humana um valor absoluto e indiscutível.
Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre. Tendo tido (e continuando a ter) quase sempre animais domésticos (de que gosto imenso), parece-me haver em muitos defensores mais radicais dos direitos dos animais um discurso que relativiza os direitos humanos. Porque não compreendem a sua absoluta excepcionalidade.
Sobre o "relatório" do FMI escreverei para a edição do "Expresso" em papel.
Concordo com a opinião de Daniel Oliveira.
Mandam as regras que um animal doméstico que se demonstre perigoso ao ponto de pôr em risco a vida humana tem de ser abatido. Um cão de uma raça perigosa matou uma criança de 18 meses. Foi decidido o seu abate. mais de 20 mil pessoas assinaram uma petição para impedir uma decisão de evidente bom senso. Segundo fonte do Instituto de Medicina Legal ao jornal "Público", "a autópsia, realizada quarta-feira, concluiu que a morte se deveu a ferimentos provocados pela mordedura do cão".
Dizem os subscritores desta petição: "um cão que nunca fez mal durante oito anos e atacou é porque teve algum motivo". A ver se nos entendemos: Os motivos para um animal matar uma criança são irrelevantes, porque as crianças não podem correr risco de vida, sejam lá qual forem os motivos. A decisão de abater um cão não é uma forma de fazer justiça (por isso os motivos pouco interessam), mas de segurança. Escrever que "a criança e o cão são os dois inocentes desta história" é pornográfico. Crianças e cães, para os humanos, não estão no mesmo nível. Nenhum animal é abatido por ser "culpado" de nada. Até porque tal conceito é inaplicável a não humanos. Um animal doméstico, se se revelar perigoso para os humanos, não pode conviver com eles. É apenas disto que se trata e não de qualquer ato de justiça. Os donos e pais foram negligentes? Isso sim, resolve-se na justiça. O abate do cão é outra coisa: um cão que mata uma criança com quem convive deixou de ser um animal doméstico. Porque o que o torna doméstico é ser controlável por humanos. Como não pode ser devolvido à vida selvagem é abatido. Não por justiça, mas por segurança.
Diz a petição: "Se não se abatem pessoas por cometerem erros, por roubarem, por matarem...então também não o façam com os animais!" A comparação é de tal forma grotesca que chega a ser desumana. Eu sou contra a pena de morte. Eu como carne de animais que foram abatidos. Serei incoerente ou limito-me a não comparar o incomparável? Os animais não têm, para os humanos, o mesmo estatuto das pessoas. E quem acha que têm não percebe porque consideramos a vida humana um valor absoluto e indiscutível.
Resumo assim: a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre. Tendo tido (e continuando a ter) quase sempre animais domésticos (de que gosto imenso), parece-me haver em muitos defensores mais radicais dos direitos dos animais um discurso que relativiza os direitos humanos. Porque não compreendem a sua absoluta excepcionalidade.
Sobre o "relatório" do FMI escreverei para a edição do "Expresso" em papel.
Concordo com a opinião de Daniel Oliveira.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Até à eternidade....
Foi uma Terça feira, a meio da manhã, fui despedir-me de ti.
Não havia ninguém por perto. Só nós os dois, que sensação indescritível! Ver-te
estendido, o rosto ligeiramente estranho, seco…Outro, pálpebras cerradas,
pestanas coladas, como se nunca mais fossem despregar. Lábios entreabertos…uma súbita
fisionomia de menino. Fato e gravata. Ar fresco… Fiquei a teu lado uns escassos
minutos. Falei contigo …palavras sussurradas, talvez receio de te acordar, ou
por saber que provavelmente nada escutarias, atirei-te beijos, a minha intenção
era tocar-te nas mãos, no rosto…mas ao terceiro dia…
Saí desolada…voltei de táxi , com aquele sentimento de nunca mais voltar a ver-te.
Jamais saberei de ti. Este lado trágico…De qualquer forma, se estiveste por lá,
soubeste que não te abandonei.
E, vou querer saber como foram os teus últimos dias, as tuas
últimas horas…
Dezembro de 2012
Nota: Lamento não ter tido condições para visitar os amigos. Quem sabe...aos poucos vou retomando a energia para o fazer. Grata pela excelente companhia.
Dezembro de 2012
Nota: Lamento não ter tido condições para visitar os amigos. Quem sabe...aos poucos vou retomando a energia para o fazer. Grata pela excelente companhia.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A princesa Feia e o Barão Bem Disposto
A
imponência do palácio era visível, no alto do morro, fortificado pelos ramos
das árvores, dos arbustos e das plantas. A valsa de verdes, desde os mais
esbatidos aos mais fortes e intensos. O chão coberto de musgo e de folhas molhadas
pelas primeiras chuvinhas atrevidas e finas. Ali palmilhava-se com assombro o
território ideal e recomendado a almas sensíveis e apaixonadas, em tudo amantes
da natureza. Os ramos alvoroçados abriram alas às primeiras claridades do dia.
Amanhecera. E de dentro do palácio ecoou uma voz forte:
- Quero saber dos meus
filhos, tragam imediatamente a princesa Malvada!- ordenou o rei muito esticado.
A rainha Mil Faces antecipou-se
à ama de quartos e chegou primeiro:
- Vá, filha, apressa-te, o pai quer ver-te agora!
- Logo agora que estou
a brincar com as minhas bonecas …- replicou enervada.
- Princesa, por favor,
nada de lamúrias, vamos lá!
- A mãe tem sempre que
lhe obedecer.- comentou com um ar de fastio.
- Ele é o rei, o teu
pai, está bem?
- Tu és a rainha, minha
mãe…- argumentou astuta.
- Atenção a esses modos
ou o rei manda-te cortar a língua de tão espevitada!
Segurando na criança
pela mão, puxou-a e rapidamente levou-a à presença do pai.
- Aproxima-te Malvada!
– disse o Mau Educador cofiando manhosamente o bigode e a barba.
A menina encrespou o
rosto de enfado e deu um passo em frente.
- Que cara é essa? –
quis saber o pai.
- A minha!
- Não sejas refilona –
contestou brando.
- A princesa não é
refilona. – acudiu a rainha.
- Ai não? – sacudiu o
lenço de mão.
- Não pode levar a mal
o que a minha princesinha diz…
- Deixemo-nos de arengas
– apressou-se a acrescentar o Mau Educador – depois, com as pontas dos dedos
ergueu o rosto da criança:
- Já pinta os lábios,
princesa?! – pronunciou com estupefação.
- Ela gosta, é menina…e
há outras na corte que também fazem o mesmo…- corroborou a rainha Mil faces.
O rei ergueu as
sobrancelhas e em silêncio lançou à mulher um olhar displicente, em seguida
afirmou:
- Não gosto, acho que é
muito cedo para isso.
- Deixai a menina ser
menina.
Os olhos de sua
excelência semi cerraram-se de irritação, deu um estalinho com a língua e
prosseguiu estalando seguidamente os dedos:
- Vamos à lição –
anunciou em voz alta e acrescentou: - Tragam-me o anão!
A menina afastou-se
quando o anão entrou na sala.
- Quem é ele? – quis
saber a Malvada fingindo receio e medo.
- Um idiota ladrão – respondeu o rei
- Trapaceiro-
acrescentou a rainha
- Que sentes por ele? –
perguntou o rei à filha.
- Nada. Que havia de
sentir?!
- Então esbofeteia-o! -
ordenou sua excelência estreitando os olhos.
A menina obedeceu, o
pai riu-se:
- Isso é uma carícia!
A criança intimidou-se
e recuou. Então o rei avançou:
- Vê como faço!- e exemplificou
esmurrando o anão em cheio no nariz. O rapaz
foi arremessado para o ar e estatelou-se no chão como se de uma peça de
vestuário se tratasse. Depois juntou-se à menina e baixou-se para ficar à
altura dela.
- É óbvio que não
estava à espera que fosses capaz disto…mas vou treinar-te para que um dia sejas
uma bela tirana. Escuta-me, bati-lhe com a mão que tinha anéis, por isso tem o
nariz a sangrar. É desta forma que deves enfrentar os teus inimigos, sem medo,
sem vacilar, sem piedade, sem remorsos. Inimigos são para abater. Entendido?
- Sim, pai.
Em seguida, fitou-a
sério e indagou meio ternurento:
- Amas-me?
- Sim, pai!
- Amas tua mãe?
- Sim, pai!
- Fico muito regozijado
por saber isso...nunca te revoltes contra nós, amamos-te e tu amas-nos, seria
trágico …! O resto do mundo não importa….desde que tenhas as tuas razões… e te
defendas dos predadores…Agora vai brincar com as bonecas.
- Sim , pai!
A criança ia
afastar-se, quando o Mau Educador agarrou-a pelo pulso.
- Quero o meu beijo
antes de te retirares!
A princesa sorriu sem
vontade e depositou no rosto do pai um beijo repenicado. O Mau Educador alegrou-se
e em seguida deu uma palmadinha afetuosa no rabinho da criança:
- Vá lá…
Depois vagueou pela
sala de mãos atrás das costas, enquanto a rainha se mantinha no mesmo lugar, em
silêncio.
- Quero ver o rapaz –
informou enquanto tocava a campainha. A Mil Faces não se moveu.
A ama surgiu e o rei
pediu para trazerem o príncipe Delicado. Alguns minutos e assomou à porta.
- Meu pai? –
apresentou-se e fez vénia.
O Mau Educador observou
minuciosamente o filho que se mantinha muito direito e de olhos baixos, retirou
a espada da cinta, nessa ocasião a rainha estremeceu e deu dois passos em frente,
temente do pior, mas recuou os mesmos passos para trás quando percebeu que o
rei servia-se da espada para se apoiar. Rodou em torno do miúdo, deteve-se nas
costas dele e interrogou-o:
- Tens algum assunto
para me contar?
- Não senhor!
- Hum? – o rei encolheu
o sobrolho.
- Que tens feito,
rapaz?!
- Algumas coisas.
- Algumas coisas?! –
clamou e o cenho carregou-se de aborrecimento e perplexidade.
A criança estremeceu
com o rugido do pai. E este procurando dominar-se, voltou à carga :
- Fala-me do que tens
aprendido com a tua preceptora.
- Não me lembro
pai…não… - O rapazinho sufocou dentro de si mesmo. Como se tivesse inchado e
fosse estourar a qualquer momento.
- Não é possível, não
pode ser verdade! –o pai gritou-lhe , a
mãe continuava na sombra, lançando ao filho faíscas de raiva. Os olhos do rei
direcionaram-se para os olhos da esposa, confirmando se ela partilhava da mesma
indignação que ele.
- Fale! Abra a boca e
diga-me o que pensa! – propôs o rei à rainha.
- Essa criança só pensa
em brincar…não se concentra nos estudos, não me obedece, não sei mais o que
fazer…sinto-me envergonhada com o comportamento dele.
- E agora, que tens a
acrescentar ao que a senhora tua mãe acabou de dizer?
O menino permaneceu em
silêncio. Então o Mau Educador não se contendo berrou-lhe aos ouvidos, fazendo-o
estremecer de novo:
- És surdo? – como a
criança permaneceu no mesmo estado de imobilidade, o rei baixou o tom mas
proferiu extremamente impaciente :- A partir de agora estás de castigo, levas
cinquentas chibatadas nas pernas e nas nádegas e ficas proibido de brincar com
as outras crianças do reino.
Os lábios do príncipe tremeram
e os olhos nublaram-se.
- Agora sai
imediatamente da minha presença, e volta um homem! Foi para isso que te criei!
E a si – dirigiu-se à rainha – cabe-lhe ter a certeza que este rapaz se torna
no meu sucessor!
O rapazinho retirou-se
amargurado. O Mau Educador continuou para a mulher:
- Após cumprir o
castigo, quero-o em treinos para ingressar na cavalaria. Há-de ter espírito
beligerante, tal como eu quero! Irá para a guerra comigo!
- Tenho sérias dúvidas
que resulte …- adiantou a rainha Mil Faces.
- Porque diz isso?
- É uma criança
sensível e delicada...
- Deixará de o ser! –
afirmou convicto.
- Aquele rapaz precisa
de pulso firme – referiu a rainha mal
humorada.
- Vai ter a partir de
agora…a sua educação resultou mal… transformou-o num rapaz inexperiente, pacato,
sem ação, um inútil…
- Está a atirar com as
culpas para mim?! – a rainha Mil Faces indispôs-se.
- Não, não estou a
acusá-la de nada!… - rematou com ironia.
- Não é assim, então
fico com as culpas todas? E a sua responsabilidade?
- Estou mais tempo na
guerra do que em casa…não se esqueça disso!
O rosto da rainha Mil
Faces enrubescera, dominado pela cólera:
- Não gosto desse peso
nas costas …
- Com certeza minha
senhora, não tornemos a falar do assunto, porque caso contrário esta noite será
punida...
A rainha ergueu o rosto
e numa pose de desafio retrucou:
- É bom que pense duas
vezes antes de me acusar seja do que for… sei a que dá importância e do seus
sentimentos por mim… tenha por isso mais respeito pela mãe dos seus filhos e
esposa dedicada.
O rei levou a mão
direita aos cabelos e alisou-os numa atitude de verdadeiro enjoo.
-Quero aqui a princesa
Feia! – a ordem saiu num tom furioso e impaciente e não demorou muito até a
filha mais velha aflorar à porta. Entrou e aguardou que o rei tomasse a
palavra. Como continuava calado a rapariga adiantou-se:
- Chamou meu pai?
- Chamei porque
regressei da guerra e quero ver os meus filhos, não é natural?
- Com certeza pai e cá
estou eu …
O rei ficou
surpreendido com a ligeireza da resposta e por isso avançou com uma pergunta:
- Qual é o teu lema de
vida?
- Coloco no mesmo patamar;
verdade, lealdade e bondade.
O Mau Educador alisou o
bigode que por sinal até lhe assentava bem e perscrutou a rapariga com
curiosidade:
- Esses lemas estão
reservados a alguém especial ou são para todos?
- Para todos sem
reservas – a resposta não se fez esperar.
- E quais os que se confinam
à casa real?
- Nenhuns!
- Não gostei da provocação!
– objectou o rei com desagrado, chegou-se para mais perto e colocou a mão
esquerda sobre o ombro direito da filha.
- Princesa, minha
filha, esses lemas não te levam muito longe. E a ambição onde fica?
- Mas sou comedidamente
ambiciosa!
- Conversa apática,
inconsistente… digamos, uma forma de pensar amorfa…. princesa, és capaz de
faltar à verdade? De escarnecer? De calcar os vermes dos inimigos? De ser
calculista e fria quando for necessário?
- Jamais pai!
- Jamais?! – o rei
tinha perdido de novo a cabeça. – mas como julgas tu que te irás defender dos inimigos?
- Com amor pai! –
respondeu segura.
- Se pensas assim
meto-te num convento! rematou vigorosamente.
Feia enrubesceu de
temor. Os seus olhos divagaram assustados pelo chão da sala à procura de uma
fuga rápida para aquela inquisição.
O Mau Educador ergueu o
rosto pensativo, desencantado, desiludido…a íris tornou-se clara e nostálgica.
A expressão acinzentada.
- Minha filha,
desconheço que mundo habitas, com certeza não é o mesmo que eu, não tens a
verdadeira noção do que é andar por aqui e na minha opinião já tens idade para
isso. És uma sonhadora, e quem sonha é parvo, vence quem sabe viver – o rei fez
uma pausa e voltou a falar – Princesa, o mundo pertence aos que têm império,
aos que têm nome, aos que se eternizam pelos feitos. O resto não conta, é povo,
gente escrava, ralé sem voz, gente que obedece sem contestar às minhas ordens.
Discordas de mim?
- Discordo pai!
- Atreves-te a
discordar? – o rei empalideceu.
- Prefere que lhe
minta?
- Sai daqui! – tão
grande foi a fúria que as lágrimas transbordaram e correram em ziguezague pala
face tisnada. A rapariga escapou sem olhar para trás, enfurecido lançou a espada
à porta e desatou a blasfemar em voz baixa, de forma impercetível e logo a
seguir :- Tão inteligente e tão parva, casa-te com um plebeu e ficas sem
linhagem, sem nome e sem nada! Renego-te! – Bradou num tom rouco. Em seguida
lançou-se sobre a rainha e agarrando-a pelos cabelos murmurou irado – Ela vai
para um convento, ouviu?
- Sim, com certeza –
respondeu a rainha Mil Faces humilhada.
Era
noite, do alto do cabeço repousava o imponente palácio, por entre uivos de aves
noturnas e soturnas em demanda, presas fáceis e cegas. Hora destemida dos
mistérios impenetráveis, de falsos segredos cochichados e conjeturados nas
sombras. Hora dos crimes maquiavélicos e
diabólicos. Hora das pontes caladas, do silêncio pesado, dos túmulos se abrirem
no rugido enferrujado de ferrolhos e gonzos. Hora reparadora de sonos
inquietos. Hora das estrelas exibirem os seus gorjeios cintilantes.
Mais adiante veio a luz
do dia espreguiçar-se calma e serena, galgando docemente aquela manhã outonal. Inesperadamente
soprou uma aragem fresca, temperada com hálito de Inverno. O grande jardim respirava
profundamente a frescura dos pequenos lagos verdes, o repouso dos grilos, o
despertar das flores, das árvores e do céu.
A princesa Feia desceu
as escadas de mármore, passou a meio do jardim e continuou colina abaixo até
desaparecer no bosque. Ali sentia-se mais livre, inspirada e mais perto da paz
e da tranquilidade da sua floresta. Correu nova aragem, ainda mais fria,
arrepiou-se. Os cabelos claros, lisos e leves revolveram-se uns nos outros e
chegaram a cobrir-lhe o rosto, muito pacientemente afastou-os sem pressas. Veio
outra aragem estranha, muito localizada, um bafo quente, então parou
ligeiramente receosa e voltou-se para trás. Ninguém. Apenas ramos entrelaçados,
folhas de várias espécies, troncos, alguma folhagem densa, o sol a infiltrar-se
de jato em todos os espaços, buracos e orifícios… Nada que fizesse estremecer,
quando ia iniciar de novo a caminhada, sentiu outra aragem situada sobre o seu
ouvido, como se alguém tivesse soprado por entre os cabelos. Pressentiu que ali
havia mais alguém e desatou a fugir:
- Princesa, sou eu!
Aquela voz fê-la parar
e voltar-se novamente:
- Pregou-me um
susto…daqueles!- declarou a arfar.
- Desculpe, não foi
essa a minha intenção!- justificou-se a rir o recém chegado.
O jovem divertido apoiou-se
na bengala e acercou-se da princesa:
- Menina…- tomou-lhe a
mão e conduziu-a aos lábios – depois da usual vênia.
- Adoro a forma
elegante que usa sempre que me cumprimenta, tão distinto…
- A melhor hora do meu
dia é quando nos encontramos. – dito isto fitou-a longamente nos olhos.
Ela perturbada
afastou-se meigamente e lembrou que continuassem a andar:
- Conheço-o já há algum
tempo mas nunca o vi por aqui… – estranhou entusiasmada.
- É a primeira vez que
cá venho…algo me chamou…foi a sua presença oculta…- riu de novo.
- Não gosta da vida campestre?
- Confesso que não sou
grande apreciador da vida campestre… vim com o propósito de desanuviar uns dias
…e depois tenciono voltar à capital… fiquei mais tempo por sua causa! – e dito
isto, deu alguns passos rápidos e colocou-se à frente da princesa, interditando
a sua marcha. Sorriu-lhe muito matreiro, estendeu o braço esquerdo e colocando
os dedos sobre o queixo da rapariga, pronunciou :
- É muito bonita;
cabelos prateados, olhos vivos e profundos, boca rosada, tez pálida, rosto
oval….
A princesa riu-se e
inclinou ligeiramente a cabeça.
- Falo a sério, parece
saída de um conto mágico… - pronunciou com verdade o barão Bem Disposto.-
depois rumorejou olhos nos olhos:- é a minha princesinha linda…-e
ficaram assim, imóveis durante não se sabe quanto tempo…
O barão ficou muito
perto dela… via-o agora tão nítido…muito maior; a massa de caracóis,
desgrenhados e escuros, com arabescos à mistura, chegavam-lhe aos ombros, o
rosto escuro e quadrado, a bela dentição, alva e brilhante, os olhos castanhos
claros rasgados e pestanudos…
- Princesa, gostaria de
celebrar esta nossa amizade? – como não houve resposta, o jovem indagou: - estou
a falar consigo e não me responde, porquê?
- Sim… - parecia
desconcertada.
- Não lhe parece boa
ideia? – quis saber algo incomodado.
Ele procurou ler-lhe as
feições e segurando-a pelos ombros, beijou-a ao de leve nos lábios, depois
afastou-se para tornar a espiá-la. Foi aí que detetou uma sombrinha turvando os
olhos dela. Sem mais delongas abraçou-a longamente, apertando-a com firmeza e
sentimento, beijou-a uma e outra vez. A
princesa havia correspondido com alguma excitação.
- Estou a seguir por um
caminho errado? – quis saber e antes que
ela pudesse responder adiantou-se - Não
gostou do beijo, é isso?
- Gostei, o sabor dos
seus lábios nos meus, tem a frescura da primavera.
- Esse seu lado poético
impressionou-me desde o primeiro dia em que a conheci. – elogiou-a sorridente-
é um prazer quando me fala dos seus poetas favoritos e me lê a sua poesia. Como
sabe, não tenho inspiração para versos mas aprecio pessoas sensíveis e munidas
desse talento, sendo a princesa uma delas, deixa-me imensamente feliz!
- Eu acho-o um homem
incrivelmente tentador, muito semelhante a uma escultura de uma qualquer
divindade grega, um poema…Inteligente, culto, terno, ponderado…
- Hum…que beleza…as
suas palavra são seda sobre mim… apetece-me cantar…- abriu os braços e cerrou
as pálpebras de regozijo.
Veio um sopro agitado
de vento e ela acompanhou o pormenor dos cabelos mais curtos enrolarem-se nas
têmporas e na testa, a linha reta do nariz, demorou-se nos lábios carnudos e
entreabertos, no queixo duro, nos tendões fortes que desenhavam o pescoço …
Aquela visão tornou-se
mais real quando a encostou toda ao tronco de uma árvore e apertou o seu corpo contra
o dela, agarrando-a firme pela cabeça, enquanto os cabelos esvoaçavam como asas
de borboletas. Beijou-a longamente, com deleite e paixão. E arrebatado pelo
desejo soltou uma das mãos para acariciá-la no ventre, nos seios redondos e
fartos e quando a mão esguia atingiu as coxas, numa carícia mais ousada, ela
retraiu-se e tentou escapar:
- Desculpe, não devia,
sou cavalheiro e não quero forçá-la a nada…
A princesa Feia colocou
o indicador sobre os lábios do barão, muito carinhosa e assim que soltou:
- Amo-a! declarou num
ímpeto e os seus olhos resplandeceram a luz poderosa e intensa dos enamorados, o
fogo dos que amam e desafiam os abismos do incerto…
- Amo-o também! –
reconheceu tremendo de emoção.
- Está a ficar mais
frio, deseja subir? não quero que se constipe, está bem?
- Vai começar a chover…
– esclareceu ela, espreitando o céu por entre os ramos.
- E… já está a cair uma
poalha! – exclamou surpreendido.
- Vamos?
- Sim, acompanho-a.
- Barão, há um detalhe
que ainda não lhe contei…- articulou com alguma dificuldade.
- Então conte-me por
favor! – ele ficou ansioso de repente
- O meu pai vai
enviar-me para um convento! – declarou triste.
- Como? – gemeu chocado
– e porquê? – o jovem parou de andar e ela também.
- As minhas ideias
incomodam o meu pai.
- Pois, já calculava
que isso viesse a acontecer, já me falou de vários episódios …e a rainha, sua
mãe nunca a defende…- constatou lacónico.
- E que vamos fazer?
- Mas tem a certeza que
a enviará para um mosteiro?
- Sim, de certeza,
conheço muito bem o meu pai…
O jovem ficou absorto,
os olhos castanhos esverdeados vaguearam em redor, como se algures houvesse uma
resposta escondida.
- Estou a meditar numa
alternativa, porque não vou perdê-la agora que mal a encontrei.
Entretanto a chuva
começou a intensificar-se e nem um nem outro se aperceberam, concentrados na
urgência de uma decisão. Ambos paralisados à espera de uma ideia que viesse
salvar quele amor que ainda era semente a querer dar fruto.
- Devo voltar para a
capital daqui a dois dias…
- Então estamos
perdidos – atalhou angustiada.
- Não me parece. –
remediou com convicção.
- Que quer dizer?
- Levo-a comigo!
- Fujo consigo?!
- Sim! A menos que não
queira.
- É óbvio que quero…mas
dois dias é o tempo suficiente para meu pai tomar conhecimento e acabar com o
plano. O rei e a princesa Malvada tudo farão para tornar impossível a nossa
fuga…
- Então terá de ser
breve! Que tal amanhã?
- Aceito com uma
condição!
- Qual?
- Levo comigo o
príncipe Delicado…não posso deixá-lo para trás, seria devastador para o meu
irmão.
- Concordo, então consegue
preparar-se e prepará-lo para amanhã?
- Sim, consigo. A que
horas?
- Venham ter comigo
aqui mesmo, depois seguimos na carruagem para a estação. Às nove em ponto, não
se atrase por favor… - declarou conciso.
Abraçaram-se de novo,
beijaram-se com voracidade e na urgência de quem não pode esperar mais.
Subitamente acordaram e aperceberam-se que precisavam
de trocar imediatamente de roupa.
- Separemo-nos aqui.
Será melhor que ninguém do palácio o veja.
- Tem razão, e não se
esqueça, meu amor. Nada de atrasos – enquanto corria voltava-se para trás e
gritava:
- Não se esqueça, não
se esqueça…não se esqueça! e o eco repercutia-se nos ouvidos da princesa.
- Não esquecerei meu
amado…murmurou e levou as pontas dos dedos aos lábios, atirou um beijo na
direção onde barão já havia desaparecido e lançou-se numa corrida veloz de
volta ao palácio.
Pedras Nuas Afonso
19 de Novembro de 12
Nota: Este conto destina-se à Pastelaria Studios. Se for selecionado e publicado será inserido na nova coletânea . ( A quem tiver paciência de me ler, ficará aqui cerca de um mês) . Sempre grata!!!
Nota(por razões de saúde não poderei visitar os espaços amigos, por isso as minhas sinceras desculpas)
Nota(por razões de saúde não poderei visitar os espaços amigos, por isso as minhas sinceras desculpas)
domingo, 28 de outubro de 2012
Teu corpo...
O teu corpo…
Bátega que balança
ao som do riacho
molhado
humedecido de verde…
Baluarte
delícia dos deuses boquiabertos
Sinuosidades fartas bruxuleiam
sob o buril de mãos esculturais
Cálidas e esguias
desbravam interstícios misteriosos e encobertos.
Assombro …despudorado
Desafio à imaginação da humana raça…
Olhos abobadados
Sedutores…côncavos
Perdição …
e, na convexidade macia
minha boca à deriva perde-se
na busca de outeiros arrepiados
sob a língua macia
tão afogados … texturados
sugados no mortífero deleite
Ó fome impaciente e ávida
As trigueiras coxas
insinuam-se
Arquejantes
qual floresta
gotejante
a tal nascente …
fonte de todas as bêbadas claridades ofegantes…
P.N.
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