domingo, 26 de janeiro de 2014

Que realidade....

Dói-me ver os filhos da pobreza 
de mão estendida;
rotos, esfarrapados...
barriga vazia
E, cada vez mais a inimiga riqueza 
os deixa literalmente deformados.

PN

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Espírito de Natal




O céu desce
numa pálida nuvem
O dia amanhece
dentro da gruta
Os anjos bocejam
num trejeito ingénuo
Os sinos bamboleiam   
Num   tom  alegre…
É chegada a hora
da  luz cobrir
o que de trevas
está para vir…
ó  Salvador surge agora
salva os bons do poço sem  fundo
e condena os maus a um mar de chumbo
As fontes cantam de rosto lavado
água benta corre o prado
  lágrimas rebentam
dos olhos varados
E das alturas,… das alturas
vem um gesto desejado….
PN
 
 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A folha branca



Não é no tecto que encontrarás as linhas curvas, ondulantes, as linhas retas, as linhas finitas e infinitas, as linhas quebradas,ziguezagueadas, mastigadas, esticadas, sinuosas, majestosas, espiraladas, curtas,compridas, grossas e finas.... é na tua folha de papel.... deixa a tua mão correr, nesse diálogo firme , vigoroso e aventureiro e se porventura uma dessas linhas sair fora dos teus planos , do percurso traçado,segue-a, até onde for possível...quem sabe se não te mostrará outro caminho possível,um atalho que fará toda a diferença e poderá mudar o rumo do teu desenho...
PN

Perdoem-me a ausência nos vossos espaços...a seu tempo marcarei presença com o mesmo prazer de sempre. Abraço.

sábado, 9 de novembro de 2013

Passa o som e deixa um espaço...


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A distância percorrida é leve, fina espessura,
Resistente, persistente
Nesta suspensão algo demorada
O borrão afogueado e rubro
Invade a toalha alva.
Embebeda-se…
encharca-se de pureza.
O vazio estende-se, pendura-se no estendal
da roupa e redemoinha  nas guitas
quase enforcado no gesto colérico, brusco…desmedido
e o sangue espicha, guincha  na tranqueta, solta-se e
espeta-se na camisa … a denúncia !
Um sopro, ar sorvido  e expelido com abundância …a caravela
periclitante foge primeiro de mansinho…depois  corre doida mar acima, mar abaixo…
apanhada no susto sem tamanho…
o horizonte desalinha-se, inquieta-se
da tinta que se desencontrou do suporte…
forma meandros sinuosos
longos…estradas apertadas
nostalgias largas
e no momento da derrapagem  o sono trai o controlo
a caneta falha
e rola desesperada  para fora das orlas
tudo perdido…ou quase…
vislumbra-se na distancia o lenço branco
a vela rasgada e sem esperança …
e a  mão mecânica persegue
insistente o sofrido algemado
nas veredas do que mói e até dói
no fundo do poço a aliança
para sempre restabelecer
a digna confiança…
PN
9/11/13




domingo, 13 de outubro de 2013

Morro de amor por ti...

Se alguma vez fui pecador 
Foste tu que me empurraste 
me puxaste 
mil vezes tentaste o fraco homem 
louca mulher!
Urdiste intrigas 
Verborreia oca e frívola
Ser vagante,
Fantasma reencarnado num elefante
Poderosa bruxa deliciosamente elegante
Usurpadora dos meus delicados sentimentos
Vacilo… tropeço entre a verdade e a miragem
Falsa imagem
Fera que me faz uivar de tesão…
Coisa torta
Titubas e desconcertas –me…desconcentras-me….
Roubas-me as mãos, os braços, o peito , os cabelos
E ardo num fogo lento, demorado
masoquismo adorado
Barco encalhado
Num mar sinuoso;
Seio nu que me chama ondulante, redondo
Farto, fofo…
Curvo e trigueiro
E a minha boca sequiosa 
mata a sede na fonte venenosa 
Vencido, morto argumento, sou!
troças de mim
e rumorejas aos meus ouvidos
num tom doce e confuso
Tolo…enraiveço-me
preso 
numa armadilha de pássaros
pudesse eu bater em revoada
salvo pelas aves…
o céu está distante,
nem sombra de bando…
Estou perdido…
Acordo…
Afasto o vício 
Imploras em risadas que fique
Que me alimente
Da mentira, da traição…
de tudo aquilo em que não acredito
Não!…não!...não!...
Seguras-me, tropeço em ti
Fujo…abalo…arrastas-te 
Pesas-me, fardo obstinado
Deixa-me, não queiras seguir-me
Liberta-me!
Distraído resvalo no obscuro
Rolam pedras sob meus pés…
Sozinho …
Volto-me a tempo de ver o teu 
gelado riso…. deleitado e triunfante
A visão tolda, enevoa-se 
Na queda há um anjo
Sacudo-me aflito e impaciente! 
asas?!
… mas sou eu ?!
PN

sábado, 28 de setembro de 2013