segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

As feras


Grande é a aflição
Tão triste penar
delírio de lágrimas
a descer do calvário.
Rosnam caninos 
Verdades estragadas
laranjal amargo 
flor cuspida no chão 
Andam à solta... à solta
as feras de salto alto
maquilhadas, aromáticas
travestis plastificadas
Vazias, feias, escarninhas
Ávidas de estrelato
As feras rondam… rondam
farejam bêbedas, soporíficas
lunáticas, descaradas
chutam ideias estúpidas para o ar…
Intrometidas, intrusas,
ditadoras,
sem nenhuma sabedoria
deslumbradas …
na mísera condição.
Os corcundas vaidosos
metem dó
de tamanha subserviência
de tamanha servidão….
beijam o chão das feras
lambem o próprio pó…
É vê-los soberbos, arrogantes
com outros de rasa condição
ou seus semelhantes…
Brandos, calmos, limitados
com as feras de salto alto
tontos, atarantados
aduladores salivantes
Cães sem raça, nem postura
míopes, cegos, caricaturantes
autênticas bestas irritantes.
PN

domingo, 26 de janeiro de 2014

Que realidade....

Dói-me ver os filhos da pobreza 
de mão estendida;
rotos, esfarrapados...
barriga vazia
E, cada vez mais a inimiga riqueza 
os deixa literalmente deformados.

PN

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Espírito de Natal




O céu desce
numa pálida nuvem
O dia amanhece
dentro da gruta
Os anjos bocejam
num trejeito ingénuo
Os sinos bamboleiam   
Num   tom  alegre…
É chegada a hora
da  luz cobrir
o que de trevas
está para vir…
ó  Salvador surge agora
salva os bons do poço sem  fundo
e condena os maus a um mar de chumbo
As fontes cantam de rosto lavado
água benta corre o prado
  lágrimas rebentam
dos olhos varados
E das alturas,… das alturas
vem um gesto desejado….
PN
 
 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A folha branca



Não é no tecto que encontrarás as linhas curvas, ondulantes, as linhas retas, as linhas finitas e infinitas, as linhas quebradas,ziguezagueadas, mastigadas, esticadas, sinuosas, majestosas, espiraladas, curtas,compridas, grossas e finas.... é na tua folha de papel.... deixa a tua mão correr, nesse diálogo firme , vigoroso e aventureiro e se porventura uma dessas linhas sair fora dos teus planos , do percurso traçado,segue-a, até onde for possível...quem sabe se não te mostrará outro caminho possível,um atalho que fará toda a diferença e poderá mudar o rumo do teu desenho...
PN

Perdoem-me a ausência nos vossos espaços...a seu tempo marcarei presença com o mesmo prazer de sempre. Abraço.

sábado, 9 de novembro de 2013

Passa o som e deixa um espaço...


_________________________
A distância percorrida é leve, fina espessura,
Resistente, persistente
Nesta suspensão algo demorada
O borrão afogueado e rubro
Invade a toalha alva.
Embebeda-se…
encharca-se de pureza.
O vazio estende-se, pendura-se no estendal
da roupa e redemoinha  nas guitas
quase enforcado no gesto colérico, brusco…desmedido
e o sangue espicha, guincha  na tranqueta, solta-se e
espeta-se na camisa … a denúncia !
Um sopro, ar sorvido  e expelido com abundância …a caravela
periclitante foge primeiro de mansinho…depois  corre doida mar acima, mar abaixo…
apanhada no susto sem tamanho…
o horizonte desalinha-se, inquieta-se
da tinta que se desencontrou do suporte…
forma meandros sinuosos
longos…estradas apertadas
nostalgias largas
e no momento da derrapagem  o sono trai o controlo
a caneta falha
e rola desesperada  para fora das orlas
tudo perdido…ou quase…
vislumbra-se na distancia o lenço branco
a vela rasgada e sem esperança …
e a  mão mecânica persegue
insistente o sofrido algemado
nas veredas do que mói e até dói
no fundo do poço a aliança
para sempre restabelecer
a digna confiança…
PN
9/11/13




domingo, 13 de outubro de 2013

Morro de amor por ti...

Se alguma vez fui pecador 
Foste tu que me empurraste 
me puxaste 
mil vezes tentaste o fraco homem 
louca mulher!
Urdiste intrigas 
Verborreia oca e frívola
Ser vagante,
Fantasma reencarnado num elefante
Poderosa bruxa deliciosamente elegante
Usurpadora dos meus delicados sentimentos
Vacilo… tropeço entre a verdade e a miragem
Falsa imagem
Fera que me faz uivar de tesão…
Coisa torta
Titubas e desconcertas –me…desconcentras-me….
Roubas-me as mãos, os braços, o peito , os cabelos
E ardo num fogo lento, demorado
masoquismo adorado
Barco encalhado
Num mar sinuoso;
Seio nu que me chama ondulante, redondo
Farto, fofo…
Curvo e trigueiro
E a minha boca sequiosa 
mata a sede na fonte venenosa 
Vencido, morto argumento, sou!
troças de mim
e rumorejas aos meus ouvidos
num tom doce e confuso
Tolo…enraiveço-me
preso 
numa armadilha de pássaros
pudesse eu bater em revoada
salvo pelas aves…
o céu está distante,
nem sombra de bando…
Estou perdido…
Acordo…
Afasto o vício 
Imploras em risadas que fique
Que me alimente
Da mentira, da traição…
de tudo aquilo em que não acredito
Não!…não!...não!...
Seguras-me, tropeço em ti
Fujo…abalo…arrastas-te 
Pesas-me, fardo obstinado
Deixa-me, não queiras seguir-me
Liberta-me!
Distraído resvalo no obscuro
Rolam pedras sob meus pés…
Sozinho …
Volto-me a tempo de ver o teu 
gelado riso…. deleitado e triunfante
A visão tolda, enevoa-se 
Na queda há um anjo
Sacudo-me aflito e impaciente! 
asas?!
… mas sou eu ?!
PN