sexta-feira, 20 de março de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
O estendal
na varanda
esticado
parede fora
ligeiramente curvado
quase todo aprumado
enregelado
um rapaz
de ombros encolhidos
resiste ao frio
introvertido
permanece assim, calado
O vento armado leva-lhe os cabelos
abre-lhe a camisa
galga tronco abaixo
até ao ventre
O moço levanta o pescoço
perturbado
E o furacão alvoroçado
empurra-o
provoca-o para um rixa
sacode-lhe os ombros espadaúdos
Tempo perdido
Resolve entrar pelo cano das calças escuras
E subir até à cintura
O cinto largo não permite escalar mais .
Tem pernas esguias
músculos treinados
é novo, bem tratado
boa imagem
As rajadas soltas serenam…
que fazer?
mal humorado
o senhor dos temporais
tenta arrancar os braços
mas as mãos estão presas nos bolsos das calças
Tenta içá-lo …
Nada
De novo
Nada
O rapaz não se deixa provocar
continua de pé, para a frente e para trás
as rajadas não o largam
Quem visse, diria que na varanda
há um “menino” embriagado
mas não é verdade
só está desolado
soturno
pudesse ele abocanhar um cigarro
e pássaros esvoaçariam da boca
batendo em profusão
O vento acirrado tenta esmurrá-lo
no queixo quadrado
no peito bem talhado
nos ombros fortificados
Todo o corpo
ostenta uma presença forte
um castelo
não se verga
O senhor dos temporais torna-se asqueroso
de propósito belicoso
de tal forma
se torna vil, abjecto
que o rapaz solta as mãos das calças e atira-as à parede
O sopro guerreiro aproveita o momento titubeante
salta-lhe para cima
ataca-o destemido
crava-lhe as unhas
um ataque momentâneo
já se endireita rapidamente
e a postura a mesma …
como se nada tivesse acontecido
os olhos dele tornam-se abstractos
alheados de toda e qualquer circunstância do momento
não que contemple o paraíso
ou se mostre sem
juízo
No seu rosto
há uma bondade natural
uma pachorra
não blasfema
nem boceja de fastio
Lábios carnudos cereja
semiabertos
pela brecha
distingue-se dentes
alvos, frescos
cabelos bruxuleantes
ondulam, serpenteiam inquietos
O vento clama
cenho carregado
cinzento
Cinge-o num abraço, aperta-o com força pela cintura
Quer ouvi-lo gritar
o rapaz coíbe-se de qualquer retaliação
revestido de uma couraça
apenas uma ligeira crispação
Uma rasteira certeira
arrepia-lhe a alma
tropeça nos próprios pés
rodopia embaraçado no inimigo
rumoreja enredado…
rola sobre o gradeamento
desliza desamparado
…da cabeça escorrega um fio de sangue
O guerreiro bravio e grandioso
dardeja mais forte
arreliado e sem comiseração
Detentor da situação
rasga-lhe a camisa
com violência
O jovem mortificado
e desconcertado
deixa-se ir até ao chão
O furacão épico exige que se levante
o rapaz ainda ergue o braço esgazeado
estiolado
a cabeça descai para o lado.
O senhor dos temporais ruidoso e fanfarrão
bate em retirada
Os olhos do jovem pestanejam…
e devagar, muito devagar prepara-se para se erguer do chão.
PN
sábado, 3 de janeiro de 2015
sábado, 20 de dezembro de 2014
“As aventuras do “Menino sem Medo”
Há cento e quatro anos,
mais precisamente no mês onze, pelas dez horas e trinta minutos
deu à costa, vindo do
planeta Enamoramento,
um ser indefeso,
frágil, dimensão reduzida
gorduchinho, careca
e nos olhos, um céu
azul intenso
Para surpresa da fada
que ansiosamente o aguardava;
gargalhava com imenso
gozo
nadava nu e fazia
glu…glu….
O mundo cabia
inteirinho nos braços abertos
Desatava a correr num
passo miudinho, copioso
O bebé acrobata fazia
piruetas e mais piruetas na água;
um golfinho delicioso…
rolava, saltava,
pulava, dançava
Ia lá ao fundo
ninguém o apanhava…
A fada tratava-o por
“o meu “Tarzan” Boy Water”
Bastava-lhe soltar o
grito de chamamento
e as sereias acudiam
prontamente.
Foram essas meninas
que o trouxeram para a praia
O bote ficou a
balançar a milhas, próximo de uns rochedos
Iupi! Grande vitória
, terra nova, terreno sólido
As sereias
deixaram-no ali e voltaram ao mar
O “menino” meio
zonzo, soltou o grito costumeiro
E surgiu o blacky,rabinho
a agitar
Cão castanho fofo e
focinho preto
“Tarzan” boy water”
montou-o e lá foram floresta dentro.
Encontraram uma
variedade de primatas, cavalos, gatos, suínos, patos, galináceos, girafas,
leopardos, leões….
A viagem do
crescimento iniciara-se ali…no reino Natural.
A fada madrinha,
muito querida dava-lhe lições; ensinou-lhe as boas maneiras;
foi firme,
regras e muito colo.
Mostrou-lhe o Amor
Os anos passaram…
“Tarzan boy” water” tornou-se
um rapazito feliz
meigo, ternurento,
amigo, alegre, divertido e brincalhão
Recorda agora!
PN Dez 2014
Continuações de um Feliz Natal para todos vós!
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
A menina
Ventania sem norte
fria e impiedosa
fustiga a vidraça
Dezembro com sorte,
claridades medonhas
tumultos, pedra rachada
abate-se sobre a cabeça da miúda
Há fantasmas que se arrastam céu fora
cujas bocas rugem cavernosas,
mostram dentes afiados, ferozes
Ninguém compreende os seus medos, as suas inseguranças, os seus receios
a rapariga encolhe de altura…
muito tímida…agrilhoada
os vultos assustam
o visível
até o invisível
Move-se às escuras no quarto
de um lado para o outro
angustiada e só
nova claridade, o temor persiste
Na manhã seguinte
sai à rua;
terra molhada
ainda cai uma poalha rala
Chora de alívio
Decide fazer um pacto com a coragem;
percorre montanhas, montes e vales
para se encontrar com a Guardiã da Floresta;
mulher profundamente conhecedora da alma humana
O portão abre e range nos gonzos;
dois duendes acompanham-na
sobre uma passadeira verde…
pássaros saúdam amáveis
O casarão coberto de trepadeiras;
redondo como um moinho
Entretanto, a rapariga vai perdendo tamanho, intimidada
com a força grandiosa da natureza que ali brota e ostenta
Agora já não chove
só o cheiro da terra ensopada, das ervas, das plantas, das flores
Os aromas entontecem
Há brilhos de todos os lados;
O sol
espeta-se em todos os cantos e recantos e os milhares de gotículas
deixadas ao acaso vão brilhando
Lantejoulas saltitantes. Facho interminável de luzinhas…
Os duendes conduzem-na aos aposentos da Senhora da Floresta.
Abrem uma porta
a menina entra e a porta volta a fechar
A sala é redonda, chão de terra seca
paredes atapetadas de relva aparada
raros rebentos de flores amarelas, verdes, brancas, castanhas
aqui, ali, acolá
Ao fundo da sala;
Ei-la, sentada numa cadeira de madeira talhada à mão,
apoiada numa mesa igual, redonda e os bancos também redondos e toscos
Quando se ergue, assusta a miúda, que diminui ainda mais de tamanho.
A mulher é alta, magra, rosto tisnado, jovial,
cabelo cacheado, bagos de uva verde imiscuídos
no vinhal denso da cabeça,
casaco curto musgo maciço de vários tons
calça justa de terra seca, texturada de lama rachada
à medida da silhueta
Botas de cortiça, cano alto.
Pede à menina para se aproximar e ocupar um dos bancos
para ficarem o mais próximo possíveis uma da outra.
Toma-lhe as mãos pequeninas nas suas e predispõe-se a escutá-la atentamente.
Porém, a miúda começa a garatujar tão baixo
que a outra inclina a cabeça e apura o ouvido direito
mesmo assim….
- Tenta falar um bocadinho mais devagar e mais alto, por favor!
Mas a pequena não se controla, sussurra em cascata;
jorro de frases ininteligíveis…quase sem respirar
A senhora da Floresta resolve deixá-la prosseguir
Espera, espera pacientemente
que a rapariga termine aquela melopeia praticamente inaudível
depois, a menina suspira aliviada e
logo a seguir fita-a à espera de uma resposta
A Guardiã da Floresta sorri meiga
e responde num tom médio
- Minha menina, quero que te comprometas a vir visitar-me todas as semanas
Estarei aqui disponível para ti.
Levanta-se, abre um armário grande, feito de cascas de árvores
e declara:
- Aqui tens este baloiço para quando te sentires só e abandonada,
Baloiça, baloiça… imagina que são os meus braços protectores e sentir-te-ás amparada
Leva este gato, poisa no teu regaço, trata-o bem, mima-o….
receberás o mesmo em troca
Significa o meu afecto
Menina, agora vá, volte para casa, não se esqueça
Mime-se e cuide de si!
A rapariga saiu dali mais que surpreendida!
mãos cheias e alma a transbordar de alegria.
fria e impiedosa
fustiga a vidraça
Dezembro com sorte,
claridades medonhas
tumultos, pedra rachada
abate-se sobre a cabeça da miúda
Há fantasmas que se arrastam céu fora
cujas bocas rugem cavernosas,
mostram dentes afiados, ferozes
Ninguém compreende os seus medos, as suas inseguranças, os seus receios
a rapariga encolhe de altura…
muito tímida…agrilhoada
os vultos assustam
o visível
até o invisível
Move-se às escuras no quarto
de um lado para o outro
angustiada e só
nova claridade, o temor persiste
Na manhã seguinte
sai à rua;
terra molhada
ainda cai uma poalha rala
Chora de alívio
Decide fazer um pacto com a coragem;
percorre montanhas, montes e vales
para se encontrar com a Guardiã da Floresta;
mulher profundamente conhecedora da alma humana
O portão abre e range nos gonzos;
dois duendes acompanham-na
sobre uma passadeira verde…
pássaros saúdam amáveis
O casarão coberto de trepadeiras;
redondo como um moinho
Entretanto, a rapariga vai perdendo tamanho, intimidada
com a força grandiosa da natureza que ali brota e ostenta
Agora já não chove
só o cheiro da terra ensopada, das ervas, das plantas, das flores
Os aromas entontecem
Há brilhos de todos os lados;
O sol
espeta-se em todos os cantos e recantos e os milhares de gotículas
deixadas ao acaso vão brilhando
Lantejoulas saltitantes. Facho interminável de luzinhas…
Os duendes conduzem-na aos aposentos da Senhora da Floresta.
Abrem uma porta
a menina entra e a porta volta a fechar
A sala é redonda, chão de terra seca
paredes atapetadas de relva aparada
raros rebentos de flores amarelas, verdes, brancas, castanhas
aqui, ali, acolá
Ao fundo da sala;
Ei-la, sentada numa cadeira de madeira talhada à mão,
apoiada numa mesa igual, redonda e os bancos também redondos e toscos
Quando se ergue, assusta a miúda, que diminui ainda mais de tamanho.
A mulher é alta, magra, rosto tisnado, jovial,
cabelo cacheado, bagos de uva verde imiscuídos
no vinhal denso da cabeça,
casaco curto musgo maciço de vários tons
calça justa de terra seca, texturada de lama rachada
à medida da silhueta
Botas de cortiça, cano alto.
Pede à menina para se aproximar e ocupar um dos bancos
para ficarem o mais próximo possíveis uma da outra.
Toma-lhe as mãos pequeninas nas suas e predispõe-se a escutá-la atentamente.
Porém, a miúda começa a garatujar tão baixo
que a outra inclina a cabeça e apura o ouvido direito
mesmo assim….
- Tenta falar um bocadinho mais devagar e mais alto, por favor!
Mas a pequena não se controla, sussurra em cascata;
jorro de frases ininteligíveis…quase sem respirar
A senhora da Floresta resolve deixá-la prosseguir
Espera, espera pacientemente
que a rapariga termine aquela melopeia praticamente inaudível
depois, a menina suspira aliviada e
logo a seguir fita-a à espera de uma resposta
A Guardiã da Floresta sorri meiga
e responde num tom médio
- Minha menina, quero que te comprometas a vir visitar-me todas as semanas
Estarei aqui disponível para ti.
Levanta-se, abre um armário grande, feito de cascas de árvores
e declara:
- Aqui tens este baloiço para quando te sentires só e abandonada,
Baloiça, baloiça… imagina que são os meus braços protectores e sentir-te-ás amparada
Leva este gato, poisa no teu regaço, trata-o bem, mima-o….
receberás o mesmo em troca
Significa o meu afecto
Menina, agora vá, volte para casa, não se esqueça
Mime-se e cuide de si!
A rapariga saiu dali mais que surpreendida!
mãos cheias e alma a transbordar de alegria.
PN Dez 2014
Queridos Amigos, aproveito a ocasião para Desejar a Todos um FELIZ e SANTO NATAL.
O poema/conto é da minha autoria, a ilustração trata-se de uma fotografia minha a um postal que encontrei numa loja.
Poema e postal Têm um significado Especial, por isso dediquei-o a uma Pessoa Igualmente Especial.
Fiquem bem!
Até já!
Nota: Desejo a Todos os Amigos que me têm acompanhado ao longo destes últimos anos....Votos de um Santo Natal !
PN
Poema e postal Têm um significado Especial, por isso dediquei-o a uma Pessoa Igualmente Especial.
Fiquem bem!
Até já!
Nota: Desejo a Todos os Amigos que me têm acompanhado ao longo destes últimos anos....Votos de um Santo Natal !
PN
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