domingo, 22 de fevereiro de 2015

O estendal


 Lá fora
na varanda
esticado
parede fora
ligeiramente curvado
quase todo aprumado
enregelado
um rapaz
de ombros encolhidos
resiste ao frio
introvertido
permanece assim, calado
O vento armado leva-lhe os cabelos
abre-lhe a camisa
galga tronco abaixo
até ao ventre
O moço levanta o pescoço
perturbado
E o furacão  alvoroçado
empurra-o
provoca-o para um rixa  
sacode-lhe os ombros espadaúdos
Tempo perdido
Resolve entrar pelo cano das calças escuras
E subir até à cintura
O cinto largo não permite escalar mais .
Tem pernas esguias
músculos treinados
é novo, bem tratado
boa imagem
As rajadas soltas serenam…
que fazer?
mal humorado
o senhor dos temporais
 tenta  arrancar os braços
mas as mãos estão presas nos bolsos das calças
Tenta içá-lo …
Nada
De novo
Nada
O rapaz não se deixa provocar
continua de pé, para a frente e para trás  
as rajadas  não o largam
Quem visse, diria que na varanda
há um “menino” embriagado
mas não é verdade
só está desolado
soturno
pudesse ele abocanhar um cigarro
e pássaros esvoaçariam  da boca
batendo em profusão
O vento acirrado tenta esmurrá-lo
no queixo quadrado
no peito bem talhado
nos ombros fortificados
Todo o corpo
ostenta uma presença forte
um castelo
não se verga
O senhor dos temporais  torna-se asqueroso
de propósito belicoso
de tal forma
 se torna vil, abjecto
que o rapaz solta as mãos das calças e atira-as  à parede
O sopro guerreiro aproveita o momento titubeante
salta-lhe para cima
ataca-o destemido
crava-lhe as unhas  
um ataque momentâneo
já  se endireita rapidamente
e a postura a mesma …
como se nada tivesse acontecido
os olhos dele tornam-se abstractos
alheados de toda e qualquer circunstância do momento
não que contemple o paraíso
ou se mostre  sem juízo
No seu rosto
há uma bondade natural
uma pachorra
não blasfema
nem boceja de fastio
Lábios carnudos cereja
semiabertos
pela brecha
distingue-se  dentes alvos, frescos
cabelos bruxuleantes
ondulam, serpenteiam inquietos
O vento clama
cenho carregado
cinzento
Cinge-o num abraço, aperta-o com força pela cintura
Quer ouvi-lo gritar
o rapaz coíbe-se de qualquer retaliação
revestido de uma couraça
apenas uma ligeira crispação
Uma rasteira certeira
arrepia-lhe a alma
tropeça nos próprios pés
rodopia embaraçado no inimigo
rumoreja enredado…  
rola sobre o gradeamento
desliza  desamparado
…da cabeça escorrega um fio de sangue
O guerreiro bravio e grandioso
dardeja mais forte
arreliado e sem comiseração
Detentor da situação
rasga-lhe  a camisa
com violência
O jovem mortificado
e desconcertado
deixa-se ir até ao chão
O furacão épico exige que se levante
o rapaz ainda ergue o braço esgazeado
estiolado
a cabeça descai para o lado.
O senhor dos temporais ruidoso e fanfarrão
bate em retirada
Os olhos do jovem pestanejam…
e devagar, muito devagar prepara-se para se erguer do chão.
PN


 PN



sábado, 20 de dezembro de 2014

“As aventuras do “Menino sem Medo”


Há cento e quatro anos, mais precisamente no mês onze, pelas dez horas e trinta minutos
deu à costa, vindo do planeta Enamoramento,
um ser indefeso, frágil, dimensão reduzida
gorduchinho, careca
e nos olhos, um céu azul intenso
Para surpresa da fada que  ansiosamente o aguardava;
gargalhava com imenso gozo
nadava nu e fazia glu…glu….
O mundo cabia inteirinho nos braços abertos
Desatava a correr num passo miudinho, copioso
O bebé acrobata fazia piruetas e mais piruetas na água;
um golfinho delicioso…
rolava, saltava, pulava, dançava
Ia lá ao fundo
ninguém o apanhava…
A fada tratava-o por “o meu “Tarzan” Boy Water”
Bastava-lhe soltar o grito de chamamento
e as sereias acudiam prontamente.
Foram essas meninas que o trouxeram para a praia
O bote ficou a balançar a milhas, próximo de uns rochedos
Iupi! Grande vitória , terra nova, terreno sólido
As sereias deixaram-no ali e voltaram ao mar
O “menino” meio zonzo, soltou o grito costumeiro
E surgiu o blacky,rabinho a agitar
Cão castanho fofo e focinho preto
“Tarzan” boy water” montou-o e lá foram floresta dentro.
Encontraram uma variedade de primatas, cavalos, gatos, suínos, patos, galináceos, girafas, leopardos, leões….
A viagem do crescimento iniciara-se ali…no reino Natural.
A fada madrinha, muito querida dava-lhe lições; ensinou-lhe as boas maneiras;
 foi firme,
regras e muito colo.
Mostrou-lhe o Amor  
Os anos passaram…
“Tarzan boy” water” tornou-se um rapazito feliz
meigo, ternurento, amigo, alegre, divertido e brincalhão
Recorda agora!


PN Dez 2014
Continuações de um Feliz Natal para todos vós!