domingo, 10 de maio de 2015
No tempo dos sonhos
NA FALTA DAS MINHAS PALAVRAS
O VAZIO NÃO FICOU MAIS CHEIO
'
NA TUA BOCA FLORIAM AVES
EU NAQUELE TEMPO
CEGUEI...
NÃO VI!
'
OS TEUS PASSOS SUBTIS
PERDERAM-SE EM VÉUS
NUS E VIRGINAIS
'
SÓ DEPOIS LI
NA TINTA QUE ESCORRIA
DOS TEUS OLHOS
DESSES OLHOS QUE NUNCA VI
'
ENLOQUECI-TE
COM MÃOS DE ESPUMA
E LÍNGUAS DE FOGO
'
E TU SOLTASTE AS TECLAS
E O SOM AGUDIZOU-SE
EM ORGASMOS FRENÉTICOS
'
OS CORPOS LONGÍNQUOS
AGITARAM-SE
EM FANTASIAS...QUE EU INVENTAVA
'
AS NOITES FORAM BRANCAS
...VESTIDAS DE LUTO
EM LEITO RÍGIDO E FRIO
'
AGORA
DESTE CAIS ONDE A SAUDADE MORA
REPOUSAM APENAS OS MEUS AIS...
'
PUDESSE EU TOCAR-TE
QUANDO O TEMPO
AINDA ERA PRIMAVERA ALADA
PN (reedição) Pierre Auguste Cot
Paisagem
Obra de Jean-François Millet
Manchas aguareladas clareiam a figura da campesina
insectos vários poisam nas flores docemente
mais à distância distingue-se uma casita pequenina
e da chaminé rústica evola-se um fumo quente
insectos vários poisam nas flores docemente
mais à distância distingue-se uma casita pequenina
e da chaminé rústica evola-se um fumo quente
Mais à direita, um retalho nebuloso rasga o ocaso vagamente
o canto uníssono d'um grupo de raparigas
uma gaivota agita as asas lentamente
e os campos enchem de trigo as espigas
o canto uníssono d'um grupo de raparigas
uma gaivota agita as asas lentamente
e os campos enchem de trigo as espigas
O camponês exaltado eleva emocionado os olhos celestiais
espelhando a paixão cor em coloridos vitrais
em bicos de pés , no real quadro, o rio espreguiça-se no leito...
espelhando a paixão cor em coloridos vitrais
em bicos de pés , no real quadro, o rio espreguiça-se no leito...
Logo de seguida, para dentro da pintura levo meu desejo ideal
o de elevar com altruísmo aquele amor triunfal
mas senti um estranho e solitário sentimento no peito....
o de elevar com altruísmo aquele amor triunfal
mas senti um estranho e solitário sentimento no peito....
PN
Nota: (Um desafio amigo do facebook .... reedição sujeita a alterações)
domingo, 3 de maio de 2015
Tu por mim…eu por ti!
As tuas mãos trémulas e frias
repousam carinhosamente nas minhas
aquecidas em lume brando...
na paz destes dias...
Essa nostalgia….
Outras vezes alegria!
sou de novo tua alvorada
teus olhos ainda não perderam o brilho!
enchem-se de rosas sem espinhos
e eu fito-te com eterna
comoção!
Desmancha a ruga sombria
que no sobrolho faz ninho
Meu peito segura teus cansaços
Vamos agora caminhar devagarinho
que eu
amparo teus passos…(sorrimos)
PN
sábado, 25 de abril de 2015
Abril, que seja um peixe fresco, bem fresco a saltar da rede para o mar!
No fundo, no mais fundo
nas entranhas do funil
há uma boca altifalante
que anuncia o fim do mundo
No fundo, no mais fundo
dos dias coxos e curtos
há uma boca altifalante
que morde o apocalíptico surto
No fundo, no mais fundo
do roubo sem piedade e sem dó
há uma boca altifalante
que conhece um povo que morde o pó
No fundo, no mais fundo
a matança já começou
há uma boca altifalante
a dizer que muito sangue jorrou!!!
PN
terça-feira, 21 de abril de 2015
Elas ...
Repousam encarquilhadas
arrepiadas , espetadas
abobadadas , retorcidas
alçadas …desfalecidas
requebradas, inanimadas…
Ossários incinerados
Quase centauros…
Quase faunos…
Quase aves embalsamadas
Quase dinossauros fossilizados
ou em gestos de dança esticados
estrebuchados de acrobacia ousada
na busca desesperada e permanente de céu…
PN
sábado, 11 de abril de 2015
Tigre e Monstro
Pintura de Leonora Carrington
Casamento enigmático
Pacto mofo e oxidado
entre sonho e brutalidade
Edificaram o vasto império
império da desgraça e do fatalismo;
paredes cobertas de mentiras
vasos apinhados de lixo;
resmunguice abominável e crua
Infortúnio terrífico
trafulhice e pulhice
O monstro
tinha sido sempre princesa de reservas caprichosas, só suas
Adulada por corresponder ao que o hospício esperava dela
escrava e cópia fiel de papéis fraudulentos e desavindos
princesa obsoleta como um camafeu
criou tigrinhos e
monstrinhos à sua semelhança; grosseiros
Megalómana, perversa, invejosa
conheceu o tigrinho assanhado
de fato sem brio
Um palhaço sem graça
mas os neurónios estrábicos da infanta obstinada
só viam aquele ponto, ali mesmo, laterais fechadas….coitada
Confinada ao seu horizonte
lá deu o nó na escuridão breu
e foi estreitando ainda mais o campo de visão ao tigre
valeu-lhe a ignorância do bichano usurpador
Ao contrário do que se possa imaginar
o tigre faz fitas, esperneia , range e ruge
pendura-se nos preconceitos sábios da soberana maquiavélica
e papagueia-os a toda a hora … os mais incautos
julgam-no profundo conhecedor de matérias várias
e ela sabida, vai manobrando o dorso da fera.
Os rebentos daquela malfadada união
meninos tigrinhos e meninas monstrinhos
Vítimas daquela maligna educação
Quem sabe….diz que de manhã à noite
“Os diabos da Tasmânia”
não cessam de faiscar;
Sem regras
Sem afectos
Sem constância de palavra;
Ora é sim , ora é não,
Ora é por ali, ora é por acolá
Não há sossego
Há tormenta
Não há rédea
Há caos
Não há caminho seguro
Há abismo
Não há verdade
Há fraude
Veredas…Atalhos arriscados
Bocados fragmentados de realidade
nesta desordem mendonha
crescem naquela moradia…
sem tranquilidade, sem rega , sem poda
Tigrinhos e monstrinhos
entre quatro paredes, bem escondidinhos
para ninguém saber, para ninguém nada ver;
O tigre embravecido e o monstro de cabelo lambido
espicaçam-se e esgrimem roncos feios de ouvir
Os filhos tigrinhos e as filhas monstrinhos ora ficam num cantinho
Ou também vaporizam
maus odores de se ouvir;
assistem ao horror
usados quando é preciso
enganados quando é desejável
confusos e mal-formados
empacotando lides sem
qualquer jeito
tremendo com tanta altercação…
Quando o dia se fecha
E a noite se abre
o empobrecimento sentimental é igual
os tigrinhos e os monstrinhos já padecem de insónia
Suspeitam de outros monstros e tigres desconhecidos no seu
território
carregados de maus tratos corporais e espirituais…
vêm as mentiras nas paredes imiscuírem-se com eles, zombam das suas fobias, gargalham desdenhosas, chupam-lhes o sono…
eles gritam assustados … mas pai tigre não quer saber
a mãe monstro, coxa que é …não sabe o que fazer…
enredada na sua própria teia
Já nada corresponde às suas expectativas de princesa dos
príncipes
Os sonhos e as derrapagens amalgamaram-se e não distingue
nada
Antevê sombras maldosas em todo o lado, inimigos do seu
império glorioso
querem destruí-la, dar-lhe ordens….torna-la insignificante
Às vezes lá vai o tigrão aninhar as crias … perpetuamente
resmungão…. mal feitor, aldrabão
O tigre receia ficar sem linhagem, sem protagonismo, sem império,
na condição de pobretão, condenado à sua insignificante condição…
A mãe monstro, agarra-se aos tigrinhos e aos monstrinhos como jangada de salvação,
Pois, domina muito bem a arte da manipulação …
para assim poder sair do seu reino, embevecida na falsa
postura, de rainha bem sucedida.
e levar todos à loucura ….incluindo ela própria ….
Coxa, cega, louca, caprichosa, egoísta, inflexível… lá vai
ela
Torna-se feia nas caricaturas que engendra no seu próprio rosto,
imitando quem detesta e odeia,
depois mostra a
língua
àqueles que a chamam à ponderação….
Pobre tigre, pobre monstro
num império de estrume atolado
a cair de vazio, a cair de podre
e mormente a causar tão má impressão.
PN
sexta-feira, 20 de março de 2015
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