No cimo da tua mesa há rima branca
dispersa, poalha, farelo…assim, desaparecida….
luz branca que sorri e flutua
e o problema retorceu a anca…
No cimo da tua mesa há muros espessos
nós apertados à tua garganta
dúvidas engasgadas, guilhotinas de medo
a tua cabeça rola nas
bocas do mundo…
No cimo da tua mesa há vertigens
suicidas, sedutoras, convidativas ao salto mortal
tudo seria mais fácil….
Mas outra força maior puxa-te para a vida
No cimo da tua mesa há um espelho
onde se reflecte o que nem sabes …
navios, mastros, santos mártires …
homens intocáveis, inteiros
No teu cimo da tua mesa há acusações
sentimentos de culpa, espinhos que te mordem
e ferem a boca
confusões, artilharia apontada e mentira pesada
No cimo da tua mesa navegam peixes de água doce
tempestades marinhas
mar calmo….
até regos bem cultivados e alface a saltar para cima…
No cimo da tua mesa há verdades dolorosas
que não podes vencer…
por muito que grites e combatas
é uma conquista que irás perder
No cimo da tua mesa, a um canto
a esperança aguarda por ti
parou de chover…
mesmo com o estômago embrulhado,
sai, sai a correr
segura a tua idade
não a deixes fugir.
PN Jean Frederic Schall















