quarta-feira, 10 de junho de 2015

O lugar

A construção pariu ratazanas polidas, execráveis, endeusadas…disparam dos altos cargos em descapotáveis ganhos nas contas sumptuosas da Telexfree… e alardeiam-se à Hollywoodiana.

Lugar vizinho do vazio

Sítio engolido pelo chão

Edifício roído pela podridão

E gente, gente pífia, aquários de prisão

 

Lugar, armadilha do bem

Sítio entranhado de metal e de frio…

Edifício de risos sujos e dentes sádicos

Almas agrestes, maldosas e o perigo do dinheiro na mão

 

Sem saudade deste lugar…

Liberdade em fuga

Teia de aranha fechada

Que pica e mata quem vai a par

 

Fétido lugar, sítio de falso brilho

Besuntado de estrume e olhos de través

Algema bandida, furacão soberano

Falsa oração, cúmplice da maldição viés

 

PN


Nota( Ainda não consigo retomar as visitas habituais e recíprocas .... em breve contem comigo. Com a mesma atenção de sempre... )
PN

domingo, 10 de maio de 2015

No cimo da tua mesa…



No cimo da tua mesa há rima branca
dispersa, poalha, farelo…assim, desaparecida….
luz branca que sorri e flutua
e o problema retorceu a anca…

No cimo da tua mesa há muros espessos
nós apertados à tua garganta
dúvidas engasgadas, guilhotinas de medo
 a tua cabeça rola nas bocas do mundo…

No cimo da tua mesa há vertigens
suicidas, sedutoras, convidativas ao salto mortal
tudo seria mais fácil….
Mas outra força maior puxa-te para a vida

No cimo da tua mesa há um espelho
onde se reflecte o que nem sabes …
navios, mastros, santos mártires …
homens intocáveis, inteiros

No teu cimo da tua mesa há acusações
sentimentos de culpa, espinhos que te mordem
e ferem a boca
confusões, artilharia apontada e mentira pesada


No cimo da tua mesa navegam peixes de água doce
tempestades marinhas
mar calmo….
até regos bem cultivados e alface a saltar para cima…

No cimo da tua mesa há verdades dolorosas
que não podes vencer…
por muito que grites e combatas
é uma conquista que irás perder

No cimo da tua mesa, a um canto
 a  esperança aguarda por ti
parou de chover…
mesmo com o estômago embrulhado,

sai, sai a correr
segura a tua idade
não a deixes fugir.
PN                                                        Jean Frederic Schall





Cinza… nevoeiro



Mentira 
vazio inteiro
Embarcação abalroada 
num cais desfeito
Casco aberto
num céu coberto
Úlcera sem sentido a morder o peito
O que ainda agora foi…
deixou de ser
Amor sem hora…
Faúlhas amortecidas 
a guarnecer –te o leito.
Reflexos do céu… não passam por aqui…
Se houvesse luar, pedia um pouco de luz para a minha noite
Reduzida a faúlhas, desbotada
O que já foi:
Rubro
Pujante
Delicado
Divertido
Um segredo secreto
Só nosso
Um amor sentido!
Um amor certo !

PN
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No_Masculino











Foram dias de demora
puxados num ápice
Línguas trocadas
roçadas
Saliva de uivos
salpicadas de ternura...
Noite adentro
corpos orvalhados
paisagem serena
amena de Verão
aconchego do abraço
terno sossego
A lua acende ...
e o desejo roça
acorda
a água mansa
rola na areia fina
num burburinho
inaudível
Solta-se o soluço
e o caudal
transborda…
O turbilhão resvala
e a pressa da ânsia
arrasta os poros,
desprende-se
do leito
e cavalga frenética!
A tua boca gulosa
provoca
sequiosa
fogosa...
O incêndio aviva-se
O quarto é pequeno
a vontade não cabe
na cama
É urgente ir mais longe
trepar paredes
cadeiras
mesas…
sem pudor
sem receio
sem medo
de sentir...
Respirar sofregamente
em perfeito movimento
ora louco
ora rouco
arquejante
o momento...
Gemido dorido
Soluço abafado
convulsão
espasmo...
O fluído impaciente
desemboca
na tua boca...
PN
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Deixa

                                                                   Pierre Auguste Cot

Deixa meus dedos 
Opalinos
Descerem teu corpo
Numa melopeia
De vento quente.
Deixa lamber tua pele sedosa
Em sussurros …
Em murmúrios…
Na descoberta do fruto proibido.
Deixa minha língua insubmissa
Franjar
o teu medo secreto.
Deixa à mostra
Essa maresia
De cabelos ondulados
Ornado com conchas verdes
E sóis na boca…
Deixa-me ser sal, doce e pimenta…
E sorver todo teu bafo hortelã…
PN
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Só nós dois...

                                                        Pierre Auguste Cot

Só nós dois…(sorriso maroto)
Imagino-o aqui…afagando minha alma
sua boca mordendo a minha, desperta emoções
em vagas fragosas e em tais visões…
que desfaleço num leito de calma
Descanse a sua mágoa no estendal
onde estão meus seios envolvidos
por entre risos divertidos
torno sua dor irreal…
Venha….deixe-se guiar por mim!
entre na alameda deste meu jardim
Veja; as flores num murmúrio a cabeça inclinaram
e os pássaros num estremeção aflito viajaram….
PN
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Vou a sós com a estrada


Leve …asinha de pássaro…
A calçada leva-me
na abundância da descida
Do lado esquerdo casario deserto
Do lado direito o mesmo enfeite…
Deixa-me ir… pena não haver uma escrivaninha
Sentir
a tinta a escorrer do dedo….
a galgar a mão minha…
paro, faço ligeiro reparo
belas quintas,
com certeza gente rica
quintais abastados de verde
vasos persas…
tapetes nas esquinas
a pressa a correr no peito
a crescer a bem aparada relvinha…
É mais de meio dia…
A tarde já desflorou…
E nem vislumbre de gente na rua…
Nem outros rugidos perturbadores…
E a alma caminha tão levezinha…
Vai só, é grande, imensa …cheia de ar…
Livre, sem amarras
Apenas demasiado sozinha…
PN                                                            
Fredèric Soulacroix
(reedição)