Carlos
e Beatriz formam um casal aparentemente feliz, têm uma filha de oito anos, ao
Domingo é habitual saírem os três, hoje para variar, convidaram a irmã mais
velha dele; a Leonor.
São
dez horas, há pouca gente na rua, o mar escorregadiço e húmido provoca as
muralhas do porto com os dedos dos pés, num tinir marulhado que ressoa delicioso
aos ouvidos mais atentos. Enquanto, os barcos periclitantes, naquele embalo
matinal deixam-se mover meio adormecidos e anestesiados pela maresia.
Carlos
volta-se para Beatriz com as mãos nos bolsos dos calções desportivos:
-
Que dia convidativo! – exclama sorridente
-
Hoje devíamos ter feito praia! – sentencia Beatriz
-
Tens razão mãe…apetecia-me um mergulhinho… - acrescenta a pequena.
-
Fica para outra altura! – finaliza Carlos.
-
Não pode ser hoje porquê? – questiona a miúda.
-
Bea, são dez e dez, daqui até ao carro é uma escalada …depois, ainda precisamos
de ir a casa buscar as coisas de praia…. E quando chegarmos lá …já é hora de
voltar…
-
Costa, és um desmancha prazeres…. a miúda está empolgada…! – conclui Beatriz ligeiramente
irritada.
-
Não me digas que pensas ir para a praia ao meio dia! – remata incrédulo.
Leonor
que até então permanecera em silêncio, resolve intervir.
-
O Carlos tem razão, os conselhos da protecção civil é evitar as horas em que o
calor é intenso….tenho por norma nunca me expor ao sol entre as onze e as cinco
da tarde!
-
Para o teu irmão, nunca é hora … há
sempre objecções ….se não é uma razão é outra …
-
Ei, baixa a bola, sim? Fala mais baixo, quem não tem razão aqui, és tu!
-
Pode até ser que não tenha…- admite contrafeita.
-
A Bea não se pode queixar de mim! – replica sério.
-
Para certas coisas… sim, é verdade….para outras és muito antiquado.
-
Referes-te a quê? – indaga irritado.
-
Hás-de convir que tens umas ideiazinhas ultrapassadas… - continua firme.
-
Dá-me um exemplo! – desafia Carlos.
-
Queres saber? Aquele assunto que já discutimos, sobre os possíveis namorados da
Bea… pelo que pude deduzir, parece não te agradar muito a ideia…
-
Ela tem apenas oito anos, Beatriz!
-
E qual é o problema, há quem seja precoce! – explica triunfante
Leonor
permanece calada, sente que o assunto não lhe diz respeito. Embora ambos lhe
dirijam olhares, em busca de aprovação.
-
Eu não fui explícito em relação a esse assunto…sei que a Bea já é bastante
madura para a idade que tem…por isso pode acontecer algum namorico.
-
Mentaliza-te que a Bea pertence a uma geração diferente da tua. Está
desenvolvida, é bonita, naturalmente não demorará muito a dar de caras com
alguém que se interesse por ela!
A
rapariga, alheada a tudo o que os adultos vaticinam, põe os olhos nas
embarcações e sorri:
-
Costa, olha aquele barco! É giro não é?
-
É filha, tem umas cores fortes.
Bea
larga em retirada e vai observar mais de
perto o pequeno barco atracado ao a um recanto.
-
Tem cuidado filha, não te aproximes muito…- Carlos avisa denotando alguma
preocupação
-
Ainda dá o mergulho tão desejado…- gracejou Leonor.
-
Mas voltando ao assunto – retoma Carlos – Não me importo que namore… desde que
não seja na minha casa.
-
Como? E onde é que vai ser?
-
Não quero os namorados dela lá em casa….isso é que não! Um dia mete - se com
um, no dia seguinte mete-se com outro…. E quantos mais? …eu conheço a filha que
tenho. Quer namorar? Muito bem! vá para a serra e namora à vontade!
-
Impedida de namorar é que ela não fica! – assegurou com êxito a mãe.
Leonor
fez-se ouvir num tom calmo:
-
É preciso atenção para que a Bea não
venha a ter nenhum deslize na pré adolescência,
por exemplo, aos doze anos…. felizmente ainda está concentrada nas bonecas e
nas brincadeiras… penso que é um assunto a adiar … para quando pedir
explicações…e nessa altura…
-
A Bea já sabe tudo… encarreguei-me de lhe abrir os olhos! E quanto a engravidar,
não te preocupes, Leonor, ela aborta! – responde de forma categórica.
-
Costa, vem cá ver isto! – grita Bea, chamando o pai.
PN 25 de Junho 2015
Foto pescada da Net( sem tempo para uma apurada selecção) e ligeiramente manipulada pelo Photoshop
(Desculpem qualquer lapso)
(Desculpem qualquer lapso)













