domingo, 28 de junho de 2015

Radiografia do quotidiano


    Luísa tem catorze anos, é uma rapariguinha bonita, moderna, desempoeirada, sorriso fácil, aluna acima do razoável, postura amadurecida…. Entrou no café, praticamente vizinho da escola e ocupou uma das mesas. Não havia ninguém àquela hora…. O ambiente rústico e sonâmbulo “casava “ bem com as fotografias a preto e branco “fixadas” na parede, com sorrisos abrilhantados, fisionomias antigas e fascinantes, cabelos compridos desalinhados ou polidos e macios, ou ainda muito curtinhos e chiques, expressões que ninguém diria serem estudadas de tão aparentemente naturais!
A jovem retirou da mochila um caderno e uma esferográfica quando se ouviu:
- Luísa! - alguém exclamou.
- Olá professora! - cumprimentou simpática  e continuou - é convidada a sentar-se?
- Não sei se será boa ideia… é que  não estou só, venho acompanhada com mais duas professoras :
- Podem sentar-se aqui, as três, na minha mesa! Será um prazer! Já as conheço!
- A sério? Não incomodamos? -
- Não! assim até vai parecer que estou na sala de aula. - comentou sorrindo.
- Então Luísa, a desenhar? – perscrutou a  professora de cabelo desgrenhado e farto.
- Hoje ainda nada …é só  para me entreter, nada de especial!
- Mostra lá o que já tens, para vermos! – sugeriu a terceira, de cabelo castanho claro e ondulado.
- Peço desculpa professora, não vale a pena! É pouco para …
- Está bem, quando o concluíres, mostras?
- Combinado!
- Tens uma caneta muito bonita! – observou a professora de cabelo castanho escuro liso a apanhado.
- Foi o meu pai que me ofereceu no Natal – respondeu com uma pontinha de vaidade.
- Isso prova que o teu pai tem bom gosto – tornou a professora de cabelo apanhado.
A rapariga riu-se e acrescentou em tom calmo:
- Não foi só a caneta que ele me ofereceu, também “As cinquentas Sombras de Grey”, os volumes todos…
- E já leste algum deles? – indagou curiosa  enquanto consultava a reacção das outras pela troca de olhares.
- Já li todos! – respondeu sem qualquer perturbação.
- Isso é dirigido a um publico adulto -  comentou a professora de cabelo desgrenhado.
- Mas ela é praticamente adulta! – concluiu a professora de cabelo castanho claro e ondulado.
- O meu pai teve uma conversa comigo e disse-me, para eu não andar a espreitar na Internet mais valia ler os livros, assim decidiu oferecer-me!
- O teu pai é mente arejada, moderno e conhece bem a filha que tem! – rematou a professora de cabelo liso e apanhado com uma gargalhadinha triunfante e sempre a sondar matreira  a reacção das outras colegas.
- Concordo, concordo – repetiu a de cabelo claro e ondulado.
A professora de cabelo desgrenhado e farto permaneceu em silêncio….limitou-se a observar fixamente os rostos das presentes.
- Olha, Luísa, - começou a de cabelo liso e apanhado – não sei se é do teu conhecimento, mas a obra já foi adaptada para o cinema e já anda aí nas salas…
- Eu sei professora, foi tanta publicidade, impossível não saber!
- O teu pai que diz disso? – quis saber a  de cabelos claros e ondulados.
- Eu já fui ver o filme ao cinema. – declarou com um sorriso maroto nos lábios.
- Ah!... ele permitiu?! Tens um  pai  fora de série! – lisonjeou a de cabelo apanhado.
- Ela é uma miúda sortuda, ter o pai que tem e ele deve orgulhar-se dela! – anunciou a de cabelo ondulado.
Luísa mostrou de repente uma timidez… própria da sua idade, camuflada num sorriso forçado.
- E gostaste do filme? - interpelou a de cabelo liso e apanhado.
- Não gostei, deturparam certos detalhes da escrita e fico a preferir os livros… Desencantei-me totalmente com o filme, em nada semelhante ao que li.
- Vês, ela é da mesma opinião da grande maioria de  pessoas que viu o filme - declarou a de cabelo ondulado dirigindo-se   à de cabelo apanhado – e adiantou – Uma rapariga de catorze anos…se todos os alunos da idade dela mostrassem uma pontinha desta maturidade, seria óptimo!
A rapariga sentiu o ego atirado ao alto, ria-se mas não sabia onde meter a cara!
A professora de cabelo desgrenhado aproveitou para dizer:
- Conseguem ouvir? É a campainha – consultou o relógio – Tenho aula agora…vou, vêm comigo?
- Nós também vamos! - responderam em uníssono.
- Adeus Luísa, bom dia ! - despediram-se da jovem e saíram do café  em direcção à escola.
PN
Nota( peço desculpa pelos eventuais lapsos que poderão detectar) 



 Grafite Mulher - NET







sexta-feira, 26 de junho de 2015

Radiografia do quotidiano

   
Carlos e Beatriz formam um casal aparentemente feliz, têm uma filha de oito anos, ao Domingo é habitual saírem os três, hoje para variar, convidaram a irmã mais velha dele; a Leonor.
   São dez horas, há pouca gente na rua, o mar escorregadiço e húmido provoca as muralhas do porto com os dedos dos pés, num tinir marulhado que ressoa delicioso aos ouvidos mais atentos. Enquanto, os barcos periclitantes, naquele embalo matinal deixam-se mover meio adormecidos e anestesiados pela maresia.
Carlos volta-se para Beatriz com as mãos nos bolsos dos calções desportivos:
- Que dia convidativo! – exclama sorridente
- Hoje devíamos ter feito praia! – sentencia Beatriz
- Tens razão mãe…apetecia-me um mergulhinho… - acrescenta a pequena.
- Fica para outra altura! – finaliza Carlos.
- Não pode ser hoje porquê? – questiona a miúda.
- Bea, são dez e dez, daqui até ao carro é uma escalada …depois, ainda precisamos de ir a casa buscar as coisas de praia…. E quando chegarmos lá …já é hora de voltar…
- Costa, és um desmancha prazeres…. a miúda está empolgada…! – conclui Beatriz ligeiramente irritada.
- Não me digas que pensas ir para a praia ao meio dia! – remata incrédulo.
Leonor que até então permanecera em silêncio, resolve intervir.
- O Carlos tem razão, os conselhos da protecção civil é evitar as horas em que o calor é intenso….tenho por norma nunca me expor ao sol entre as onze e as cinco da tarde!
-  Para o teu irmão, nunca é hora … há sempre objecções ….se não é uma razão é outra …
- Ei, baixa a bola, sim? Fala mais baixo, quem não tem razão aqui, és tu!
- Pode até ser que não tenha…- admite contrafeita.
- A Bea não se pode queixar de mim! – replica sério.
- Para certas coisas… sim, é verdade….para outras és muito antiquado.
- Referes-te a quê? – indaga irritado.
- Hás-de convir que tens umas ideiazinhas ultrapassadas… - continua firme.
- Dá-me um exemplo! – desafia Carlos.
- Queres saber? Aquele assunto que já discutimos, sobre os possíveis namorados da Bea… pelo que pude deduzir, parece não te agradar muito a ideia…
- Ela tem apenas oito anos, Beatriz!
- E qual é o problema, há quem seja precoce! – explica triunfante
Leonor permanece calada, sente que o assunto não lhe diz respeito. Embora ambos lhe dirijam olhares, em busca de aprovação.
- Eu não fui explícito em relação a esse assunto…sei que a Bea já é bastante madura para a idade que tem…por isso pode acontecer algum namorico.
- Mentaliza-te que a Bea pertence a uma geração diferente da tua. Está desenvolvida, é bonita, naturalmente não demorará muito a dar de caras com alguém que se interesse por ela!
A rapariga, alheada a tudo o que os adultos vaticinam, põe os olhos nas embarcações e sorri:
- Costa, olha aquele barco! É giro não é?
- É filha, tem umas cores fortes.
Bea larga em retirada  e vai observar mais de perto o pequeno barco atracado ao a um recanto.
- Tem cuidado filha, não te aproximes muito…- Carlos avisa denotando alguma preocupação
- Ainda dá o mergulho tão desejado…- gracejou Leonor.
- Mas voltando ao assunto – retoma Carlos – Não me importo que namore… desde que não seja na minha casa.
- Como? E onde é que vai ser?
- Não quero os namorados dela lá em casa….isso é que não! Um dia mete - se com um, no dia seguinte mete-se com outro…. E quantos mais? …eu conheço a filha que tenho. Quer namorar? Muito bem! vá para a serra e namora à vontade!
- Impedida de namorar é que ela não fica! – assegurou com êxito a mãe.
Leonor fez-se ouvir num tom calmo:
- É preciso atenção para que a  Bea não venha a ter   nenhum deslize na pré adolescência, por exemplo, aos doze anos…. felizmente ainda está concentrada nas bonecas e nas brincadeiras… penso que é um assunto a adiar … para quando pedir explicações…e nessa altura…
- A Bea já sabe tudo… encarreguei-me de lhe abrir os olhos! E quanto a engravidar, não te preocupes, Leonor, ela aborta! – responde de forma categórica.
- Costa, vem cá ver isto! – grita Bea, chamando o pai.
PN   25 de Junho 2015

Foto pescada da Net( sem tempo para uma apurada selecção) e ligeiramente manipulada pelo Photoshop 
(Desculpem qualquer lapso)



  
  

  


domingo, 21 de junho de 2015

António Lobo Antunes - As mulheres têm fios desligados.

De Júlio Machado Vaz 
Roubado ao blog Crónicas Rosa Cueca.

António Lobo Antunes - As mulheres têm fios desligados.

Há uns tempos a Joana:
- Pai, acabei um namoro à homem.Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de- Já não gosto de tide- Não quero maischegam com discursos vagos, circulares- Preciso de tempo para pensar- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanasou declarações do género de- Tu mereces melhor do que eu- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua faltae aos amigos- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata- Custou-me mas foi- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu- Chora um dia ou dois e passa-lhee pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safoe depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias- As mulheres têm fios desligadose um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam- Já não gosto de tise informam-Não quero maisaí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)- O problema não está em ti, está em mima mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.Fui(espero que não muitas vezes)rasca.Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual- Mereces melhor que eulevou como resposta- Pois mereço. Rua.Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua- O que faço às cartas de amor que me escreveu?e a amiga sua- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga- E depois de ele se ir embora?- Depois chorei um bocado e passou-me.Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

Boa leitura :) 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O lugar

A construção pariu ratazanas polidas, execráveis, endeusadas…disparam dos altos cargos em descapotáveis ganhos nas contas sumptuosas da Telexfree… e alardeiam-se à Hollywoodiana.

Lugar vizinho do vazio

Sítio engolido pelo chão

Edifício roído pela podridão

E gente, gente pífia, aquários de prisão

 

Lugar, armadilha do bem

Sítio entranhado de metal e de frio…

Edifício de risos sujos e dentes sádicos

Almas agrestes, maldosas e o perigo do dinheiro na mão

 

Sem saudade deste lugar…

Liberdade em fuga

Teia de aranha fechada

Que pica e mata quem vai a par

 

Fétido lugar, sítio de falso brilho

Besuntado de estrume e olhos de través

Algema bandida, furacão soberano

Falsa oração, cúmplice da maldição viés

 

PN


Nota( Ainda não consigo retomar as visitas habituais e recíprocas .... em breve contem comigo. Com a mesma atenção de sempre... )
PN

domingo, 10 de maio de 2015

No cimo da tua mesa…



No cimo da tua mesa há rima branca
dispersa, poalha, farelo…assim, desaparecida….
luz branca que sorri e flutua
e o problema retorceu a anca…

No cimo da tua mesa há muros espessos
nós apertados à tua garganta
dúvidas engasgadas, guilhotinas de medo
 a tua cabeça rola nas bocas do mundo…

No cimo da tua mesa há vertigens
suicidas, sedutoras, convidativas ao salto mortal
tudo seria mais fácil….
Mas outra força maior puxa-te para a vida

No cimo da tua mesa há um espelho
onde se reflecte o que nem sabes …
navios, mastros, santos mártires …
homens intocáveis, inteiros

No teu cimo da tua mesa há acusações
sentimentos de culpa, espinhos que te mordem
e ferem a boca
confusões, artilharia apontada e mentira pesada


No cimo da tua mesa navegam peixes de água doce
tempestades marinhas
mar calmo….
até regos bem cultivados e alface a saltar para cima…

No cimo da tua mesa há verdades dolorosas
que não podes vencer…
por muito que grites e combatas
é uma conquista que irás perder

No cimo da tua mesa, a um canto
 a  esperança aguarda por ti
parou de chover…
mesmo com o estômago embrulhado,

sai, sai a correr
segura a tua idade
não a deixes fugir.
PN                                                        Jean Frederic Schall





Cinza… nevoeiro



Mentira 
vazio inteiro
Embarcação abalroada 
num cais desfeito
Casco aberto
num céu coberto
Úlcera sem sentido a morder o peito
O que ainda agora foi…
deixou de ser
Amor sem hora…
Faúlhas amortecidas 
a guarnecer –te o leito.
Reflexos do céu… não passam por aqui…
Se houvesse luar, pedia um pouco de luz para a minha noite
Reduzida a faúlhas, desbotada
O que já foi:
Rubro
Pujante
Delicado
Divertido
Um segredo secreto
Só nosso
Um amor sentido!
Um amor certo !

PN
(reedição)

No_Masculino











Foram dias de demora
puxados num ápice
Línguas trocadas
roçadas
Saliva de uivos
salpicadas de ternura...
Noite adentro
corpos orvalhados
paisagem serena
amena de Verão
aconchego do abraço
terno sossego
A lua acende ...
e o desejo roça
acorda
a água mansa
rola na areia fina
num burburinho
inaudível
Solta-se o soluço
e o caudal
transborda…
O turbilhão resvala
e a pressa da ânsia
arrasta os poros,
desprende-se
do leito
e cavalga frenética!
A tua boca gulosa
provoca
sequiosa
fogosa...
O incêndio aviva-se
O quarto é pequeno
a vontade não cabe
na cama
É urgente ir mais longe
trepar paredes
cadeiras
mesas…
sem pudor
sem receio
sem medo
de sentir...
Respirar sofregamente
em perfeito movimento
ora louco
ora rouco
arquejante
o momento...
Gemido dorido
Soluço abafado
convulsão
espasmo...
O fluído impaciente
desemboca
na tua boca...
PN
(Reedição)