Por Conceição Pereira
Em cartaz o filme AS SUFRAGISTAS, que
traz ao conhecimento do grande público a luta de dois milhões de mulheres
inglesas, de todas as classes sociais, para obterem o direito ao voto. Foi uma
luta muito dura, muito difícil, pois tiveram de enfrentar o poder político,
policial e social que lhes vedava o direito ao voto, que elas queriam obter, em
igualdade com os homens, para mudar as leis que as discriminavam. Elas ganhavam
menos que os homens por trabalho igual, não tinham direito à educação em
igualdade com os rapazes e até os filhos que elas traziam ao mundo pertenciam
ao pai, que tinha o direito de decidir da sua educação, modo de vida e tudo o
mais.
As sufragistas eram mulheres trabalhadoras que tomaram
consciência do seu valor social e que não lhes era reconhecido. E assim nasceu
o movimento sufragista, com o objectivo de alcançarem o direito ao voto e, com
esse poder nas mãos, reformarem a legislação e os costumes.
Elas foram perseguidas, presas, fizeram greves de fome, uma
parte do movimento entrou em luta violenta e fez vergar o poder. Conseguiram
direito ao voto em 1918. Em Portugal, só em 1974 se conseguiu o Direito Pleno
ao Voto para homens e mulheres.
Contudo, o direito a salário igual para trabalho igual ainda
não foi alcançado, nem em Portugal nem no resto da Europa. Segundo um artigo
publicado no DN a 12 do corrente “o salário médio por hora para as mulheres
europeias é 16,3% mais baixo do que para os homens para trabalho de igual
valor”. Apesar de grande parte das mulheres, falando agora das portuguesas,
terem atingido um grau de formação elevado, superior aos homens que ingressam
nas universidades, em termos gerais, ainda impera a tradição de as mulheres
serem relegadas para lugares menos remunerados e ganharem menos que os homens.
SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL é uma reivindicação com mais de um século e
ainda não foi alcançada.
Faço um apelo às mulheres (e aos homens também) que vejam o
filme AS SUFRAGISTAS e tomem consciência de que os direitos que hoje podemos
usar a nosso favor foram conquistados com “lágrimas, suor e sangue”.
Mais, espero que as jovens mulheres, mais instruídas que as
da minha geração, usem os conhecimentos e as oportunidades para conquistarem o
lugar que merecem e não se deixem vencer pelas tradições obscurantistas e poderes
imorais que impedem as sociedades de evoluírem e darem passos civilizacionais
em termos de igualdade e fraternidade entre os seres humanos.
Nota: ( Ainda não vi o filme)






