sábado, 21 de novembro de 2015

Tua boca é uma fábrica de poluição sonora

Só rasgos de unhadas no rosto…
Possesso de ódio e humores mal resolvidos
Esquisso mal quisto, mal aventurado
Os teus dias; instáveis e alvoroçados
São linhas sem sustentação, sem infinito
Que as obrigue a abrir … enclausuradas com ferrolhos 
Deserto mofo e condenado à fome
Fome do que te foi negado…logo à nascença
Filho do crime e do castigo…
PN
                                            Foto-Net




domingo, 15 de novembro de 2015

As sufragistas



Por Conceição Pereira

Em cartaz o filme AS SUFRAGISTAS, que traz ao conhecimento do grande público a luta de dois milhões de mulheres inglesas, de todas as classes sociais, para obterem o direito ao voto. Foi uma luta muito dura, muito difícil, pois tiveram de enfrentar o poder político, policial e social que lhes vedava o direito ao voto, que elas queriam obter, em igualdade com os homens, para mudar as leis que as discriminavam. Elas ganhavam menos que os homens por trabalho igual, não tinham direito à educação em igualdade com os rapazes e até os filhos que elas traziam ao mundo pertenciam ao pai, que tinha o direito de decidir da sua educação, modo de vida e tudo o mais.
As sufragistas eram mulheres trabalhadoras que tomaram consciência do seu valor social e que não lhes era reconhecido. E assim nasceu o movimento sufragista, com o objectivo de alcançarem o direito ao voto e, com esse poder nas mãos, reformarem a legislação e os costumes.
Elas foram perseguidas, presas, fizeram greves de fome, uma parte do movimento entrou em luta violenta e fez vergar o poder. Conseguiram direito ao voto em 1918. Em Portugal, só em 1974 se conseguiu o Direito Pleno ao Voto para homens e mulheres.
Contudo, o direito a salário igual para trabalho igual ainda não foi alcançado, nem em Portugal nem no resto da Europa. Segundo um artigo publicado no DN a 12 do corrente “o salário médio por hora para as mulheres europeias é 16,3% mais baixo do que para os homens para trabalho de igual valor”. Apesar de grande parte das mulheres, falando agora das portuguesas, terem atingido um grau de formação elevado, superior aos homens que ingressam nas universidades, em termos gerais, ainda impera a tradição de as mulheres serem relegadas para lugares menos remunerados e ganharem menos que os homens. SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL é uma reivindicação com mais de um século e ainda não foi alcançada.
Faço um apelo às mulheres (e aos homens também) que vejam o filme AS SUFRAGISTAS e tomem consciência de que os direitos que hoje podemos usar a nosso favor foram conquistados com “lágrimas, suor e sangue”.
Mais, espero que as jovens mulheres, mais instruídas que as da minha geração, usem os conhecimentos e as oportunidades para conquistarem o lugar que merecem e não se deixem vencer pelas tradições obscurantistas e poderes imorais que impedem as sociedades de evoluírem e darem passos civilizacionais em termos de igualdade e fraternidade entre os seres humanos.

Nota: ( Ainda não vi o filme) 




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Linchamento




Oh!…..tentaram empurrar  alguém para a sarjeta!
Outro alguém quis barrar caminho…rasteiraram-lhe os passos
Outro alguém quis elucidar…açaimaram-lhe a boca
Outro alguém quis insurgir-se…ameaçaram  cortar-lhe as goelas
E depois disso, houve uma voz agressiva que ordenou:
- Assistam à cena! Não voltem a cara!
Entortaram-lhe o rosto
Maldisseram as suas verdades
Enlamearam-lhe a pureza do carácter
Amaldiçoaram-lhe o destino…
Um algoz augurou:
- Não tem perfil para o cargo!
- Atira-o para o  fundo da valeta ! – trovejou o segundo algoz.
Outras vozes próximas, rumorejantes …cochicharam embaraçadas de espanto:
“ Fazia sombra… agora mais olhos, olham só para mim…”
“És um narciso… ”

“Teve a coragem que a muitos falta…incomodava….”
“ Pois é…falava muito alto, acima das nuvens…um altifalante gigante”

“Abocanharam-lhe o génio, arte e a verve”
“ E a verdade também…!”

“ Um homem vertical, invendível “
“Paga-se caro por isso…”
 “ Hão-de surgir outros…”
 “ Ninguém é substituível, meu caro! Muito menos este homem, um filão de ouro”
“ Paciência…”
“Pois, que há-de ser ou talvez não….”
“ Que queres tu dizer?”
“ Quando a notícia se alastrar … ele tornar-se-á uma lenda viva!”
“ Então não cairá no esquecimento?”
“ Não. Prepara-te…!”
 PN
 Fotos - Internet 




sábado, 24 de outubro de 2015

Vai, vai à fonte!
estanca a água forçada a escorrer…
caudal de gemidos, filhos malquistos da nação!
Cava regos escorraçados,
desenfreado desespero à procura de tecto, paz e pão
tanta fartura empapada
vergonha da alta nobreza, agarrada à sua razão!
E a água desamparada
sem lugar para escoar
abatida à partida  … atraiçoada  pelo irmão
continua a correr e  a ferida a sangrar !
Foge, foge da fonte endiabrada
que ninguém a vai fechar?!....
PN




domingo, 18 de outubro de 2015

Folha do álamo

Como vem sendo habitual, sigo um programa de cariz político, salvo raras excepções deixo de assistir. Aprecio o bom humor, a irreverência de alguns intervenientes, a teatralidade sem medida, jocosa e hilariante …e sobretudo bem representada. Risos e mais risos, gargalhadas de preocupações... esgrimem-se no uso da palavra, atropelam-se uns aos outros que mais se assemelha a uma garatuja balbuciante, libertina!
Quais protagonistas? “actores” de barba rija, detective Dupont; “As aventuras de Tintin”, versão singular…  e uma “barbie”,cabelo curto, modernaça …fazedores da sua própria arte cénica… retórica fluente, bem fundamentada, convincente, discursos inflamados, críticas contundentes  e eficazes, inteligência própria de aclamados deuses.
É do olho ficar pregado ao ecran e queixo a ziguezaguear pela sala… não fosse … a “barbie”…ou melhor, a Cleópatra loura, a outra foi grande negociante, esta não é; impõe a sua vontade de falar, constantemente a meter o pé em seara alheia, é rainha e senhora do debate e da noite, o centro das atenções e que os barbas longas se cuidem, ela dispara a queima roupa… sedutora como a outra, extremamente perspicaz, sapiência no uso do poder…! O seu grande defeito; mudar de opinião com demasiada frequência, muito contraditória, instável …
Impressiona! E fundamenta sempre a suas teorias, julgo no entanto ser atrevido para uma jornalista desta craveira:
 Apoia um candidato, faz campanha em pleno programa, apela ao voto, conhece o projecto, sempre a defender, vai à guerra por ele, defende-o com unhas e dentes, sopra ventos ciclónicos e rosna quando os outros “actores” se manifestam opositores. Acontecem as eleições, o suposto candidato perde e a senhora, passados oito dias, tem a audácia de confessar em público que se enganou? O que é isto?
Se ela que é tão entendida em política… a que domina o debate, tem as ideias mais esclarecidas … teve tempo suficiente como toda a gente para medir prós e contras e vem desdizer tudo o que tinha dito durante semanas a fio?! Estão a brincar connosco, isto é esclarecer? Isto é nublar! Mostrou-se inquieta com a taxa de abstenção? Parodiou os indecisos! Como é possível? E não é a primeira vez que a dita senhora muda de versão?! Eu também mudo de ideias mas com esta leviandade, por favor! Não! Parece que bebe, pica a veia, snifa ou é louca! Quem tem telhados de vidros, atira pedras aos outros? Mau!

PN

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Pensamento de PN

Quando a Humanidade( homens e mulheres) for capaz de fazer um Verdadeiro e Sincero Mea Culpa, vindo das estranhas, sem fingimento, aparência enganosa ou exterior fachada, mas transparente e cristalino como água, própria para consumo, o mundo há-de pular e avançar como bola colorida por entre as mãos de uma criança... e que não peque por tardia....porque se vier demasiado tarde, torna-se irremediável - (Citada uma frase do poema de António Gedeão)

sábado, 12 de setembro de 2015

Aquele menino morto na praia


Não teremos democracia em casa apoiando ditaduras alheias

Na Islândia, o governo anunciou a disponibilidade para receber 50 refugiados sírios. Indignada com a mesquinhez dos números, a escritora Bryndís Björgvinsdóttir lançou um apelo através do Facebook para que os seus compatriotas se pronunciassem sobre o assunto. Em menos de 24 horas, dez mil islandeses prontificaram-se a abrir as portas das suas casas para receber refugiados. A impressionante vaga de solidariedade levou o governo a rever a proposta original. A Islândia, importa realçar, é um pequeno país, com apenas 330 mil habitantes, metade da população de João Pessoa.
Há várias lições que se podem retirar deste episódio: a primeira tem a ver com vergonha e redenção. A enorme tragédia em curso, com vagas de refugiados, de diversas proveniências, que tentam todos os dias alcançar solo seguro, expôs ao mundo uma Europa dividida, enfraquecida e moralmente degradada. Durante décadas, os europeus orgulharam-se da sua suposta superioridade moral. É verdade que a Europa deixou de ser o centro do mundo — reconheciam eles. — É verdade que perdeu os impérios e vem perdendo, a cada dia, influência política e cultural; contudo, é ainda uma referência ética. Vemos grupos de polícias a perseguirem e espancarem velhos, mulheres, crianças, que conseguiram fugir de um país em guerra. Vemos, pois, polícias a espancarem vítimas. Vemos a seguir os cadáveres flutuando no mediterrâneo, porque ninguém os quis socorrer. A imagem do corpo de um menino de três anos, numa praia da Turquia, correu mundo com a legenda: “a Humanidade deu à costa”. Vemos tudo isto e compreendemos, horrorizados, que, afinal, os bárbaros já tomaram a Europa. Os bárbaros estão instalados no poder, na Hungria, mas também em Portugal. Os bárbaros governam o Reino Unido, a França e a Itália. Os bárbaros triunfaram.
A atitude do povo da Islândia devolve-nos alguma esperança na Humanidade, ao mesmo tempo que salva o rosto envergonhado da Europa.
Com a sua resposta rápida e generosa os islandeses mostraram-nos que a indignação, bem dirigida, ainda pode (co)mover as verdadeiras democracias. As democracias — tantas vezes nos esquecemos disto — fazem-se com o povo.
Há poucos dias a Al Jazeera entrevistou um refugiado de 13 anos, Kinan Masalmeh. “Tem alguma mensagem para os europeus?” — foi uma das perguntas. O menino não hesitou:
“Nós não queremos vir para a Europa.” — disse. — “Só queremos que ajudem a parar a guerra na Síria”.
Simples assim. Não teremos democracia em casa, apoiando ditaduras alheias. Não teremos paz, se não houver paz na casa dos vizinhos. Não haverá desenvolvimento para uns, se não houver para todos. A Hungria bem pode erguer os mais altos muros. Israel pode erguer muros. Os Estados Unidos podem erguer muros. Muros degradam sobretudo aqueles que os erguem. Além disso não têm conseguido evitar que milhares de pessoas desesperadas os ultrapassem. O desespero encontra sempre soluções para vencer os piores obstáculos.
O que virá depois dos muros? Ordena-se o fuzilamento dos migrantes? Afundam-se a tiros de canhão as pequenas embarcações que os trazem? Prendem-se os refugiados sobreviventes e todos aqueles que os procurem ajudar?
Não basta que nos horrorizemos ao ver a imagem do menino morto na praia. “Não consigo olhar para aquelas fotografias” — queixam-se centenas de pessoas nas redes sociais. Não conseguem?! Pois é bom que olhem! É bom que vejam o menino morto, e que vejam também todo o imenso horror que o trouxe até àquela praia turca. Somos todos culpados pela morte dele, seja devido à nossa cumplicidade direta, apoiando guerras, ou pela nossa inércia, sempre que desviamos o olhar. Aquele menino continuará a morrer nessa mesma praia, em outras praias do mundo, enquanto não nos mobilizarmos em conjunto para impedir que prossiga a devastação da Síria. Enquanto não nos mobilizarmos todos para que a democracia triunfe em Angola, no Zimbábue ou na China. Enquanto não nos mobilizarmos para impor modelos de desenvolvimento mais justos, que respeitem o ambiente, e ajudem a arrancar da miséria milhões de pessoas em todo o mundo.
Vale a pena recordar aqui o artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países”.
O menino morto, nessa famosa foto que tantos não conseguem encarar, chamava-se Aylan Kurdi. Tinha um irmão de cinco anos, Galip. A mãe chamava-se Riha. Só o pai, Abdullah, sobreviveu ao desastre. Espero que um dia ele nos consiga perdoar.
 Enviaram-me por email e não resisti à tentação de o publicar.