sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Chamamento...
Foto-PN
…na pressa…na pressa….os pés têm pressa…
os sapatos…os sapatos pesados e gangrenados
puxam o passo para o fundo, fundo, fundo….
a lama viscosa trava a passada,
o sujo resvala
os pés rolam , rolam… nos sapatos apertados de solas batidas
ai os sapatos andrajosos
atiram o esqueleto à cama
e o combalido sono serve-me um chá morno,
uma chávena abocanhada e encardida
antes mesmo dos delírios nocturnos
Quando a tampa do quarto se abre…
lá por cima, volteiam pássaros sem norte… pássaros que sondam
o mistério da morte
Meus olhos doridos e pedrados de insónia
bocejam copiosos na demora,
estafados de bater na mesma tecla; em surdina, em som
esbracejado,
em gritos brandos, em
brados coléricos…,
sofrida retina, estala em fissuras crispadas de pesar
sonolência tardia… o repouso que não chega
a paz desejada… remota, sempre afastada…
Os pássaros descem, percorrem o quadro, esboçam linhas
curvas
voos rasos à minha volta…
Masco a poalha amarga das visões trágicas… cenas sem
remédio, irremediavelmente perdidas,
outras; luzes, de grande porte, desmedidamente cintilantes;
o doce a derreter-se na saliva … uma pequena luz bruxuleante
dentro da boca…
É hora… e os pássaros… os pássaros levam o meu espírito com
eles…,
eles sabem, sabem onde depositar, no lugar que perpetuamente
sonhei.
PN
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Então é Natal...
O espírito evoca
fenómenos passados
trazidos em grãos
de esferovite
Omo branco de neve
pura
embebido em água
límpida e fresca
o líquido
corriqueiro
escorre porta
abaixo
corre quintal
adentro
galga escadaria
acima…
A frescura com
cheiro
a ar próprio
arromba as portas
antigas da velha casa
lambe as vidraças
em gestos vigorosos
e friccionados
Os tapetes com
desenhos orientais
submergem no
lavadouro
O escaparate
comprado ao rei D. Carlos
abre gavetas e saem
prateleiras
As loiças tombam, mergulham
dentro do alguidar
num baptismo de
água em bolhas coloridas
A massa da farinha
incha nos tachos
ao calor da lareira
O sino da capela chama
para a missa do parto
E ao fim da noite princípios
do dia
olhos pestanejam de
sono por dormir
e lábios bocejam
A faca espeta-se
nas goelas do porco
E o furo jorra
sangue quente
Pobre animal atraiçoado
e sacrificado na festa.
E eis que surge a
passo lento
Num silêncio devoto
A mãe…
Traz a criança nos
braços
A seu lado, ombro
com ombro
o pai numa fiel
cumplicidade.
A vaca e o burro
acercam-se
Cada um toma a sua
posição
Como se uma
fotografia os retratasse
Os pastores andam trauteando
quadras ao vento…
e ao avistarem tão
lindo quadro
curvam-se e adoram
maravilhados
o nascimento do
menino.
O anjo chega
atrasado
e revela
atarantado:
- Os reis Magos vêm
chegando…
A vaca molengona
exclama presunçosa:
- E trazem ouro!
O burro atento
completa vaidoso:
- Esqueceste o
incenso e a mirra…
O pinheiro alto
rompe o telhado da
sala
espeta-se numa
estrela
Outros astros
estremecem
resvalam de comoção
prendendo-se nos
galhos
do esguio pinho.
A espiguilha
enlaça-se
E a gambiarra
também
O pinheiro
alvoroçado
pulsa de agitação
O canto anuncia a
missa do galo
Depois
A canja é servida
quente
O peru recheado jaz
sobre a mesa
Ao lado a travessa
de carne vinho e alhos
não faltam as
sobremesas
Bolo de laranja,
Bolo de família, Bolo de mel…
Broas de manteiga,
broas de mel…
Licores viscosos e
doces
Sumos…
Vinhos caros
O alvoroço toma
conta da família
As crianças brincam
sobre o soalho polido de cera
O aroma de ensaião,
o aroma do alegra campo,
o aroma das manhãs
de Páscoa
e o aroma dos
junquilhos
cruzam-se
e misturam-se…
O regato chorão
contorna
rochas de papelão
o luar solene sopra
compaixão…
Cantam rouxinóis hinos de louvor
e assim o presépio
lembra o céu…
Àquela hora bendita
a campainha ressoa
Apressam-se a
atender
É a “muda”, a pobre
que vem de longe
De uma outra
esquina para pedir de comer
Repartem o pão e o
vinho
E estendem-lhe a
mão.
Saciada a fome do
corpo e da alma
A pobre triste e
remendada
Sai dali de alma
cheia
E bem alimentada.
E o regato chorão
contorna
rochas de papelão
o luar solene sopra
compaixão…
cantam os rouxinóis hinos de louvor
e assim o presépio
lembra o céu…
Dez de 2010-12-22
PN
(Reedição; poema e ilustração)
Nota : Desejo aos Amigos e a todos os viajantes que por cá passam, um SANTO NATAL!
PN
sábado, 28 de novembro de 2015
Sua eminência arrocha-se no trono
lembra uma construção românica;
rude, sisudo, encorpado, baixote …
Epiderme escura, cabelo curto grisalho
barba farta, queimada pelo fumo…
charuto atarraxado nos lábios balofos .
O caderno, manual de explicação
de Estética, tão clássico…
sempre o mesmo, desde longa data…
réplica de si mesmo;
amarelo encardido , anotações
desbotadas, nem vírgula a mais, nem vírgula a menos,
nem ponto a mais, nem ponto a
menos…
O génio da sabedoria, sem nenhuma
evolução à vista,
enquadra a armação grossa dos
óculos na fachada escura
e discursa num tom ilustre e altaneiro:
- Excluindo meia dúzia de provas,
o resto é pura burrice, vão plantar batatas, dediquem-se à terra. Que fazem
aqui? Como é que se lembraram de tirar um curso superior? Não percebem nada de
Estética!
e vibra de riso, um regozijo
escarninho, uma gargalhadinha enervante…
as suas anotações sobrepõem-se às
respostas dadas
e imiscuem-se nelas, de tal forma
profícuas
que não se distingue nada … não
existem olhos para leituras sobrepostas…
luta titânica de grafismos
Sua eminência informa com algum
enfastio:
- Quem obteve a classificação
acima de oito, ainda se pode propor à oral, os outros, penso que nem vale a
pena!
Imediatamente, olhos jovens
debruçam-se para a folha de teste, em busca da confirmação:
Escutam-se sussurros: - Oito,
virgula dois…por um triz …quase …quase que…, o meu foi nove… consigo chegar à oral…
O dia veio, como outro qualquer,
nem maior, nem mais pequeno…
Naquele castelo de muralhas já muito
envelhecidas e corroídas pela traça
acontece a chamada oral;
a quem entra, a pose de Sua eminência
intimida…
dois fieis escudeiros guardam
aquela relíquia sem brilho, mais caduca que o
caduco dos homens
Os cães a postos, espreitam os
pupilos, um a um …
- Vai começar… – uma voz sussurra
- Somos só quatro?! – outra
rumoreja
-
Que tortura… estou em frangalhos! – a seguinte suspira
- Cala-te! – ordena a quarta
amedrontada
- Medricas! – galhofa uma delas
Sua eminência nomeia quem enceta
o interrogatório.
À medida que questiona, zomba das
respostas dadas e lança bombas de escárnio e maldizer.
Até que irritado, solta mesmo
desadequado:
- Então quer dizer que um
cagalhão é uma obra de arte?
- Não!...não!
- Ah! – exclama numa risota
displicente.
- Diz que sim! Diz que sim! Depende
do rabo que faz!
Olhos escancaram de susto, não
fosse sua eminência ouvir aquela barbaridade
e tudo o que fora dito, anulado.
PN
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Cumplicidades
Hoje, a meio da manhã, avistei
Amélia numa rua … tive de correr para alcançá-la. Há algum tempo que não sabia
dela. Quando lhe toquei no ombro, ela parou e voltou-se, assim que me viu,
emitiu um cumprimento efusivo! Convidei-a para um café; uma esplanada à beira
mar.
- Que bem que se está aqui! –
comentou Amélia, mostrando a bela fileira de dentes alvos, tão bem esculpidos.
- Nem corre fresco, nada, tudo calmo!
– comentei relaxada.
- Marta, sabes, é nestes momentos
em que reflicto mais!
- Encontras aqui alguma
serenidade?! …há gente a passar à nossa frente à nossa volta!
- … consigo… abstraio-me das
gentes e entro noutra esfera…
- Mas não pensas em nada? Nem em
problemas?
- Nada de nada!
- E os ruídos?
- Deixo de escutá-los…
- Tens de me ensinar como atinges
esse estado…
- Desliga completamente o motor…
- riu-se marota.
- Não sei se consigo… e depois de
um dia de trabalho, como é? fazes o
mesmo exercício, Amélia?
- Marta, somos ambas docentes,
sabemos como funciona… chegar a casa; preparar jantar para marido e filhos, mal
termino, sento-me com eles, verifico a mochila de ambos, folheio os cadernos,
passo os olhos na caderneta da escola dos dois… fico a par das novidades do
dia…eles fazem os trabalhos de casa…xixi, lavar dentes e caminha.
- Entretanto o pai faz o quê? –
questionei com um sorriso curioso
- O paizinho cuida da cozinha,
arruma, lava a loiça, e estende a roupa.
- Ei, que sortuda! – exclamei com
uma pontinha inofensiva de inveja
- Divisão de tarefas é isto! –
declarou triunfante.
- E tu, Marta? – quis saber de
mim.
- Não casei mas é como se… e já descasei
– comuniquei divertida.
- Separada, é isso?
- Sim. Não cheguei a casar,
vivemos juntos cerca de dez anos…
- Sem filhos? – Apressou-se a
saber.
- Não posso ter filhos e nem
tenho muita paciência para crianças… não causou transtorno!
- E agora? Estás só?
- Sim, estou só, p´ra aí… há uns cinco anos!
- E isso é para manter assim ou…
- Por enquanto, estou bem! De
nada me lastimo!
- Durante a semana tens a escola…
sempre te distrais e aos sábados e domingos?
- Pego no carro, vou à minha mãe,
depois… tenho vida social activa, dedico-me às arrumações, adoro decorar a casa,
vejo pouca televisão ou opto de quando em vez por um bom cinema, sempre
acompanhada…! – esclareci-a.
- Não levas trabalhos da escola
para fazeres em casa?
- Julgas que não?! O problema é
que os professores levam imenso trabalho para casa, mais que os próprios
alunos…
- Se bem que, a avaliar pela vida
escolar dos meus filhos, e dos meus alunos…nem trabalho de casa deviam fazer…
afinal passam o dia na escola e como se não bastasse ainda carregam com mais
trabalhos, em casa bastaria o tempo para estudar… - concluiu séria
- Eu também penso assim…mas a
maioria dos professores não pensa, Amélia…
- Acredito que não! Muitos deles
não têm vida própria e ensinam os filhos dos outros, em detrimento dos seus…
enfim…
- Aposto que falas de cargos! –
entusiasmei-me.
- Falo sim, só querem cargos e
depois? Alguns ficam doentes, tanta burocracia que não abona nada em favor da
nossa prática lectiva, tornamo-nos tóxicos! A perspectiva de vida afunilada,
que horror… os meus fins de semana são para a família!
- Aplaudo-te por essa iniciativa!
– tornei a incentivar.
- Dá-se a mão, querem o braço,
depois a perna e depois o tronco e quando nos damos conta, já estamos
integrados no maldito sistema!
- As escolas são núcleos muito
contraditórios, enfim…abundância de lixo! – declarei convicta.
- Já fui directora de turma,
delegada de grupo, coordenadora de departamento, directora de instalações, fiz
parte da avaliação interna da escola e ao fim de alguns anos, perdi a minha
paciência e desisti! Deixem-me ser uma simples professora!Nunca mais me apanham
noutra!-confessou com uma pontinha de revolta.
- Mas todos os cargos em
simultâneo? – perguntei estupefacta.
- Não! Alguns sim, outros não! Eu
própria pedi a demissão!
- De todos os cargos? – volvi
estarrecida
- Todos! Cansei-me, saturei-me,
porque comecei a perceber que não tinha tempo nem para o marido, nem para os
filhos, nem para mim mesma! Tornei-me impaciente,
intolerante…intragável…prefiro esquecer o assunto.
- Isso não é saudável! – finalizei
- Nada saudável! Sabes porquê? A
burocracia é informatizada e passas horas ao computador, a preencher tretas
inúteis!
- Há quem goste e até sinta
vaidade nisso! – acrescentei
- Há gente para tudo, Marta,
coitados, são vazios, com vidas familiares destroçadas…os professores também
são pais e mães.
- Por isso os miúdos são como
são!
- Exactamente; instáveis, sem
regras, insolentes, mal educados… tenho dois filhos, nós, eu o Rui, educamo-los
da melhor forma possível, ambos cometemos erros, eles não são perfeitos…mas o
que observo hoje é aterrador!
- Noto o mesmo, e pertenço a
outra escola!
- Isto vai ter de mudar, as
escolas precisam tomar medidas, medidas urgentes, não podem deixar certos
alunos, com comportamentos desajustados, destruírem uma turma inteira! E os
pais! – exclamou – quem não tem vocação, não seja pai nem mãe!
- Já percebeste que o professor é
sempre o culpado! – disse eu
- Ai, Marta – pronunciou num tom
desolado, colocou a mão sobre o meu ombro! - Todos somos culpados, ninguém é
totalmente inocente! Uns com mais culpas que outros…se cada qual fizesse a sua
parte… afinal estamos a falar sobre a educação! Isto deveria ser diferente, não
achas?
- Acho… muito melhor do que é!
Educação e saúde!
- Marta, por favor, vamos mudar
de assunto! Ui, não me faz bem tocar sequer nestes temas e fora do tempo
lectivo, muito menos – gracejou – Olha, quero pagar a conta…
- Eu é que te convidei! – atalhei
de repente
- Não importa, para a próxima
pagas tu! Apetece-me pagar, aproveita a oportunidade e não te preocupes com
isso!
Levantamo-nos, Amélia colocou o
braço em torno da minha cintura:
- Tens programa para sábado?
- Não! Ainda não pensei nisso!
- Então vem jantar a minha casa,
assim ficas a conhecer a minha família, que tal?
- Pode ser! – aceitei satisfeita.
Antes de nos despedirmos,
caminhamos rente ao mar, cavaqueamos sobre as obras que decorriam à nossa
frente e foi nessa altura que vi melhor Amélia; bonita, morena, cabelo comprido
negro, elegante, charmosa, camiseta com decote acentuado, a saia florida e leve
que lhe caía da cintura e percorria as pernas até às sandálias finas. Desde que a conhecera sempre notara o seu
gosto aprimorado na forma de vestir, desde a cor da bolsa, ao fio que trazia ao
pescoço, aos anéis, aos ornamentos nos braços! Uma perfeita Lady!
- Vou por aqui, e tu? - apontou
para uma rua estreita
- Em frente!
- Ah, um pormenor importante,
sabes onde moro?
- Sei!
- Então, depois das três, a tarde
é tua! Aparece! Está bem?
- Com certeza! – respondi alegre
Acenamos uma à outra e eu segui
devagar, deliciando os meus olhos nas ondas do mar salpicadas de brilho intenso.
PN
Pintura de Minjae Lee
sábado, 21 de novembro de 2015
Tua boca é uma fábrica de poluição sonora
Só rasgos de unhadas no rosto…
Possesso de ódio e humores mal resolvidos
Esquisso mal quisto, mal aventurado
Os teus dias; instáveis e alvoroçados
São linhas sem sustentação, sem infinito
Que as obrigue a abrir … enclausuradas com ferrolhos
Deserto mofo e condenado à fome
Fome do que te foi negado…logo à nascença
Filho do crime e do castigo…
PN
domingo, 15 de novembro de 2015
As sufragistas
Por Conceição Pereira
Em cartaz o filme AS SUFRAGISTAS, que
traz ao conhecimento do grande público a luta de dois milhões de mulheres
inglesas, de todas as classes sociais, para obterem o direito ao voto. Foi uma
luta muito dura, muito difícil, pois tiveram de enfrentar o poder político,
policial e social que lhes vedava o direito ao voto, que elas queriam obter, em
igualdade com os homens, para mudar as leis que as discriminavam. Elas ganhavam
menos que os homens por trabalho igual, não tinham direito à educação em
igualdade com os rapazes e até os filhos que elas traziam ao mundo pertenciam
ao pai, que tinha o direito de decidir da sua educação, modo de vida e tudo o
mais.
As sufragistas eram mulheres trabalhadoras que tomaram
consciência do seu valor social e que não lhes era reconhecido. E assim nasceu
o movimento sufragista, com o objectivo de alcançarem o direito ao voto e, com
esse poder nas mãos, reformarem a legislação e os costumes.
Elas foram perseguidas, presas, fizeram greves de fome, uma
parte do movimento entrou em luta violenta e fez vergar o poder. Conseguiram
direito ao voto em 1918. Em Portugal, só em 1974 se conseguiu o Direito Pleno
ao Voto para homens e mulheres.
Contudo, o direito a salário igual para trabalho igual ainda
não foi alcançado, nem em Portugal nem no resto da Europa. Segundo um artigo
publicado no DN a 12 do corrente “o salário médio por hora para as mulheres
europeias é 16,3% mais baixo do que para os homens para trabalho de igual
valor”. Apesar de grande parte das mulheres, falando agora das portuguesas,
terem atingido um grau de formação elevado, superior aos homens que ingressam
nas universidades, em termos gerais, ainda impera a tradição de as mulheres
serem relegadas para lugares menos remunerados e ganharem menos que os homens.
SALÁRIO IGUAL PARA TRABALHO IGUAL é uma reivindicação com mais de um século e
ainda não foi alcançada.
Faço um apelo às mulheres (e aos homens também) que vejam o
filme AS SUFRAGISTAS e tomem consciência de que os direitos que hoje podemos
usar a nosso favor foram conquistados com “lágrimas, suor e sangue”.
Mais, espero que as jovens mulheres, mais instruídas que as
da minha geração, usem os conhecimentos e as oportunidades para conquistarem o
lugar que merecem e não se deixem vencer pelas tradições obscurantistas e poderes
imorais que impedem as sociedades de evoluírem e darem passos civilizacionais
em termos de igualdade e fraternidade entre os seres humanos.
Nota: ( Ainda não vi o filme)
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