sábado, 30 de julho de 2016
Boas férias, amigos!
Fiquem bem! Sejam felizes na medida do possível, tal como eu ... Até ao regresso! Beijinhos, abraços e cumprimentos a todos!
Sempre grata pela vossa presença!
PN
quarta-feira, 27 de julho de 2016
A visita habitual
Surrealista - Tomasz Alen Kopera
A casa grande roda na curva da tarde,
a única
árvore a sudeste resvala lânguida no centro do jardim.
É domingo, chapéu em bico cinza
cinza nostálgico, um abraço sem enlace,
um choro de menino,
compasso rodado do dia, dentro de um cestinho, um
deserto longínquo
sem perigo e sem destino…
A casa cerrada, sem gente, sem nada,
cílios colados, entorpecidos,
A dona enferma, maleita bicuda, foi embora, dizem
que partiu…
para o céu dos bonzinhos
E nunca mais a casa grande se abriu…
ficou assim, cismada, silêncio surdo
não dá por nada!
É domingo, chapéu em bico cinza,
uma promessa resignada, em vigília demorada…
e a casa sobe calada , tão penosamente…
Rente à parede encostada, só há uma flor incendiada…
as outras, as outras … estão-se a ir caladinhas
Não há bebedouro… não há sacio…
Apenas a sombra pesada da idosa vizinha, espreita
debruçada a moradia,
outrora acordo de paz amigável entre as duas…
Antigamente cheia de gente, farta de tudo… agora sem
nada…
Alguém podou a árvore com copa carregada…
as flores maduras já se haviam atirado para o pátio exterior,
para a estátua do rapaz de pedra branca,
para a rua, atropelando-se nos pneus
dos automóveis…
Vinham surgindo outras lâmpadas nas pontas dos
ramos…
A velha senhora apraz-lhe ficar ali,
observando minuciosamente o que se vai lentamente finando
…e o muro a esfriar-se
Ela fica assim; extasiada com a ideia de um paraíso
próximo,
depois, alegre com a visão, afasta-se; os passinhos morosos,
picados,
desconcertados, desacertados;
escadas rolantes confusas, a mão trémula sentada…
sobre uma tarde
que não pára de carpir de tão mal amada.
PN
terça-feira, 28 de junho de 2016
Convida-me e vou contigo...
Convida-me e vou contigo
Hoje sim, hoje, mais que ontem… há sol,
colossal, descomunal , fartura, teimosia de claridade.
As sombras marcam compasso…
ainda não se levantam do chão
nem turvam a nossa visão!
Embarco contigo, agora.
Partamos, dia adentro, noite fora
sigamos e despertemos os sentidos quase murchos
e desaprendidos...
Bebamos a água fresca da velha bilha;
ainda há céu para nós…
Atentos ao pincel espetado na atmosfera...
as nuvens tingidas...
a abóboda lambida de uma ponta à outra daquele azul perfeito,
espevitado
espevitado
espelhado em nós…
Um azul desperto e aberto como o meu coração.
domingo, 22 de maio de 2016
Insónia efervescente
Meus olhos ardem como círios piedosos…
Ai estes olhos escancarados em noites de todas as luas,
cobertos de resina, nuvens de mudança sinalética.
Olhos febris, retina fossilizada,
putrefacção da camada vegetal das pálpebras,
cílios sacudidos pelo desassossego de um vento interior
olhos lacrimosos, sem sorte e sem norte.
Cristalino prismático, pedrado, partido, no eixo da insónia
E as pupilas dilatadas, semáforos vermelhos, estáticos,
acesos , avariados …
Na eternidade do tempo, os ponteiros gotejam à passagem
pachorrenta na curva do relógio… e derrapam até ao fundo da memória…
Sempre o mesmo cansaço, enferrujado, e as rodas da carruagem
vão estalando cobertas de artrose, e a cervical vertical não dá paz ao sono que
tarda.
E meus olhos, pobres olhos, à fornalha do lixo condenados,
a queimar, a queimar…
Atiram-lhes para cima com radioactividade pura, uma poeira
granulada, incomodativa
Socorro-me aflita de uma baforada de ar puro, de uma
qualquer boca;
um doce, um beijo sem ser enganoso, sem ser amargo, sem ser
carregado, sem ser penoso.
O sono? esse, não passa à minha cabeça descoberta, um soluço magoado sai
dos meus lábios, névoa enrolada sobe à
vista escravizada .
Debato-me, adejo e fico a aguardar enferma pela claridade da
madrugada.
PN
Pinturas de Andrew Salgado
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Alinhavo sobre o joelho
Alguém muito próximo e com raízes católicas presentes , disse-me isto em conversa:
" O inferno está calcetado com cabeças de padres"
" O inferno está calcetado com cabeças de padres"
Alinhavo sobre o joelho
Uma escola que não defende os seus professores, é como um pai que não defende os seus filhos, é como um governo que não defende o seu povo
PN
PN
domingo, 24 de abril de 2016
Depois de mim
"A morte de Marat" por Jacques - Louis David 1793
( Outra versão encontrada na NET)
Depois de mim, máquinas
e homens
hão-de rasgar novas estradas
novos caminhos e outros abismos.
No lugar dos postes de luz
santos mártires de braços abertos
olhos enfermos, fixados em nós
confusos e
desorientados…
…cordões ao pescoço com santas desoladas,
cabeças erguidas, em
oração lavadas
Alguém me há-de atraiçoar
desamparada, nos tropeções da queda ,
por fim, o corpo há-de
terminar
na fundura do pó e do nada;
a alma, se destinada a se salvar, buscará o tal sagrado
lugar…
( Inspirado num sonho)
Delta Nascimento (através do Facebook)
Nota: a fotografia seleccionada é da autoria da pessoa que escreveu o poema
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