Desenho elaborado a lápis de carvão sobre Papel - PN
Os seios murcham a olhos vistos
tombam e bamboleiam …
sacos de fruta bolorenta.
Cabelos desalinhados, ásperos,
galhos de árvore mirrada,
ressequidos de lixo
Tisnados de precoce velhice
Da boca; lascas de pedra,
Maus modos, respingona, praga na ponta da laminosa língua
Lábios inchados e gretados, roxos, mal tratados,
Hálito frio, azedo, água sulfurosa…
Aquela mulher é tão seca…
Teve realidade dura, e sonho nem houve,
Em algum atalho, quero acreditar que se deslumbrou,
não sei…
Talvez não! Os olhos, única beleza rara, pela cor
clara …
rios matinais, verdes azulados vitrais…
Grandes, distantes …húmidos
Prefiro imaginar que ali passou um brilhozinho
qualquer, um parco encantamento
é menos triste…
Cedo, muito cedo, os ombros arquejaram com pesos
e a cabeça transportou cargas
e os joelhos sangraram dobrados para o poço.
Bocas raivosas ladraram-lhe, espremeram-na
Humilharam-na, escarneceram dela…
ficou uma fera, um bicho insurrecto
empurraram-na para caminhos sinuosos, tortos, ansiosos…
Cresceu fanhosa, ranhosa, atormentada,
destemperada , descalça, filha do sentencioso azar.
PN








